Finanças comportamentais


 
 

Crise moral

 

 

“Aqueles que acreditam que a democracia liberal e o livre mercado podem ser defendidos apenas pela força da lei e da regulação, sem um senso internalizado de dever e moralidade, estão tragicamente errados.”

Lord Jonathan Henry Sacks (nascido em 1948), rabino inglês.

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h31
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A Economia dos incentivos

 

 

"A maior parte da Economia pode ser sintetizada em quatro palavras: 'As pessoas respondem aos incentivos'. Tudo o mais são apenas comentários". 

Steven Landsburg (nascido em 1954), economista norte-americano, professor na University of Rochester, em Rochester, New York.

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h28
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Instituições eficientes e custos baixos de produção

 

“Os países que contaram com instituições fortes, especialmente os que souberam ter um custo baixo de produção em suas economias, estão em situação cada vez melhor".

Autor: Douglass C. North - prêmio Nobel de Economia de 1993.

Quando: Dezembro de 1997, em entrevista à Revista da Bovespa.

Douglass C. North



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h33
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A Justiça deve equilibrar mérito e necessidades

 

 

A queda do Edifício Liberdade, o mensalão, os escândalos de corrupção em ministérios, os grampos no Supremo Tribunal Federal, a proliferação de dossiês, o hábito generalizado de acusar sem provas, tudo isto coloca uma velha e importante questão sob debate: a impunidade.

Não sou jurista para emitir uma opinião abalizada sobre a eficiência do poder judiciário, mas basta ser cidadão para perceber o grave clima de impunidade que reina no país.

Há uma área que cresce em importância no país: a análise microeconômica do Direito ou "law and economics". A preocupação com a eficiência das instituições é uma característica da Microeconomia (o leitor interessado pode consultar os trabalhos clássicos de Douglass North e Ronald Coase).

Abaixo, sobre o assunto, reproduzo um trecho do poema do economista Kenneth Boulding, que citei em um post passado aqui no blog.

Reproduzo o original em inglês e uma tradução minha para o português.

A propósito, estes poemas estão no livro "Principles of Economic Policy", quarta edição, de 1964, Editora Prentice Hall.

No Brasil este livro foi publicado em 1967 pela editora Mestre Jou.

 

"Democracies can not afford 

To let injustice be ignored 

Though it might cause them some surprise 

To find just where injustice lies 

We know less clearly what is meant

By Justice than by Discontent

And so the search for Justice leads 

To balancing Desert with Needs."

 

 

Minha tradução livre do poema (diferente da tradução original de Luiz Aparecido Caruso):

 

Democracias não podem se dar ao luxo

De ignorar a injustiça,

Embora elas possam se surpreender

Ao conhecerem sua real morada. 

Sabemos menos o que é a Justiça do que é a Insatisfação  

E assim a busca da Justiça leva

Ao equilíbrio entre Mérito e Necessidades.

 

Pelo poema de Boulding, conclui-se:  uma democracia sem sistema jurídico que equilibre mérito e necessidades não pode ser chamada de democracia.

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 16h17
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Economia da corrupção: alguns pontos para reflexão

 

A prática da corrupção no país atingiu um nível intolerável para pessoas de bem.  Não sou um especialista sobre o tema, como é Andre Carraro, professor da UFPel. Nesse sentido,  faço aqui algumas breves reflexões no intuito de contribuir para o debate.

Em primeiro lugar, o diagnóstico do problema: a  corrupção é causa ou efeito da impunidade?

Se o leitor concordar que é efeito, há de concordar também que o debate nacional sobre o tema está fora de foco, pois deveríamos combater a causa  e não o efeito.

Assim, desta constatação, um questionamento emerge: quais os fatores determinantes da impunidade?

No caso específico da corrupção, a impunidade está associada à dificuldade de se obterem provas e à consequente facilidade de um corrupto ou corruptor escapar ileso da condenação pelo seu crime.

