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Cenário Econômico

Microeconomia



Links para dados microeconômicos

 

Abaixo, um conjunto de links para dados microeconômicos.

ABRANET - Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet. Pesquisas sobre provedores de acesso e internet.

ACNielsen - Dados sobre consumo de alimentos, bebidas, serviços etc. Informações sobre mais de 11 mil produtos

ABECS - Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços - Dados sobre gastos com cartões de crédito e  empresas emissoras de cartões de crédito e de débito.

ABPD | Associação Brasileira de Produtores de Disco - Dados sobre a produção fonográfica brasileira (cds, dvds etc.).

ABTA - Associação Brasileira de TV por assinatura -  Dados sobre o setor de TV paga 

ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações - Dados sobre o setor de telefonia fixa e móvel, radiodifusão, TV por assinatura, comunicação multimídia. Tarifas, dados estatísticos, empresas do setor etc .

ANEEL - Agencia Nacional de Energia Elétrica 

ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores

ANP - Agência Nacional do Petróleo

Bolsa de Mercadorias e Futuros

Bovespa

CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento - Dados sobre consumo de produtos agropecuários (carne, frango, arroz, milho, feijão etc.)

Dados Econômicos

DataLinks of the ASA (American Statistical Association) apresenta uma lista de links para dados estatísticos sobre finanças, macroeconomia e microeconomia.

DDCN - Davidson Data Center e Network - banco de dados sobre economias emergentes.

EAN Brasil - dados sobre automação, fibras óticas, e-learning etc.

Econ Data and Links - excelente página mantida por John A. Shaw, da California State University, School of Social Sciences. Os dados são periodicamente atualizados.

EconLinks - Portal especializado na economia norte-americana.

EconoFinance

Economagic - Economic Time Series Page - excelente banco de séries temporais.

EuroStat 

Fenasoft - grande promotora de eventos sobre alta tecnologia no Brasil. Dados sobre produtos e serviços tecnológicos.

Financial Directory and Bookstore

Fortuna

Gartner Group - pesquisas e análises sobre o setor de tecnologia da informação. Dados internacionais sobre produtos, serviços e tendências da TI mundial.

IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social

IPSOS-MARPLAN - dados sobre hábitos do consumidor e sua exposição à TV, rádio, revista, jornal e internet.

IFPI Home Page - dados sobre a produção fonográfica mundial.

Infraero - dados sobre aviação, viagens aéreas etc.

Inomics EconDirectory - Indicadores e Estatísticas - ótima página com dados sobre a economia mundial.

London Stock Exchange

Meio e Mensagem - dados sobre receitas publicitárias geradas pela TV paga, TV aberta, rádio etc.

Milan Stock Exchange

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Moscow Stock Exchange

Nasdaq

New York Stock Exchange (nyse)

OFFSTATS - ótimo sites que reúne links que oferecem dados econômicos e sociais gratuitos.

Organisation for Economic Co-operation and Development (OCDE)

Oslo Stock Exchange

Panama Stock Exchange

Penn World Tables

Planeta Dinheiro

Simonsen Associados - análise de mercado, dados sobre consumo, distribuição, renda, melhores cidades para realizar investimentos etc.

SNIC - Sindicato Nacional da Indústria do Cimento

Statistical Offices are listed in EDIRC - excelente lista com os institutos de estatística governamentais do mundo inteiro.

Statistics and Indicators - página do Yahoo sobre dados estatísticos.

Statistical Data Locators - links para fontes de dados sobre economia internacional, classificados por continente. A página é mantida por Leong-Lee Kim Lian, da NTU Library, em Cingapura.

Statistics Canada

Stockholm Stock Exchange

Target - Dados técnicos, tecnológicos, sobre consumo de produtos, guia de empresas e muito mais.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h24
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Modelo de finanças computacionais

 

Falta pouco para finalizar meu modelo de finanças computacionais.

Ele mostrará o preço justo de 17 das principais ações negociadas na Bovespa.

Sabendo os preços justos destas ações, será possível compará-las com as suas cotações na Bovespa e dizer o quanto elas estão caras ou baratas.

