Meu Perfil
BRASIL, Sul, PELOTAS, LARANJAL, Homem



Histórico


Categorias
Todas as mensagens
 Macro e Economia Internacional
 Citações, notícias, dicas etc.
 HPE e Metodologia
 Economia computacional
 Microeconomia


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 A Mão Visível
 Blog do Adolfo
 Blog do Alon
 Blog do Leonardo Monastério
 Blog do Noblat
 Cenário Econômico (blog anterior)
 De Gustibus non Est Disputandum
 De Rerum Natura
 Ecoblogs
 Departamento de Economia da UFPEL
 Economia e Finanças
 Economia em Debate
 Economia Exposta
 Econosheet
 Greg Mankiw`s Blog
 Homo Econometricum
 Joelmir Beting
 Liberal, Libertário, Libertino
 Liberdade Econômica
 Lucia Hippolito
 Macroblog
 Mahalanobis
 Maria Clara R. M. do Prado
 Millôr On Line
 Neuroeconomia
 Pura Economia
 Quero mais Brasil
 Rabiscos Econômicos
 Temas em Economia
 Add to Technorati Favorites" target="_blank">Technorati
 The Becker-Posner Blog
 Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
 Visto da Economia
 A outra face da moeda
 Economia prática


 
 
Cenário Econômico

Microeconomia



 
 

Crédito para empresas que realmente precisam 

 

Até o final deste mês de junho, o BNDES deve lançar o seu fundo garantidor de empréstimos (fundo de aval) para micro e pequenas empresas.

O banco ofertará cerca de  R$ 1,7 bilhões para avalizar empréstimos no montante de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões.

O  BNDES irá priorizar a concessão de aval para as empresas com bons projetos mas sem garantias reais necessárias para obter créditos nos programas e fundos tradicionais do banco. 

A iniciativa do BNDES e do Ministério da Fazenda é louvável, pois cerca de 40% de 2,4 mil micro e pequenas empresas brasileiras ainda não observaram os efeitos positivos do aumento do crédito bancário ocorrido nos últimos anos.

Estes dados são do levantamento do Sebrae de São Paulo e foram divulgados pelo jornal Folha de São Paulo. 

Já escrevi aqui no blog que, entre os efeitos positivos da queda dos juros reais no Brasil, está o redirecionamento dos fundos emprestáveis do BNDES.

Historicamente, as grandes empresas foram as principais clientes deste banco.

Contudo, desde a gestão de Carlos Lessa, o volume de crédito concedido às micro, pequenas e médias empresas vem crescendo e, com a queda da taxa Selic ocorrida nos últimos anos, esta expansão tem tudo para ser uma tendência de longo prazo.

Juros reais mais baixos permitem às grandes empresas o aumento do financiamento junto ao mercado de ações com custo de capital mais baixo do que os empréstimos do BNDES.

Com isto, o BNDES fica com mais recursos disponíveis para financiar a longo prazo as micro e pequenas empresas.

Muitas destas empresas só conhecem juro real baixo de ouvir falar.

Embora se toque pouco no assunto, o crescimento e o fortalecimento do mercado de capitais (que motivou inclusive a fusão entre BM&F e Bovespa) e o aumento do crédito do BNDES para as micro e pequenas empresas são mudanças extremamente importantes na estrutura do mercado financeiro brasileiro.

Os impactos desta mudança estrutural no desenvolvimento econômico tendem a ser duradouros e positivos no nível de emprego, na geração de renda e na redução das disparidades sócio-econômicas regionais.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h14
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

Spread bancário

 

O spread bancário sempre foi um tema mais importante do que o nível da Selic.

Ocorre que apenas há alguns meses atrás ele tem sido tratado pela sociedade como um tema realmente relevante, a ponto de ser incluído nas reinvindicações das principais centrais sindicais do país e também das federações da indústrias e associações comerciais.   

Sobre o assunto, é útil ler a Carta do IBRE de abril deste ano. 

O IBRE é o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.

O nome do texto é "Spread bancário no Brasil: nem todas as armas foram usadas".



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 04h38
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

Como fazer média com a poupança e congelar uma jaboticaba

 

 

Com as alterações nas regras da poupança, as contas que possuem saldo maior do que R$ 50 mil pagarão imposto de renda sobre os rendimentos a partir de 1º de janeiro de 2010.

 

Nada muda para quem possui uma conta com menor valor do que esta.

 

Nada muda também com o cálculo da TR, taxa que remunera os depósitos em poupança.

 

Como a tributação inicia-se em 1º de janeiro de 2010, o contribuinte e aplicador da caderneta só pagará o IR em 2011.

 

As alíquotas do IR sobre as aplicações de renda fixa (CDBs, fundos de investimento e títulos públicos) poderão ser reduzidas dos atuais  22, 5%, em alguns casos, para 15%, até o fim deste ano.