Para haver um corrupto é preciso haver um corruptor. Se alguém recebe dinheiro ou vantagens ilícitas, é preciso que outro lhes conceda tais "benesses". Assim, a relação bilateral entre corruptos e corruptores os leva a uma cumplicidade imediata. Corruptos não denunciarão seus corruptores e vice-versa. Pode até ocorrer, na hipótese de o crime lançar suspeitas para os cúmplices, uma espécie de mútua proteção, dado que, se houver delação premiada, a punição do corrupto pode acarretar a denúncia do seu corruptor.

Além destes dois incentivos à prática da corrupção (dificuldade na sua comprovação e necessidade de que este crime seja feito em grupos – no mínimo dois comparsas) há o fato de que ela é rentável. Envolve grandes somas e, além disso, o país convive com carga tributária elevada (fenômeno associado aos altos níveis de sonegação de tributos) e trâmites burocráticos que a estimulam.  Surge como consequencia destes fatores o estímulo para a formação de quadrilhas e de grupos criminosos interessados e articulados para a obtenção de vantagens e rendimentos ilícitos à custa de cidadãos honestos. 

Outro problema é que a corrupção não se encontra somente na esfera pública. São também são comuns casos de corrupção em empresas privadas. Muitas vezes estes casos envolvem empresas e instituições públicas. Várias  empresas privadas, ONGS e partidos políticos sobrevivem graças ao caixa dois e à prática de fraudes contábeis.  Vários  empresários que se beneficiam do caixa dois de segunda à sexta, vão às passeatas anti-corrupção nos finais de semana. Reclamam dos políticos que vão discursar contra a corrupção no  palanque, de segunda à sexta e vão organizar meios de aumentar a arrecadação do caixa dois do partido nos finais de semana.

Como coibir a prática de caixa dois e a sonegação tributária? Eis uma questão que mereceria um cuidadoso debate e uma extensa análise por parte da sociedade brasileira...

Como denunciar um corrupto se o potencial delator sabe que até para um promotor público é difícil  provar o crime de corrupção?

Como denunciar crimes de corrupção se até mesmo a imprensa teme ser cerceada em sua liberdade por causa da denúncia de tais práticas?

Advogados, juristas, promotores, economistas e sociólogos encontram dificuldades para equacionar, em termos práticos, tais questionamentos.

A teoria microeconômica, contudo, as resolve facilmente em termos teóricos.

A economia da informação assimétrica recomenda o aumento da transparência das informações contábeis e fiscais nas três esferas do setor público. Talvez esta seja a única coisa a se fazer para reduzir, no curto prazo, o nível de corrupção no país: a criação de leis que aumentem o grau de transparência dos atos e fatos contábeis referentes ao governo. A maior circulação de tais informações permite aumentar o custo do crime, uma vez que facilita a obtenção de provas para a condenação dos corruptos e corruptores.

Por outro lado, a teoria da política econômica recomendaria a identificação de lideranças políticas comprometidas com a aprovação de novas leis que aumentem a transparência nas informações contábeis dos governos federal, estaduais e municipais como um passo vital a ser dado.

Estas lideranças, pasme o leitor, existem. Porém, por falta de articulação entre imprensa,  sociedade civil, instituições dedicadas a este tema (entre as quais a Transparência Brasil e o site Contas Abertas), o Poder Judiciário e os partidos políticos, a existência de tais lideranças não se traduz em ações que aumentem a transparência.

Aí está a raiz do problema: a indignação não se traduz em ações efetivas porque “a probidade não tem cúmplices”, como diria Millôr Fernandes.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h15
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Instituições eficazes + custos baixos de produção = competitividade

 

“Os países que contaram com instituições fortes, especialmente os que souberam ter um custo baixo de produção em suas economias, estão em situação cada vez melhor"


Autor: Douglass North - prêmio Nobel de Economia de 1993

Quando: Dezembro de 1997


 

 

Douglass North


 

 

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 16h21
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Diamond, Mortensen e Pissarides

 

Segunda-feira passada, dois norte-americanos e um cipriota-britânico foram agraciados com o Prêmio Nobel de Economia.

São eles, respectivamente, Peter A. Diamond (Massachussets Institute of Technology), Dale Mortensen (Northwestern University) e Christopher Pissarides (London School of Economic and Political Science).