Pretendo divulgar periodicamente os resultados do modelo.

Vantagem de um modelo como este: os seus parâmetros e a sua metodologia serão divulgados aqui no blog.

Com premissas claras e metodologia rigorosa e transparente (o que não existe nas previsões de alguns "chutometristas" do mercado financeiro), o leitor poderá julgar a qualidade dos resultados do modelo.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h41
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Em busca da renda não-meritória

 

Reproduzo abaixo um post ja publicado anteriormente.

É um comentário bastante pertinente sobre o rent-seeking, expressao que, em uma tradução livre para quem nao é economista, pode ser entendida como  "busca pela renda nao-meritória". 

É a busca pelos ganhos advindos da corrupção, do criar dificuldades para vender facilidades etc.

No Brasil, tais ganhos representam tanto dinheiro que recebem várias denominações.

Algumas pejorativas, como "jabaculê" ou "jabá" (pagamento que muitos radialistas recebem para tocar certas músicas).

Outras eufemísticas, como "adiantamento" ou "propina".

Em um clássico trabalho, Anne O. Krueger mostrou que a busca por esta forma de renda não-meritória pode representar perdas consideráveis no PIB de um país. 

Abaixo, segue a transcrição do post mencionado, com uma citação da entrevista de Affonso Celso Pastore no "Conversas com Economistas", 1ª ed, publicado em 1996 pela Editora 34. 

"O Brasil montou uma sociedade de rent-seekers. Quer dizer, todo mundo está seeking some kind of rent. Um processo que, no fundo, desvia o esforço de construção do desenvolvimento econômico de uma maneira altamente perversa. Por exemplo: o sistema bancário brasileiro virou um setor que é absolutamente rent seeker. (...) Há representantes do processo de rent seeking dentro do governo.

Países que se desenvolvem são países que, de alguma forma, conseguiram acabar com esse processo de rent seeking, e os países que ficam estagnados são países que estão presos a isso. Bem, nós estamos estagnados e estamos presos a um gigantesco processo de rent seeking.

(...) A idéia de rent seeking não envolve necessariamente coisas ilegais. Envolve simplesmente maneiras de buscar vantagens de monopólio, vantagens de restrições. O governo introduz fricções, restrições fontes de concentração de mercado, e gera o rent, apropriando-se de ganhos maiores do que a sua produtividade marginal.

Esse processo é muito pouco estudado nas teorias do desenvolvimento. Há uma preocupação com o crescimento, capital humano etc., e isso está fora do jogo. Mas a minha intuição é de que aí tem um campo. Essa é uma área que está voltando a ser importante, pois ela "dormiu". Teve-se um grande arranque na Macro, na teoria dos jogos. Acho que essa área de desenvolvimento está voltando agora a ser mais importante, voltou a crescer, é uma área que vem subindo".



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h12
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Classe Média, Pobreza e Riqueza

 

Do estudo "A Nova Classe Média", de Marcelo Cortes Néri, da FGV/RJ.

A participação da classe média aumentou de 44,19% para 51,89% da população economicamente ativa (PEA).

O autor afirma que o aumento desta participação não ocorreu devido aos programas governamentais de bem-estar, mas graças à vontade da população em obter um emprego com carteira assinada e à iniciativa privada:

“Na verdade, a nova classe média é aquele segmento do meio que cresceu muito nos últimos anos, é aquele grupo emergente que cresceu a partir do próprio trabalho."

"A carteira assinada é o grande símbolo da classe média".

O estudo reconhece o que os dados do IBGE apontam: os indicadores de pobreza e de miséria reduziram-se de 2002 a 2008, devido aos referidos  programas:

"estamos tendo uma boa safra de indicadores sociais nunca antes vista."

Néri afirma que esta melhora do bem-estar social ainda não repercutiu positivamente nos indicadores de produtividade.

"Todo o quadro favorável no que se refere à pobreza não evoluiu ainda para a obtenção de ganhos de produtividade, em face da estabilidade econômica e dos ganhos com os aumentos do salário mínimo."

Também faz um comentário sobre a escassez de trabalhadores qualificados:

"Se antes tínhamos uma crise de desemprego, hoje nós temos um apagão de mão-de-obra, em que não há profissionais qualificados".