 

A perda do rendimento para quem possui mais de R$ 50 mil (cerca de 894 mil aplicadores em contas de poupança) poderá atingir 2 pontos porcentuais. A mudança torna os fundos de investimento em renda fixa menos desinteressantes. Poderá interromper a migração dos recursos dos fundos de investimento para as cadernetas de poupança.

 

Estes são os fatos.

 

Contudo, por que o governo manteve a isenção tributária para quem possui menos do que R$ 50 mil?

 

Simplesmente para evitar o desgate político em período eleitoral (o ano de 2010, no qual as novas regras passarão a vigorar).

 

Por que defendeu a indústria de fundos de investimento da competição com a caderneta de poupança?

 

Para evitar a escassez de recursos emprestáveis para as empresas (financeiras e não-financeiras) e para o próprio governo. Afinal, servem para isso os fundos de renda fixa, a despeito das altas taxas de administração e performance que cobram.

 

O governo justificou as medidas afirmando que os juros agora podem cair para até 7% ao ano. Atualmente, a Selic estã em 10,25% ao ano e, para o final de 2009, o mercado espera um patamar de 9,25% ao ano.

 

Mas por que o rendimento para quem possui menos de R$ 50 mil na caderneta, ficará mantido em 6,17% ao ano?

 

Por que criar um piso "artificial" para a taxa real de juros com a alegação de que a poupança possui finalidade social?

 

Por que adiar a  extinção deste piso e a possibilidade de reduzir a taxa Selic para um nível menor do que 7% ao ano?

 

Por que fazer com que o rendimento das aplicações menores do que R$ 50 mil - balizado por uma TR calculada e fixada pelo governo -  trave uma queda maior da taxa Selic?

 

Por que proteger os pequenos aplicadores da caderneta e transferir o custo para toda a economia produtiva?

 

Estas são a questões.

 

Nem Friedman, nem Keynes as respondem.  

 

Maquiavel, talvez.

 

Enfim, o governo atual optou por transferir para o próximo presidente a tarefa da extinção da jaboticaba de ter uma aplicação subsidiada por juros básicos mais altos e por um consequente menor nível de emprego e de renda.

 

Não existem aplicações com remunerações subsidiadas em outros mercados desenvolvidos. Uma aplicação como a nova caderneta de poupança (sem risco e subsidiada para pequenos poupadores) caracteriza um país que tem medo de juros baixos e que se acostumou ao conforto dos juros altos.

 

Assim, privilegiamos os pequenos rentistas e oneramos os empresários do setor produtivo, que geram emprego e de renda (eles arcarão com uma Selic maior).

 

Congelamos uma jaboticaba para o próximo presidente da república descascar.

 

Selic abaixo de 7% ao ano?

 

Só a partir de 2011 e após uma nova mexida nas regras da poupança.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 01h03
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

E a poupança?

 

Em breve, leitor, comentarei as novas regras da caderneta de poupança.

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 02h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

Salário de professor da rede pública

 

Ser professor de ensino fundamental compensa?

Depende se estamos falando da rede pública ou da rede privada.

Notícia da agência USP:

"Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2006 indicam que os professores de ensino fundamental da rede pública possuem salários 11% maiores do que os do ensino privado. A diferença, apurada em estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pode chegar a 38% se forem levados em conta os benefícios da aposentadoria.

O trabalho da economista Kalinca Baxter utilizou equações de rendimento para analisar os fatores que definem a remuneração desses professores, considerando o salário mensal por hora de trabalho e a aposentadoria.

A pesquisadora sinalizou os principais fatores que determinam a remuneração dos professores de ensino fundamental, tais como escolaridade, sexo da pessoa, experiência no trabalho, aspectos geográficos e outros.

 Professores comparados a outros profissionais

Para comparar a remuneração desses professores com outros trabalhadores foram definidas duas categorias ocupacionais. "A primeira, composta por profissionais com alta qualificação profissional, que atuam na ciência e nas artes. A segunda, composta por trabalhadores de média qualificação, que atuam no setor de serviços, produção, além daqueles que são de nível técnico".

A remuneração média dos trabalhadores da produção e serviços é 4% menor em comparação aos professores. Quando são considerados os benefícios da aposentadoria, o diferencial é 30%.

"Era esperado que os professores ganhariam menos que os profissionais muito qualificados, mas não que a diferença seria tão grande entre aqueles de média qualificação", afirma Kalinca. A remuneração do professor do ensino fundamental aumenta 5% para cada ano a mais de estudo, porém esse valor é menor que os 16% dos professores da ciência e 17% dos trabalhadores da produção e serviços.