O prêmio foi concedido pelas suas contribuições na análise de mercados com fricções decorrentes dos custos da busca por recursos produtivos (trabalho, capital, recursos naturais etc.).

O link da Real Academia Sueca de Ciências é este.

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h11
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Daniel Kahneman e a felicidade

 

 

Daniel Kahneman,  Nobel em Economia de 2002, mostra que indivíduos que ganham acima de  R$ 6.800, 00 ficam mais próximos da felicidade.

No Brasil?

Não, nos EUA.

Conforme a renda do indivíduo aumenta de R$ 6.800, ele progressivamente eleva seus níveis de bem-estar até ela atingir um máximo (quando sua renda chega a R$ 11.000,00).

Uma renda mensal acima de R$ 11.000, 00 começa a trazer - em termos de satisfação adicional -  menor bem-estar para quem a possui.

Em terminologia econômica: a utilidade marginal de cada real passa a ser decrescente.

Assim, com uma renda mensal de R$ 11.000,00 , considerando a estrutura média de preços relativos dos Estados Unidos, um indivíduo atinge o máximo de sua felicidade.

Convém ressaltar que há grande diferença entre morar em Nova York e em Chicago, por exemplo. A segunda cidade possui custo de vida bem menor do que a primeira. Assim, penso que não seria insensato utilizar como aproximação (proxy) estes rendimentos mensais sugeridos por Kahnemann para inferir algo sobre a felicidade de cidades grandes e médias do Brasil. 

Creio que estas estimativas ficariam próximas de uma de  "rendimento maximizador de bem-estar" para uma grande cidade brasileira, como São Paulo.

Para cidades médias (como Pelotas, Maringá, Campina Grande,  Sorocaba etc. ) esta estimativa seria mais baixa do que R$ 11.000,00.

O vídeo com a análise de Kahneman está aqui.

O blog Marginal Revolution também escreveu sobre o assunto.

Abaixo o quadro-resumo que a Folha-Ciência fez para apontar os fatores principais da felicidade:

 

A seguir o gráfico explicativo do raciocínio exposto:

 




Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 14h00
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O futuro do passado: importância das UPPs

 

 

A implantação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora)  vieram confirmar um diagnóstico antigo de vários sociólogos e economistas sobre a criminalidade no Rio de Janeiro.

 

 

Em 20 de setembro de 2007, quase três anos atrás, escrevi um post que procurava, por meio de uma frase de Millôr Fernandes, demonstrar a importância do fator geográfico e da tão discutida "ausência do Estado" em muitos bairros e favelas cariocas como elementos importantes na  discussão do problema.

 

 

Transcrevo o post, na íntegra:

 

"Uma das principais conclusões a que chegaram os sociólogos, juristas e economistas na análise do crime pode ser resumida em uma frase:

 

"O problema é que o crime está em toda esquina e a justiça mora longe".

 

É verdade.

 

Sobretudo para regiões com ocupação espacial desordenada e alto nível de desigualdade de renda. Caso do Rio de Janeiro.

 

O Brasil ainda possui pensadores admiráveis.

 

Um deles é Millôr Fernandes, autor da frase e filho mais ilustre do Méier."

 

Não fiz mais do que repetir uma constatação bastante comum que muitos estudiosos já tinham feito .

 

 

É que eu li há uns  22 anos atrás,  nas páginas do jornal O Globo, uma entrevista com um especialista em criminalidade urbana da Scotland Yard.

 

 

Um repórter sobrevoou de helicóptero a cidade do Rio de Janeiro com  ele, que, após observar tudo e ouvir as explanações de muitos policiais e investigadores cariocas, atestou que o relevo da cidade e a localização das favelas nos morros cariocas piorava muito a situação.

 

 

Finalizou sua análise com uma pergunta de uma lógica desconcertante:

 

 

- Por que vocês não possuem delegacias nas favelas?

 

 

A iniciativa das UPPs surgiu, como todo carioca sabe, com muito mais de 20 anos de atraso.

 

Subdesenvolvimento, como bem dizia Nelson Rodrigues, não se improvisa. 