O estudo do IPEA, intitulado "Pobreza e Riqueza no Brasil Metropolitano", afirma que a classe média e a parcela dos mais ricos  ficou maior.  

A pesquisa do IPEA está disponível na íntegra.  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h09
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Consumo das famílias

 

Uma pesquisa da Latin Panel  divulgada na edição 923 da revista Exame, mostra o perfil de consumo e poupança das famílias brasileiras.

O que impressiona é a porcentagem dos gastos com alimentação.

Somando os gastos com alimentação dentro e fora das suas residências, as famílias brasileiras gastam 23,9% dos seus orçamentos mensais.

Ou seja, mais do que a soma dos seus gastos com habitação e saúde (20,4%).

Os gastos com habitação são a soma dos gastos com aluguéis, prestações dos imóveis financiados, condomínio e impostos (IPTU ou ITR). 

O gráfico abaixo, com dados da Latin Panel e da revista Exame, mostra como se dividem os gastos das famílias brasileiras (em % do orçamento mensal).

Outros dados da Latin Panel mostram que os casais sem filhos e as pessoas que moram sozinhas possuem maior propensão a gastar (27% dos seus orçamentos mensais) do que os casais com filhos (que gastam, no máximo, 18,5% dos seus orçamentos).

Os casais sem filhos e as pessoas que moram sozinhas são também as que mais poupam no Brasil.

O gráfico abaixo, com dados da mesma pesquisa, mostra o endividamento (números em vermelho) e a porcentagem poupada (em azul) das famílias brasileiras. Os dados se referem às porcentagens da renda disponível (renda familiar menos impostos) destas famílias.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h12
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Produção industrial

 

Leitor, a partir de hoje, divulgarei minha pequena coleção de gráficos.

Quando me for possível, tentarei analisá-los brevemente.

Quando não for, deixarei os gráficos falarem por si mesmos.

Ah, e como o IPEA não divulgará mais suas projeções (será a contenção de gastos públicos defendida por Giambiagi?), disponibilizarei no blog alguns links para instituições que façam projeções e análises de conjuntura (universidades, bancos, consultorias, think tanks, enfim, todo mundo menos o IPEA).

Primeiro gráfico: performance do PIB industrial de março de 2007 a março de 2008.

A variação do PIB industrial de março de 2008 ficou 1,3% acima da produção industrial de março de 2007.

Os reparos nas refinarias da Petrobrás causaram uma retração de 11% no setor petroquímico, com efeitos negativos para todas as cadeias produtivas que estão associadas à atividade petroquímica.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h44
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O futuro do passado II

 

O post abaixo é de 20/01/2006.

Está em "Cenário Econômico", o meu blog anterior.

"Para o leitor interessado em temas microeconômicos vale a pena a leitura do texto “O Jogo dos Sete Mitos e a Miséria da Segurança Pública no Brasil”. Os autores são Daniel Cerqueira, Waldir Lobão e Alexandre de Carvalho, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA).

O textos chega a conclusões óbvias, porém nem de longe triviais, mas dignas da obviedade do bom-senso, ou o óbvio ululante de Nelson Rodrigues (aquele que todo mundo vê, mas ninguém enxerga):

1) Os grandes fatores explicativos da no Brasil são a exclusão e a desigualdade socioeconômica. Eles explicam fortemente o crescimento dos homicídios nos últimos vinte anos;

2) não adianta muito destinar mais recursos ao policiamento, pois os resultados de tal medida não são palpáveis. Policiamento é importante, mas os dados analisados pelos autores refletem mais os efeitos de uma polícia despreparada e obsoleta do que os benefícios do maior gasto com policiamento.

3) resumo da ópera: há necessidade de uma ampla (e rápida, acrescento eu) discussão sobre qual o modelo de policiamento mais eficaz. Analisa-se e discute-se primeiro. Depois, aumenta-se o gasto.

Os autores do artigo defendem que a falta de recursos e a inexistência de tecnologias e métodos eficazes de prevenção e controle do crime não são argumentos consistentes para explicar a altíssima criminalidade brasileira."