Previdência

As amostras de professores da rede pública de ensino e das categorias de trabalhadores analisadas são compostas por funcionários públicos estatutários, enquanto que a de professores da rede privada é formada por empregados com carteira assinada. Com esses determinantes, o estudo concluiu que a remuneração média dos profissionais da ciência é 178% maior em comparação à média dos professores.

Quando são consideradas as regras previdenciárias, que beneficiam professores do ensino básico com um menor tempo de contribuição para aposentadoria, o diferencial é 76%. "Levando-se em conta que o professor tem o direito de se aposentar cinco anos antes, isso é uma vantagem que pode fazer com que ele opte pelo emprego na rede pública", explica a pesquisadora.

Embora os dados da pesquisa sejam de 2006, Kalinca afirma que a tendência é que esses resultados continuem. "Há pouco foi aprovada uma lei que estipula um mínimo de salário para o professor da rede pública", aponta. "Com a medida, a diferença de salário entre o professor da rede pública e da privada vai aumentar ainda mais, podendo até se aproximar ao salário daqueles profissionais que possuem alta qualificação.

Para a professora Ana Lúcia Kassouf, orientadora da pesquisa, o aumento salarial dos professores é uma das variáveis que poderia contribuir para a melhoria da educação, "mas, ao contrário do senso comum, os dados mostram que os salários dos professores não são tão baixos quando comparados aos de outras profissões".



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

Salário de professor da rede pública

 

 

Ser professor de ensino fundamental compensa?

Depende se estamos falando da rede pública ou da rede privada.

 Notícia da agência USP:

 

"Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2006 indicam que os professores de ensino fundamental da rede pública possuem salários 11% maiores do que os do ensino privado. A diferença, apurada em estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pode chegar a 38% se forem levados em conta os benefícios da aposentadoria.

O trabalho da economista Kalinca Baxter utilizou equações de rendimento para analisar os fatores que definem a remuneração desses professores, considerando o salário mensal por hora de trabalho e a aposentadoria.

A pesquisadora sinalizou os principais fatores que determinam a remuneração dos professores de ensino fundamental, tais como escolaridade, sexo da pessoa, experiência no trabalho, aspectos geográficos e outros.

 Professores comparados a outros profissionais

Para comparar a remuneração desses professores com outros trabalhadores foram definidas duas categorias ocupacionais. "A primeira, composta por profissionais com alta qualificação profissional, que atuam na ciência e nas artes. A segunda, composta por trabalhadores de média qualificação, que atuam no setor de serviços, produção, além daqueles que são de nível técnico".

A remuneração média dos trabalhadores da produção e serviços é 4% menor em comparação aos professores. Quando são considerados os benefícios da aposentadoria, o diferencial é 30%.

"Era esperado que os professores ganhariam menos que os profissionais muito qualificados, mas não que a diferença seria tão grande entre aqueles de média qualificação", afirma Kalinca. A remuneração do professor do ensino fundamental aumenta 5% para cada ano a mais de estudo, porém esse valor é menor que os 16% dos professores da ciência e 17% dos trabalhadores da produção e serviços.

Previdência

As amostras de professores da rede pública de ensino e das categorias de trabalhadores analisadas são compostas por funcionários públicos estatutários, enquanto que a de professores da rede privada é formada por empregados com carteira assinada. Com esses determinantes, o estudo concluiu que a remuneração média dos profissionais da ciência é 178% maior em comparação à média dos professores.

Quando são consideradas as regras previdenciárias, que beneficiam professores do ensino básico com um menor tempo de contribuição para aposentadoria, o diferencial é 76%. "Levando-se em conta que o professor tem o direito de se aposentar cinco anos antes, isso é uma vantagem que pode fazer com que ele opte pelo emprego na rede pública", explica a pesquisadora.

Embora os dados da pesquisa sejam de 2006, Kalinca afirma que a tendência é que esses resultados continuem. "Há pouco foi aprovada uma lei que estipula um mínimo de salário para o professor da rede pública", aponta. "Com a medida, a diferença de salário entre o professor da rede pública e da privada vai aumentar ainda mais, podendo até se aproximar ao salário daqueles profissionais que possuem alta qualificação.

Para a professora Ana Lúcia Kassouf, orientadora da pesquisa, o aumento salarial dos professores é uma das variáveis que poderia contribuir para a melhoria da educação, "mas, ao contrário do senso comum, os dados mostram que os salários dos professores não são tão baixos quando comparados aos de outras profissões".