 

É obra de séculos...

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h42
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Capitalização da Petrobrás

 

O plano de capitalização da Petrobrás  caminha para uma solução paliativa (mais política e menos técnica). 

Não há consenso no governo Lula sobre a melhor forma de se implementar o cronograma de investimentos elaborado pela Petrobrás: são US$ 224 bilhões ao longo de cinco anos. O Tesouro Nacional, detentor de 32% do capital acionário da estatal não possui capacidade financeira para subscrever sua parte neste processo de aumento de capital. Por isso, ele optou por fazer uma cessão onerosa. Este mecanismo prevê que o  Tesouro transfira para a Petrobrás boa parte de suas reservas submersas de petróleo. Em  troca, o Tesouro poderá receber da estatal 5 bilhões de barris de petróleo.  Estes barris seriam o lastro de uma enorme emissão de títulos públicos feita pelo Tesouro. A dívida seria paga pela Petrobrás ao longo dos próximos anos, à medida em que petróleo fosse produzido.  Este procedimento foi pensado como uma forma de contornar o impedimento legal de o Tesouro aumentar capital sem a permissão dos demais acionistas.  

Mas resta um problema crucial: como fazer o valuation destes 5 bilhões de barris? Como precificar corretamente o preço dos barris de petróleo?

As avaliações da Petrobrás apontam para um preço por barril de 159 litros que equivale a 50% do preço avaliado pela certificadora estrangeira Gaffney, Cline & Associates. Esta empresa foi contratada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Para a certificadora, o barril custaria de US$ 10 a US$ 12. Para a Petrobrás, ele custaria de US$ 5 a US$ 6.

Se o preço definido pela Petrobrás vingar, o Tesouro Nacional terá que fazer um aporte de cerca de US$ 25 bilhões, com os acionistas minoritários arcando com o aumento de capital restante (US$ 50 bilhões). Mas se o preço da certificadora estrangeira for adotado, o Tesouro Nacional terá que aportar cerca de US$ 50 bilhões e os acionistas minoritários entrarão com US$ 100 bilhões.

Resumo da opereta: existe um impasse grande sobre uma questão técnica decisiva.

A Petrobrás já pensa em resolver primeiro as questões técnicas mais urgentes e  adiar os detalhes do processo de cessão onerosa para depois das eleições. Enquanto isso, o  Tesouro emitiria títulos para subscrever sua parte (estimada em cerca de US$ 20 bilhões) e os minoritários aportariam cerca de US$ 40 bilhões.

Este seria seu plano B.

O ônus, neste caso, é que o governo aproveitaria o ciclo político para aumentar a sua dívida bruta, deixando a conta para ser paga pelos próximo(a)s  presidentes.

O bônus seria o fato de o megaprojeto de investimento da Petrobrás não continuar em compasso de espera.

Uma reunião foi feita no último dia 19 de agosto entre o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, o presidente Lula, o ministro da Fazenda Guido Mantega e o ministro das Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Nesta data, não se decidiu nada de relevante sobre o assunto. Mas outras reuniões serão feitas e a Petrobrás fixou um prazo limite para apresentar uma solução: 30 de setembro. 

Esta data é estratégica, pois:

  • antecede o período entre o primeiro e o segundo turno das eleições, no qual não seria adequado fazer uma oferta pública de ações;
  • a empresa não pode legalmente recorrer ao mercado à vista de ações no mês de novembro, pois anunciará seus resultados do terceiro trimestre; e
  • dezembro não é época propícia para fazer operações de grande porte.  

O governo terá que decidir o futuro da maior empresa da América Latina e do setor energético brasileiro a toque de caixa. 

Tudo indica que optará por uma solução não ideal do ponto de vista técnico, mas viável do ponto de vista político.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 18h00
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O que a Lei de Say tem a ver com o noticiário?

 

Praticamente nada.

A produção de notícias pela imprensa, ao contrário de alguns outros poucos setores, sempre foi orientada pela demanda (demand following) e não pela oferta (supply leading).  