De lá para cá, o gasto público com segurança só fez aumentar.

Hoje mesmo o governo anunciou a liberação de R$ 502 milhões para a segurança pública.

O investimento será destinado à construção de penitenciárias para adultos, ao combate ao crime organizado e ao tráfico de pessoas.

Realmente precisamos urgentemente de mais penitenciárias.

Mas, como o trabalho citado sugere, a redução da criminalidade depende mais de capital humano (investigadores, peritos criminais, auditores e policiais qualificados) e de um maior grau de organização da polícia do que de recursos públicos.

O Brasil em várias setores não apresenta escassez de capital físico, financeiro, de recursos naturais e de tecnologia.

Mas em muitos setores (a segurança é apenas um entre tantos outros) o país apresenta elevada escassez de capital humano.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h01
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Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) versus política econômica horizontal?

 

Há um falso debate que contrapõe alguns economistas defensores da política industrial (que tendem a apoiar a atual Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP) e outros economistas que advogam uma política econômica horizontal (que beneficie todos os setores, de forma indistinta).

É o tipo de debate que simplifica uma questão complexa (um erro às vezes pior do que dificultar uma questão simples).

Antes de comentar o assunto, relembro os pontos principais da PDP.

Os três eixos fundamentais da Política de Desenvolvimento Produtivo são:

  • promover a elevação do investimento em 25 setores econômicos considerados como estratégicos e ampliar as exportações;
  • assegurar o posto de potência agrícola do Brasil, bem como a posição favorável nas áreas de aviação civil e de minerção;
  • induzir o crescimento da indústria de biotecnologia e informática.

Como metas, a PDP pretende:

  • fazer crescer a fatia das exportações brasileiras no comércio internacional para 1,25% (atualmente ela se encontra em 1,18%);
  • ampliar em 10% o número de pequenas e médias empresas exportadoras;
  • expandir a despesa com pesquisa tecnológica para 0,65% do PIB até 2010;
  • aumentar a taxa de investimento para 21% do PIB até 2010 (atualmente esta taxa é de 18% do PIB);

É prudente desconfiar destas metas quantitativas de planejamento econômico, ainda que de médio prazo.

Contudo, os eixos definidos pelo governo são bastante coerentes.

Há uma longa discussão sobre a eficácia das políticas industriais.

Sobre o assunto, me recordo de uma resposta que Stiglitz deu à uma pergunt feita por um jornalista brasileiro de uma conceituada revista de negócios.

Isto ocorreu em 1999, cerca de dois anos antes de ele ganhar o Prêmio Nobel (junto com Akerlof e Spence).

O jornalista perguntou se as políticas industriais seriam adequadas ao caso brasileiro.

A resposta de Stiglitz revelou um certo espanto quanto à obviedade da pergunta: "Claro que sim, por que não?".

Alguns economistas que não possuem a vivência da política industrial (o  que posso dizer que possuo) consideram que as chamadas políticas horizontais, que beneficiam todos os setores ao mesmo tempo, seriam mais eficazes do que a definição de setores prioritários para o investimento público.

Em geral, são economistas que percebem o Estado como um rival da atividade privada. São os mesmos economistas que partem da idéia preconcebida de que as decisões do Banco Central sempre contrariam o setor não-financeiro da economia e que, via de regra, reduzem o bem-estar social.  Economistas que preferem discussões ideológicas cuja única finalidade é criar falsas questões e, ao cabo, falsos mitos.

O fato é que uma política industrial que eleja alguns setores-chave não exclui a necessidade de uma política econômica horizontal que melhore a infra-estrutura, reduza a burocracia, aumente a segurança dos contratos, aprimore a educação e, finalmente, melhore o ambiente para os negócios. 

A Coréia, o Japão, a França, a Finlândia, a Suécia e a Alemanha combinaram políticas industriais com políticas econômicas horizontais (sobre o assunto, o leitor pode consultar os livros "Kicking Away the Ladder", de Ha-Joon Chang, e "A Vantagem Competitiva das Nações", de Michael Porter).