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h35
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

A saída do presidente do Banco do Brasil

 

A saída de Lima Neto do Banco do Brasil é ruim porque:

1) o BB fica sem um executivo que soube conciliar a sua função de maximizar o lucro dos seus acionistas (do governo, o acionista majoritário, e o dos acionistas minoritários) com a de cumprir a função social de aumentar os empréstimos em um momento de crise. O BB, junto com a CEF e o BNDES, foram as únicas grandes instituições financeiras que não racionaram crédito nos últimos tempos, como mostra um post anterior sobre o relatório do Bacen;

2) coloca em seu lugar Aldemir Bendini, que de gerente da agência centro de Piracicaba, no final dos anos 90, ascendeu meteoricamente à vice-presidência de Cartões e Novos Negócios de Varejo. Bendini é o cara certo, na hora certa e no lugar certo. É o cara certo porque foi o escolhido do ministro Guido Mantega. A hora é certa porque Mantega fará com que Bendini baixe a rentabildiade, ou melhor, os juros do BC. Não bastou para Mantega que Lima Neto tenha aumentado o volume de empréstimos e tenha adquirido vários bancos.  Por fim, Bendini está no lugar certo. Não me refiro a Piracicaba ou Brasília. O lugar certo de Bendini é o PT. Sua escalada ao topo foi muito rápida em relação à, por exemplo,  do  novo presidente do Bradesco, que chegou lá após muitos anos e a credencial de ter tornado a Bradesco Seguros a melhor seguradora do país.  

Os bancos alegam que o spread é alto, no Brasil, por causa da inadimplência, da cunha fiscal sobre as atividades financeiras, dos custos trabalhistas, do elevado recolhimento compulsório e da legislação que protege o devedor.

Embora estejam certos quanto à questão da legislação, os bancos se mostram na defensiva quando o assunto é concentração bancária.

Os bancos competem ferozmente entre si, não há dúvida. Mas não competem pela via da redução do spread.

A razão dos spreads altos está na teoria dos oligopólios e na teoria dos contratos. Se o spread alto é bom para todas as firmas bancárias, por que um banco deveria arriscar-se a reduzi-lo quando o efeito de tal medida seria a perda de sua rentabilidade sem a garantia da conquista de novos clientes?

Com o spread alto, mercado bancário concentrado, clientes com alto potencial de se tornarem inadimplentes e justiça que favorece os tomadores de crédito, que incentivo tem os bancos para reduzir o spread?

Fiz uma análise de balanço de um grande banco há dois anos atrás quando era analista econômico-financeiro de outro banco.

Calculei que a inadimplência deste grande banco era o equivalente a 20% do total de suas operações de empréstimo.

Ou seja, 20 milhões de cada 100 milhões que o banco emprestava ia para o ralo.

Agora, estimo que tal inadimplência, com a crise, tenha se tornado pior.

Portanto, enquanto a concentração bancária não diminuir e as leis protegerem abertamente os devedores, não há solução para o spread.

Pior, a solução imaginada por Lula e Mantega só piora os bons resultados do BB.

Os bancos concorrentes do BB, Piracicaba, Paulinho e o PT agradecem a saída do presidente Lima Neto.

  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 04h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

Teoria dos jogos, Karpov e a crise econômica

 

 

Com a agradável tarefa de preparar meu curso de Microeconomia III na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), aproveitei para botar minha leitura em dia.

Reli o ótimo livro de Avinash K. Dixit e Barry Nalebuff: Thinking Strategically: The Competitive Edge in Business, Politics, and Everyday Life. New York: W.W. Norton, 1991.

Utilizo os capítulos do livro de Economia Matemática de Baldani, Bradfield e Turner para preparar minhas aulas de Teoria dos Jogos. Neste livro, a matemática utilizada não peca pelo excesso e os exercícios são simplesmente excelentes para alunos de graduação com base matemática.  

Também aproveitei para concluir a leitura do livro do enxadrista Gary Kasparov: How life imitate chess (no Brasil, o livro foi publicado com o péssimo título: "Xeque-mate: a vida é um jogo de xadrez").

Este livro é um caso à parte.  

É apenas razoável para quem se interessa sobre assuntos relativos à estratégi. Kasparov não se aprofunda na análise dos casos de estratégia sobre os quais escreve. Quem gosta realmente do assunto ganha mais se ler os dois livros de Dixit e Nalebuff. 

Para quem não joga xadrez e quer saber mais sobre estratégia, o livro não passa de literatura de auto-ajuda de segunda linha.

Mas o livro do Kasparov é simplesmente excelente para quem, como eu, é enxadrista amador (sou daqueles que sonham um dia ganhar de um jogador de mais de 1800 pontos no ranking do software Chessmaster e, com muito esforço, perde  uma partida de 25 a 30 lances  para os "grandes mestre virtuais" deste programa, tais como: Lasker, Tal, Bottvinik, Capablanca, Korchnoi, Karpov etc.).

Surpresa nenhuma, diria o leitor: nada mais natural do que o melhor enxadrista que o mundo já produziu escrever bem sobre xadrez.