Há anos atrás as mais respeitáveis revistas e jornais de grande circulação noticiariam com muita reserva casos policiais como os assassinatos cometidos pelo goleiro Bruno e pelos pais da menina Isabela Nardoni . Quando abordavam assuntos deste tipo, apresentavam no máximo uma visão menos óbvia sobre estes casos.

Agora, estes jornais e revistas dedicam extensos artigos sobre temas de impacto midiático. 

O  que explica isto?

O número de veículos noticiosos aumentou exponencialmente (primeiro com os canais de TV a cabo, depois com a Internet e, finalmente, com os blogs, além do Twitter, Facebook, RSS e de outras ferramentas que tornaram a informação uma commoditty).

O mercado ficou extremamente segmentado, competitivo e o perfil da demanda por notícias se alterou bastante.

Os custos de se produzir, consumir e veicular notícias caíram muito com a evolução tecnológica.  

Estes fatores levaram  a uma certa estagnação do mercado de jornais impressos (o número de exemplares vendidos de jornais impressos permanece praticamente o mesmo há algumas décadas). É notável também a piora da qualidade destes jornais e também das principais revistas neste mesmo período.

A overdose de notícias "impactantes" - a maior delas sem um mínimo de reflexão - é ditada por uma demanda que lê notícias mais para ter algum assunto para conversar do que para buscar informações úteis. 

Os inúmeros veículos de informação conhecem profundamente seus consumidores e sabem que a grande maioria das pessoas não demandam informações que os levem à reflexão, mas possuem uma preferência revelada pelo espetáculo da notícia.

Ficou para a antologia do jornalismo a imagem utilizada, há poucos anos atrás, por William Bonner sobre o perfil mediano do espectador do seu Jornal Nacional:  ele usou o personagem Romer Simpson como metáfora. 

Nada contra a indústria da notícia pautada pelo sensacionalismo e pelo espetáculo. Ela é a prova de que atender a uma demanda movida pelo interesse de uma leitura rápida e descompromissada pode ser algo muito lucrativo e gerar empregos e renda (vícios privados, benefícios públicos, escreveu Mandeville).

Mas Millôr Fernandes tem razão quando afirma que:

1)  o mundo real é muito melhor do que pinta o Jornal Nacional;

2)  ler livros ajuda a entender o 1% de programas televisivos e os 5% de contéudo da Internet que valem pelos 99% e 95% dos seus respectivos lixos culturais restantes.

No mais, a evolução tecnológica promete baratear ainda mais o acesso a livros digitais nos próximos anos (o advento do Kindle e de outros gadgets similares prometem impactar fortemente a produtividade do setor editorial).

Se as políticas educacionais ajudarem, as futuras gerações de brasileiros não terão mais desculpas para lerem pouco.

Aproveito para agradecer os meus  leitores e dizer que ficarei um tempo sem postar (aqui e no blog acadêmico "Theoria et Oeconomia").

Estou em final de semestre na UFPel, tenho avaliações para corrigir e trabalhos de pesquisa para finalizar. 

Voltarei a postar a partir da segunda quinzena de setembro, quando planejo algumas novidades para o blog.   



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h24
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Incerteza, risco e economia da informação

 

Direto do blog Theoria et Oeconomia:  dica para quem gosta da literatura sobre o tema: lecture notes sobre incerteza, risco e economia da informação de Ola Andersson, Anders Borglin e Erik Wengström, do Departamento de Economia da Universidade de Lund.



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 10h53
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Irresponsabilidade fiscal

 

"Esta é a noite da irresponsabilidade fiscal. Como se acaba com o fator sem calcular quanto isso custa? Não tem cabimento”

Autor: Deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP)

Data: 4/5/2010

 



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h12
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Perguntas para os congressistas

 

Pelo que li até agora sobre as propostas do novo marco regulatório do petróleo, existem certas questões que mereceriam um debate maior pelos deputados, senadores e estudiosos do tema. 

O objetivo das perguntas abaixo é mostrar ao leitor que a discussão sobre a legislação do petróleo mereceria mais reflexão e menos polticagem: 

1) o que há de tão errado no atual regime de concessão para que ele seja substituído pelo regime de partilha?