Ricardo Haussman, um especialista em política industrial, também adota esta posição.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 01h54
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A PDP e os dois critérios de Haussman

 

Ricardo Haussman é um economista que já foi formulador de política industrial e que hoje leciona em Harvard. Foi ministro da Coordenação e Planejamento da Venezuela no início dos anos 90 e pesquisou profundamente as cadeias produtivas da América Latina.

Cabe uma citação de Haussman, para o qual uma política industrial legítima para o restante da sociedade não diretamente beneficiada por ela é aquela que atende aos seguintes requisitos:

“O primeiro é que  se foque em atividades exportadoras e não em favor de um concorrente específico do mercado interno que indique uma prática protecionista. Além disso, requer certos princípios, como o da arquitetura aberta, no qual o governo tem de estar disposto a falar com a sociedade de acordo a como ela esteja disposta a se organizar e não somente com os grandes grupos, com associações organizadas. Em segundo lugar, o governo tem de melhorar sua participação em áreas de sua responsabilidade como o direito à propriedade , marcos regulatórios, sistemas de certificação, infra-estrutura, política de apoio às universidades etc”.

O PDP prevê cinco medidas que atendem ao,  por assim dizer, “primeiro critério de Haussman”.

Estas cinco medidas são:

·         dilatação dos prazos dos financiamentos concedidos pelo BNDES;

·         aumento dos investimentos do BNDES para 210 bilhões de reais até o ano de 2010;

·         aumento das isenções tributárias para setores estratégicos (valor da isenção: 21 bilhões de reais até 2010);

·         diminuição dos encargos trabalhistas para estimular as empresas exportadoras de softwares;

·         criação do Fundo Soberano do Brasil (que foi comentado em um post anterior).

As cinco medidas não contemplam, todavia, o segundo critério de Haussman,  cuja consecução é muito mais complexa e envolve o lento aprimoramento da eficácia institucional, único caminho para um melhor ambiente para os negócios.

Assim, elas favorecem às empresas dos referidos setores, porém não ajudam a criar um ambiente mais favorável para os negócios das empresas não-pertencentes à eles.

São, portanto, medidas necessárias para a sustentabilidade do crescimento brasileiro.

Mas não são medidas suficientes para garantir esta sustentabilidade, de acordo com os dois critérios definidos por Haussman. 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 01h18
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Reforma Tributária

 

A proposta de Reforma Tributária apresentada por Guido Mantega ao Senado, traz, em si, algumas vantagens e fragilidades.

As vantagens:

  • O endividamento público está controlado, os juros básicos estão relativamente baixos, as contas externas apresentam-se robustas e a receita bate recordes de arrecadação. Portanto, a conjuntura macroeconômica é favorável para o debate sobre a reforma; 
  • o texto da proposta acena com uma uma simplificação da estrutura tributária e fala em maior racionalidade na arrecadação de tributos.
  • a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que ecoa a voz do empresariado  produtivo nacional, apóia o agrupamento do PIS, Cofins e Cide em um único tributo: o IVA (imposto sobre valor adicionado).
  • a CNI também concorda com a criação do novo ICMS que, pelo texto, seria transformado em um imposto sobre valor adicionado estadual. Este IVA estadual seria cobrado nos estados consumidores. Hoje, o ICMS é cobrado nos estados produtores, um total contra-senso tributário.

As fragilidades:

  • A proposta não menciona nenhuma medida que reduza a elevada carga tributária de 38% do PIB;
  • ela também admite a coexistência de dois tributos (ICMS e IVA) que incidem sobre o consumo;
  • não equaciona uma medida capaz de reduzir o custo da mão-de-obra por meio da redução dos encargos salariais;
  • não prevê nenhum tipo de dilatação de prazos de recolhimento de tributos;
  • não discute qual será a alíquota do futuro IVA. É provável que o governo tenda a compensar a perda de receita decorrente da extinção da PIS, do Cofins e da Cide com uma alíquota salgada do IVA;
  • há pouco tempo hábil para a negociação da reforma no Congresso. Teremos eleições em outubro e a mobilização eleitoral se intensificará a partir de maio.
  • o ambiente congressual, com cinco CPIs em funcionamento, não é dos melhores.