Ocorre que os insights que a leitura do livro de  Karpov oferece para quem não é enxadrista é que realmente valem a leitura do livro. São insights inusitados. Suspeito que o próprio Karpov não os premeditou 10 lances à frente, como costumava fazer no tabuleiro (embora afirme, no livro, que não).

Exemplo: Karpov menciona que as combinações possíveis em uma partida de xadrez são maiores do que os átomos do universo (suspeitei da estimativa, mas são as palavras dele). Mas também  diz que as jogadas racionais em um jogo de xadrez com dois  jogadores realmente competentes são finitas e previsíveis.

Assim, um computador pode enfrentar e ganhar de Karpov, embora, como ele mesmo afirme, este mesmo computador não consegue ter intuição e criatividade para variar a estratégia em situações de jogo realmente decisivas (como as situações que frequentemente surgem do meio para o final de uma partida de xadrez). Exatamente por isto Karpov ganhou tantas partidas de programas de computador cada vez mais poderosos.

O leitor afeito à teoria macroeconômica pode, por analogia, tentar, a partir desta constatação de Karpov, supor que situações de instabilidade econômica ou mesmo de crises globais graves como as de agora, são similares às partidas de xadrez que escapam completamente do controle dos dois jogadores.

Estas partidas são caracterizadas justamente pelo grande aumento do número de jogadas possíveis a cada par de movimentos. Nelas, mesmo os analistas mais experientes ficam confusos, havendo divergências de opinião em relação ao jogo.  

Ocorre que, no xadrez moderno - e sobretudo com a ausência de Karpov dos tabuleiros - tais partidas são cada vez mais raras.

Da mesma forma, quem examina a história econômica das nações constata que crises agudas como esta ocorrem raramente nas economias capitalistas desenvolvidas. São realmente muito raras as situações em que o nível de incerteza sobe a ponto de tornar os sistemas econômicos completamente imprevisíveis, desafiando qualquer grau mínimo de consenso entre os melhores economista.

Durante todo século XX a história econômica dos Estados Unidos registrou apenas duas crises prolongadas (que foram mais do que simples recessões que se resolvem após alguns trimestres de boa política econômica).

Até agora, é possível afirmar que estas duas crises foram piores do a atual. Piores tanto por seus efeitos sobre a economia global como pelos seus efeitos sobre a própria economia norte-americana.

Foram elas: a grande depressão e a estagflação da segunda metade dos anos setenta.

Portanto, situações em que a irracionalidade impera nos mercados (em qualquer um deles) são exceções e não são regra.

O problema é que há economistas que querem fazer crer que estas situações são a regra e que as boas políticas econômicas que se provaram boas em inúmeros casos são contraproducentes. 

Em geral, são economistas que nunca perderam tempo enfrentando exercícios e leitura sobre Teoria do Jogos ou de história econômica. 

Preferem criticar trabalhos consagrados de ganhadores de prêmios Nobel e de economistas com reputação acadêmica ilibada, posando de pensadores críticos quando não passam de defensores da racionalidade limitada.

Não falo do respeitável conceito de racionalidade limitada de Herbert Simon.

Mas da racionalidade limitadíssima provocada pelas sinapses destes pseudo-críticos em tempos que recomendam rigor analítico e opiniões sensatas.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 02h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



 
 

A Teoria da Escolha, na visão de Simonsen

 

O postulado da racionalidade é a base da teoria econômica. É ele quem diz que o agente econômico (homo economicus) quando se depara com várias escolhas possíveis opta por aquela que lhe maximize a utilidade. Este princípio filia-se à filosofia utilitária de Jeremy Bentham e constitui-se como base de toda a microeconomia neoclássica. Por extensão, a empresa maximiza o lucro diante de seu conjunto de possibilidades de produção.

Os desenvolvimentos mais recentes da Microeconomia (teoria da escolha envolvendo risco, teoria dos jogos etc.) baseiam-se também no postulado da racionalidade.

Em um pequeno ensaio intitulado "A Teoria da Escolha", que faz parte do seu livro "Ensaios Analíticos", Mário Henrique Simonsen, faz a melhor defesa que conheço do postulado da racionalidade.

Assim, leitor, quando algum economista vier repetir suas velhas críticas  ao postulado da racionalidade, este ensaio do Simonsen pode ajudar a qualificar o debate. 

Ele argumenta que, dado que ainda não se conhece de forma precisa o funcionamento do cérebro humano, volta e meia o postulado da racionalidade é alvo de críticas.

Uma das críticas mais comuns é a de que há muitas pessoas que se comportam de modo irracional. Simonsen considera ser esta uma crítica rudimentar no que se refere ao postulado da racionalidade (embora possa ser razoável diante de outras teorias de comportamento racional). Rudimentar porque não considera a possibilidade de cada indivíduo ter a sua função de utilidade particular e errar nas suas previsões sobre o futuro.