2) se os defensores do regime de partilha argumentam que o risco de exploração da camada do pré-sal é menor do que o da exploração de outras áreas, por que não elevar o montante de participações especiais que poderão ser recebidas pelo Tesouro Nacional para que se corrija a relações intertemporais entre riscos e retornos (públicos e privados) envolvidas nos projetos de exploração do pré-sal?

3) do ponto de vista de minimização de custos de rent-seeking e de aumento do potencial de obtenção de capital de risco, o regime de concessão não é claramente superior ao regime de partilha?

4) qual o mecanismo viável do ponto de vista jurídico e econômico para transferir 5 milhões de barris de petróleo, sem licitação, da União para a Petrobrás?

5) qual o risco de se empreender a maior oferta pública inicial de ações (IPO) da história do capitalismo (US$ 60 bilhões)? A Lei de Say, neste caso,  funcionará?  Haverá demanda para uma IPO desta magnitude?    

5)  por que existe a necessidade de uma nova empresa estatal para gerir os recursos do pré-sal?

6)  por que ignorar os benefícios do arcabouço institucional já existente que prevê que uma agência reguladora (a ANP) seja o contraponto técnico e jurídico de um setor dominado por uma  megaempresa como a Petrobrás?

7) por que este projeto que tramita no Congresso prevê que todos os consórcios contratados para explorarem os recursos do pré-sal necessitem ter uma participação mínima de 30% da Petrobrás? Se a Petrobrás precisa ter esta participação para possuir escala de produção capaz de efetuar aquisições vultosas de equipamentos, sondas e outros bens de capital, não seria melhor, do ponto de vista da diversificação de risco, manter o atual regime de concessões? O atual regime de partilha não irá aumentar muito a dependência  que a política energética do país tem em relação à Petrobrás?

7) se o Congresso não conseguiu responder a estas questões até agora (e já levou um ano discutindo) como irá fazer isto em regime de urgência (90 dias, 45 para o Senado e mais 45 para a Câmara)?

Com a palavra, os congressistas.  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 00h34
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Em vez de ressuscitar a Telebrás é melhor ouvir Armínio Fraga

 

Do jornal Brasil Econômico, a reportagem de Rodrigo Viga Gaier, da Agência Reuters:

" Fraga: Estado é fundamental em áreas de baixo retorno privado

(...) Para Fraga - que presidiu o Banco Central no segundo governo do tucano Fernando Henrique Cardoso-, o Estado tem um papel importante para empurrar a economia para níveis de crescimento mais elevados e "é fundamental" em áreas como infraestrutura.

"São áreas em que o investimento privado nem sempre tem retorno igual ao retorno social do governo", disse Fraga, presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa, ao citar setores estratégicos como saneamento, distribuição de água, energia e transporte.

Fraga, no entanto, apontou o peso fiscal como uma limitação para o incremento nos investimentos estatais.

"O nosso orçamento é muito grande e pesado em despesas correntes. Devemos ter mais espaço para os investimentos", defendeu Fraga."

Leia a reportagem completa no Jornal Brasil Econômico.

Aí eu pergunto: faltam investimentos no setor de telefonia a ponto de justificar uma nova Telebrás?

Os retornos privados dos investimentos em telefonia têm sido altos, do contrário como o setor tem se mostrado lucrativo desde a privatização da Telebrás?

E se tivéssemos um marco regulatório crível e com agências regulatórias eficazes no setor de telefonia?

Faltariam investimentos em banda larga?

Esta questão não deveria ser analisada antes de se pensar em ressuscitar uma estatal e torrar dinheiro público?

Leitor, no Brasil, as únicas políticas econômicas críveis são a monetária, a cambial e a fiscal (nesta ordem decrescente de eficácia, a meu ver).

Não chegamos ainda ao amadurecimento institucional capaz de assegurar políticas mesoeconômicas eficazes.

Quero dizer que ainda falta muito para possuírmos boas  instituições que cuidem dos setores de infra-estrutura (energia, saneamento, transportes, telefonia etc.).

E onde faltam boas políticas públicas, sobra politicagem.  



Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 18h44
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