Ainda assim, o mérito de simplificar o sistema tributário faz com que esta proposta mereça ser discutida e votada pelo Congresso.

Ela não é certamente a melhor reforma que poderíamos ter.

Contudo, para usar uma linguagem econômica, ela poderia ser uma escolha de "second best" importantíssima para o país. 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 16h50
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Boa notícia para o setor aéreo

 

   A possível abertura do capital da Infraero é uma ótima medida para dar eficiência a esta instituição.

A notícia, reproduzida do site da Folha OnLine, é a seguinte: 

"06/03/2008 - 21h03

   Jobim fecha convênio com BNDES visando a abertura de capital da Infraero

LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

 O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse na noite desta quinta-feira, no Rio, que fechou uma parceria com o BNDES (Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social) para um plano de reestruturação da Infraero --estatal que administra os aeroportos do país-- que permitirá uma possível abertura de capital da estatal.

Segundo Jobim, que se reuniu com o presidente do banco, Luciano Coutinho, o BNDES vai elaborar um diagnóstico para reestruturar a Infraero e contratar uma consultoria internacional para um levantamento sobre o controle do espaço aéreo brasileiro.

De acordo com o ministro, o governo estuda a possibilidade de abrir cerca de 40% do capital da Infraero à iniciativa privada. Ele frisou que, independentemente da abertura do capital, a reestruturação da estatal "é necessária para que ela possa oferecer um infra-estrutura aeroportuária compatível com o aumento da demanda nos aeroportos do país."

 

Com esta medida, A estrutura de incentivos desta instituição poderá ser finalmente remodelada com ganhos para a eficiência dos serviços aeroportuários prestados no Brasil.

O convênio com o BNDES permitirá que a reestruturação da Infraero conte com a expertise de um banco que coordenou vários processos importantes de fusão, aquisição, privatização e reestruturação de empresas, além de consolidar muitos setores econômicos do país.

Caberá agora, contudo, definir um marco regulatório capaz de induzir investimentos na Infraero.

Proponho ao leitor uma analogia com o caso da liquidação da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA),  no final de 1999.

Em 1996, a concessão do governo à iniciativa privada da  malha ferroviária de 22 mil km de linhas por 30 anos, estabeleceu metas de modernização e expansão desta malha e de aumento do volume transportado.  

O problema foi que não se criou um marco regulatório capaz de incentivar o investimento privado nas ferrrovias brasileiras.

Há empresas ferroviárias muito capitalizadas que gostariam de expandir suas malhas, porém encontram dificuldades legais para atingir estel objetivo.

Espera-se que, no futuro, a Infraero não esbarre neste mesmo tipo de dificuldade para construir e operar os aeroportos necessários para o bom funcionamento do transporte aéreo. 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h57
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Becker, o Brasil e a Educação


"É preciso ter claro que há riscos com os quais todo país em desenvolvimento tem de se confrontar por não obter um bom desempenho em seu sistema educacional. No Brasil, não sei quão sérios serão"

Autor: Gary S. Becker

Buscar na Web "Gary S. Becker"

Em uma entrevista à revista Exame, para a repórter Nely Caixeta.

 

Gary Stanley Becker (1930 - )



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h19
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Fulanos x Beltranos

Antigamente, quando se queria elogiar a competência de alguém, dizia-se: fulano é ótimo, competente, eficiente etc.

Hoje se diz: fulano não é um picareta.

Quer dizer, quando entre os beltranos domina a picaretagem, o fulano que não é picareta é rei.

O problema é que nivelamos os fulanos não-picaretas por baixo e simplesmente não conseguimos identificar muito bem quem entre estes fulanos merece o reconhecimento devido.

É o problema clássico descrito na literatura microeconômica como o mercado dos abacaxis (tradução livre de "lemmon market" descrito no artigo "The market for lemmons", cujo autor é George Akerlof).

Este tem sido um problema grave nas seleções de profissionais nos mercados de trabalho do Brasil. 

Mas este problema ficará realmente evidente quando tivermos que assistir ao horário eleitoral gratuito  (um dos habitats preferidos dos  beltranos) no segundo semestre deste ano.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h03
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