Simonsen afirma: "E, obviamente, uma teoria positiva deve informar como os indivíduos decidem, e não como o autor da teoria gostaria que eles decidissem. Uma objeção mais pretensiosa é a conjectura de que, na decisão individual, haja elementos tão imprevisíveis quanto a posição do elétron segundo a mecânica quântica. A conjectura não tem suficiente apoio empírico mas, ainda que fosse válida, reservaria ao princípio da racionalidade a capacidade de gerar funções de onda que permitissem estimar a probabilidade de cada decisão."

A crítica de Karl Popper também é refutada por Simonsen.

Popper diz que o postulado da racionalidade não é falseável empiricamente, dado que,  a posteriori, sempre é possível acomodar uma função de utilidade capaz de justificar qualquer decisão do consumidor.

Simonsen diz que o postulado da racionalidade deve ser encarado como mero recurso taxionômico. O problema central que a teoria da escolha tenta enfrentar é como os agentes decidem em face de muitas possiblidades de escolha mutuamente exclusivas. Como os agentes costumam decidir (e não costumam empacar diante de decisões, tal como o asno de Buridan), a teoria possui forte evidência empírica. Assim, o recurso taxionômico do postulado da racionalidade permite que várias possibilidades de escolha sejam hierarquizadas por uma função objetivo.

Finalmente, cabe uma citação do referido texto de Simonsen (está na página 374 do livro):

"No atual estado do conhecimento, nenhum modelo econômico descreve como funcionam os neurônios de quem decide. Isto posto, os modelos são necessariamente analógicos, isto é, as hipóteses supõem que "tudo se passa como se...". Assim, criticar a teoria do consumidor sob a alegação de que o homem comum não consegue fazer tantos cálculos é uma refinada tolice*. O que interessa analisar é se o modelo de maximização condicionada da utilidade é ou não capaz de prever as demandas do homem comum.

Também a justificação de hipóteses por argumentos a priori só pode ser falaciosa, pois hipóteses não são tautologias. Friedman, por exemplo, alega que a idéia de maximização dos lucros é indissociável da teoria da firma, pois a empresa que tal não fizer não resistirá à seleção natural. A argumentação contém duas falácias: esquece que, no mundo real, há firmas que não sobrevivem à seleção natural; e ignora que uma empresa com algum poder de monopólio não precisa maximimizar seu lucro para sobreviver. No reverso da medalha, a maioria das contestações à hipótese de maximização de lucros parece extremamente frágil: evidencia-se apenas que as empresas não maximizam necessariamente o lucro a curto prazo, mas não se rejeita a possibilidade de maximização dos lucros esperados a longo prazo, que é o comportamento conjecuturável a priori. " 

* Simonsen afirma que  Fritz Machlup responde a essa crítica com o exemplo da ultrapassagem. Neste exemplo um carro quer ultrapassar outro em uma estrada de mão dupla. Só que este carro vê que existe um caminhão vindo, mais longe, na contramão. Se o motorista do carro fosse um físico ele poderia saber que teria que medir a sua distância inicial em relação ao caminhão, a velocidade do caminhão, a velocidade que precisa realizar para fazer a ultrapassagem com segurança e o tempo que precisa permanecer na contramão do caminhão. Poderia  saber também que a ultrapassagem só deve se realizar se o tempo na contramão for menor do que a distância inicial em relação ao caminhão dividida pela soma de velocidades. Ocorre que o motorista do carro não é um físico e, ainda assim, executa a ultrapassagem como se fizesse todos estes cálculos.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Links para dados microeconômicos

 

Abaixo, um conjunto de links para dados microeconômicos.

ABRANET - Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet. Pesquisas sobre provedores de acesso e internet.

ACNielsen - Dados sobre consumo de alimentos, bebidas, serviços etc. Informações sobre mais de 11 mil produtos

ABECS - Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços - Dados sobre gastos com cartões de crédito e  empresas emissoras de cartões de crédito e de débito.

ABPD - Associação Brasileira de Produtores de Disco  - Dados sobre a produção fonográfica brasileira (cds, dvds etc.).

ABTA - Associação Brasileira de TV por assinatura -  Dados sobre o setor de TV paga 

ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações - Dados sobre o setor de telefonia fixa e móvel, radiodifusão, TV por assinatura, comunicação multimídia. Tarifas, dados estatísticos, empresas do setor etc .

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica 

ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores

ANP - Agência Nacional do Petróleo

Bolsa de Mercadorias e Futuros

Bovespa

CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento - Dados sobre consumo de produtos agropecuários (carne, frango, arroz, milho, feijão etc.)

Dados Econômicos

DataLinks of the ASA (American Statistical Association) apresenta uma lista de links para dados estatísticos sobre finanças, macroeconomia e microeconomia.

DDCN - Davidson Data Center e Network - banco de dados sobre economias emergentes.

EAN Brasil - dados sobre automação, fibras óticas, e-learning etc.

Econ Data and Links - excelente página mantida por John A. Shaw, da California State University, School of Social Sciences. Os dados são periodicamente atualizados.

EconLinks - Portal especializado na economia norte-americana.

EconoFinance

Economagic - Economic Time Series Page - excelente banco de séries temporais.

EuroStat 

Fenasoft - grande promotora de eventos sobre alta tecnologia no Brasil. Dados sobre produtos e serviços tecnológicos.

Financial Directory and Bookstore

Fortuna

Gartner Group - pesquisas e análises sobre o setor de tecnologia da informação. Dados internacionais sobre produtos, serviços e tendências da TI mundial.

IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social

IPSOS-MARPLAN - dados sobre hábitos do consumidor e sua exposição à TV, rádio, revista, jornal e internet.

IFPI Home Page - dados sobre a produção fonográfica mundial.

Infraero - dados sobre aviação, viagens aéreas etc.

Inomics EconDirectory - Indicadores e Estatísticas - ótima página com dados sobre a economia mundial.

Meio e Mensagem - dados sobre receitas publicitárias geradas pela TV paga, TV aberta, rádio etc.

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Nasdaq

New York Stock Exchange (nyse)

OFFSTATS - ótimo sites que reúne links que oferecem dados econômicos e sociais gratuitos.

Organisation for Economic Co-operation and Development (OCDE)

Penn World Tables

Planeta Dinheiro

Simonsen Associados - análise de mercado, dados sobre consumo, distribuição, renda, melhores cidades para realizar investimentos etc.

SNIC - Sindicato Nacional da Indústria do Cimento

Statistical Offices are listed in EDIRC - excelente lista com os institutos de estatística governamentais do mundo inteiro.

Statistics and Indicators - página do Yahoo sobre dados estatísticos.

Statistical Data Locators - links para fontes de dados sobre economia internacional, classificados por continente. A página é mantida por Leong-Lee Kim Lian, da NTU Library, em Cingapura.

Statistics Canada

Target - Dados técnicos, tecnológicos, sobre consumo de produtos, guia de empresas e muito mais.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Modelo de finanças computacionais

 

Falta pouco para finalizar meu modelo de finanças computacionais.

Ele mostrará o preço justo de 17 das principais ações negociadas na Bovespa.

Sabendo os preços justos destas ações, será possível compará-las com as suas cotações na Bovespa e dizer o quanto elas estão caras ou baratas.

Pretendo divulgar periodicamente os resultados do modelo.

Vantagem de um modelo como este: os seus parâmetros e a sua metodologia serão divulgados aqui no blog.

Com premissas claras e metodologia rigorosa e transparente (o que não existe nas previsões de alguns "chutometristas" do mercado financeiro), o leitor poderá julgar a qualidade dos resultados do modelo.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Em busca da renda não-meritória

 

Reproduzo abaixo um post ja publicado anteriormente.

É um comentário bastante pertinente sobre o rent-seeking, expressao que, em uma tradução livre para quem nao é economista, pode ser entendida como  "busca pela renda nao-meritória". 

É a busca pelos ganhos advindos da corrupção, do criar dificuldades para vender facilidades etc.

No Brasil, tais ganhos representam tanto dinheiro que recebem várias denominações.

Algumas pejorativas, como "jabaculê" ou "jabá" (pagamento que muitos radialistas recebem para tocar certas músicas).

Outras eufemísticas, como "adiantamento" ou "propina".

Em um clássico trabalho, Anne O. Krueger mostrou que a busca por esta forma de renda não-meritória pode representar perdas consideráveis no PIB de um país. 

Abaixo, segue a transcrição do post mencionado, com uma citação da entrevista de Affonso Celso Pastore no "Conversas com Economistas", 1ª ed, publicado em 1996 pela Editora 34. 

"O Brasil montou uma sociedade de rent-seekers. Quer dizer, todo mundo está seeking some kind of rent. Um processo que, no fundo, desvia o esforço de construção do desenvolvimento econômico de uma maneira altamente perversa. Por exemplo: o sistema bancário brasileiro virou um setor que é absolutamente rent seeker. (...) Há representantes do processo de rent seeking dentro do governo.

Países que se desenvolvem são países que, de alguma forma, conseguiram acabar com esse processo de rent seeking, e os países que ficam estagnados são países que estão presos a isso. Bem, nós estamos estagnados e estamos presos a um gigantesco processo de rent seeking.

(...) A idéia de rent seeking não envolve necessariamente coisas ilegais. Envolve simplesmente maneiras de buscar vantagens de monopólio, vantagens de restrições. O governo introduz fricções, restrições fontes de concentração de mercado, e gera o rent, apropriando-se de ganhos maiores do que a sua produtividade marginal.

Esse processo é muito pouco estudado nas teorias do desenvolvimento. Há uma preocupação com o crescimento, capital humano etc., e isso está fora do jogo. Mas a minha intuição é de que aí tem um campo. Essa é uma área que está voltando a ser importante, pois ela "dormiu". Teve-se um grande arranque na Macro, na teoria dos jogos. Acho que essa área de desenvolvimento está voltando agora a ser mais importante, voltou a crescer, é uma área que vem subindo".



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Classe Média, Pobreza e Riqueza

 

Do estudo "A Nova Classe Média", de Marcelo Cortes Néri, da FGV/RJ.

A participação da classe média aumentou de 44,19% para 51,89% da população economicamente ativa (PEA).

O autor afirma que o aumento desta participação não ocorreu devido aos programas governamentais de bem-estar, mas graças à vontade da população em obter um emprego com carteira assinada e à iniciativa privada:

“Na verdade, a nova classe média é aquele segmento do meio que cresceu muito nos últimos anos, é aquele grupo emergente que cresceu a partir do próprio trabalho."

"A carteira assinada é o grande símbolo da classe média".

O estudo reconhece o que os dados do IBGE apontam: os indicadores de pobreza e de miséria reduziram-se de 2002 a 2008, devido aos referidos  programas:

"estamos tendo uma boa safra de indicadores sociais nunca antes vista."

Néri afirma que esta melhora do bem-estar social ainda não repercutiu positivamente nos indicadores de produtividade.

"Todo o quadro favorável no que se refere à pobreza não evoluiu ainda para a obtenção de ganhos de produtividade, em face da estabilidade econômica e dos ganhos com os aumentos do salário mínimo."

Também faz um comentário sobre a escassez de trabalhadores qualificados:

"Se antes tínhamos uma crise de desemprego, hoje nós temos um apagão de mão-de-obra, em que não há profissionais qualificados".

O estudo do IPEA, intitulado "Pobreza e Riqueza no Brasil Metropolitano", afirma que a classe média e a parcela dos mais ricos  ficou maior.  

A pesquisa do IPEA está disponível na íntegra.  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Consumo das famílias

 

Uma pesquisa da Latin Panel  divulgada na edição 923 da revista Exame, mostra o perfil de consumo e poupança das famílias brasileiras.

O que impressiona é a porcentagem dos gastos com alimentação.

Somando os gastos com alimentação dentro e fora das suas residências, as famílias brasileiras gastam 23,9% dos seus orçamentos mensais.

Ou seja, mais do que a soma dos seus gastos com habitação e saúde (20,4%).

Os gastos com habitação são a soma dos gastos com aluguéis, prestações dos imóveis financiados, condomínio e impostos (IPTU ou ITR). 

O gráfico abaixo, com dados da Latin Panel e da revista Exame, mostra como se dividem os gastos das famílias brasileiras (em % do orçamento mensal).

Outros dados da Latin Panel mostram que os casais sem filhos e as pessoas que moram sozinhas possuem maior propensão a gastar (27% dos seus orçamentos mensais) do que os casais com filhos (que gastam, no máximo, 18,5% dos seus orçamentos).

Os casais sem filhos e as pessoas que moram sozinhas são também as que mais poupam no Brasil.

O gráfico abaixo, com dados da mesma pesquisa, mostra o endividamento (números em vermelho) e a porcentagem poupada (em azul) das famílias brasileiras. Os dados se referem às porcentagens da renda disponível (renda familiar menos impostos) destas famílias.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



Produção industrial

 

Leitor, a partir de hoje, divulgarei minha pequena coleção de gráficos.

Quando me for possível, tentarei analisá-los brevemente.

Quando não for, deixarei os gráficos falarem por si mesmos.

Ah, e como o IPEA não divulgará mais suas projeções (será a contenção de gastos públicos defendida por Giambiagi?), disponibilizarei no blog alguns links para instituições que façam projeções e análises de conjuntura (universidades, bancos, consultorias, think tanks, enfim, todo mundo menos o IPEA).

Primeiro gráfico: performance do PIB industrial de março de 2007 a março de 2008.

A variação do PIB industrial de março de 2008 ficou 1,3% acima da produção industrial de março de 2007.

Os reparos nas refinarias da Petrobrás causaram uma retração de 11% no setor petroquímico, com efeitos negativos para todas as cadeias produtivas que estão associadas à atividade petroquímica.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h44
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]