Henrique Meirelles e as lições do Brasil

 

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, falou na audiência pública da Comissão de Orçamento do Congresso Nacional.

Afirmou que o Brasil deu lição na crise.

Meirelles - a quem a história creditará uma considerável parte dos louros da popularidade  do presidente Lula e da consolidação da estabilidade macroeconômica do Brasil - está certo em suas colocações.

Meirelles não pratica o ufanismo econômico que caracteriza as falas de Lula,  mas simplesmente reafirma o que os principais banqueiros centrais e estudiosos de Economia Monetária do planeta já disseram : a conduta do Banco Central brasileiro foi exemplar durante a crise internacional.   

O vídeo, do site UOL Economia, segue abaixo: 

 



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h28
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Um piso para a taxa Selic e uma jaboticaba para o regime de metas de inflação

 

O Brasil está criando um piso informal para a taxa Selic.

Se o projeto sobre a tributação da caderneta passar no Congresso, a taxa Selic não cairá tão cedo para qualquer valor abaixo de 7% (ver post abaixo).

Atualmente a taxa Selic está em 8,75% ao ano.

O mercado financeiro espera que ela fique neste patamar até o final do ano, pelo menos. 

Isto se não subir até o início do ano que vem (a depender do vigor da retomada do PIB no quarto trimestre e do comportamento da inflação esperada).

O que dirá agora o pessoal que falava, há alguns poucos anos atrás, que vivíamos em um país de rentistas?

Viveríamos agora uma institucionalização do  pequeno rentista, com a criação de um piso informal para a taxa Selic de 7% ao ano? 

Digamos que, a título de exemplo, no futuro o país venha a ter uma deflação de 1% ao ano.

Os juros reais ficariam em 8% ao ano (pois o piso da Selic será de 7% ao ano).

Provavelmente continuaríamos a ter uma taxa básica de juros entre as maiores do mundo (e, pior,  institucionalizadas informalmente pela jaboticaba do piso da Selic).

Imaginem o Banco Central solicitando ao Ministério da Fazenda uma nova revisão das regras da poupança para fazer a Selic cair...

O piso informal da Selic é, na prática, a criação de uma jaboticaba institucional para o regime de metas de inflação.

Já vimos, com a extinção da CPMF (tem gente que tem saudade..) o quanto custa eliminar uma jaboticaba institucional. 

Se o governo queria incentivar as aplicações em fundos de investimento e não podia reduzir os tributos sobre a indústria de fundos, por que não extinguiu a fórmula do cálculo da TR que baliza o rendimento da caderneta de poupança?

Seria uma mudança simples, correta do ponto de vista dos incentivos de mercado e sem o ônus de perda de receita tributária.

O Brasil não aprende a viver sob regras de mercado e o aplicador brasileiro acostumou-se à renda fixa (o que implica em odiar correr riscos para obter um rendimento maior em aplicações de renda variável).

Juro bom é juro baixo e regulado pelas regras de mercado.

Em países desenvolvidos não existem aplicações com remunerações subsidiadas pelo governo.

As novas regras da caderneta de poupança fazem dela uma aplicação sem risco e subsidiada para pequenos poupadores.

Estas regras institucionalizam a aversão ao risco, desincentivam os investimentos em bolsa de valores e manifestam o desapreço governamental pelas regras de mercado.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h55
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Tributo maior sobre a caderneta

 

Da reportagem de Renata Veríssimo da Agência Estado:

"O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta terça-feira, 15, que a alíquota do Imposto de Renda (IR) que incidirá sobre os rendimentos das cadernetas de poupança que excederem a R$ 50 mil será de 22,5%. Mantega disse que a tributação ocorrerá no momento do saque e deu como exemplo uma caderneta de poupança no valor de R$ 52 mil, na qual o rendimento dos R$ 2 mil (valor que excede os R$ 50 mil) é que será taxado em 22,5%.

O ministro disse que o governo desistiu de reduzir a tributação sobre os fundos de renda fixa este ano. Segundo ele, não haverá necessidade, porque o mercado ficou estável e não houve migração das aplicações dos fundos de investimentos para a poupança. De acordo com Mantega, o anúncio dessas medidas em maio levou a uma redução das taxas de administração cobradas nos fundos.

Mantega disse ainda que o projeto de lei que taxa a caderneta de poupança deve ir para o Congresso nesta semana. "É só uma questão de oportunidade", afirmou o ministro, garantido que os pequenos poupadores não serão tributados. Se a proposta for aprovada pelos parlamentares, a nova tributação passa a valer em 1º de janeiro de 2010."



Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h27
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O futuro do passado: o besteirol da caderneta

 

Escrevi um  post em 17 de maio deste ano cujo título era "Como fazer média com a poupança e congelar uma jaboticaba?".

Dizia que não fazia sentido o governo discriminar os grandes aplicadores dos pequenos aplicadores da caderneta de poupança.

Fiz algumas perguntas (grifadas no texto abaixo) que, com a possibilidade de aumento da tributação sobre a caderneta de poupança, voltaram a fazer todo o sentido.

O governo faz populismo financeiro com a caderneta de poupança em vez de possibilitar a todos a perspectiva de uma taxa Selic realmente baixa.

“Com as alterações nas regras da poupança, as contas que possuem saldo maior do que R$ 50 mil pagarão imposto de renda sobre os rendimentos a partir de 1º de janeiro de 2010.

 Nada muda para quem possui uma conta com menor valor do que esta.

 Nada muda também com o cálculo da TR, taxa que remunera os depósitos em poupança.

 Como a tributação inicia-se em 1º de janeiro de 2010, o contribuinte e aplicador da caderneta só pagará o IR em 2011.

 As alíquotas do IR sobre as aplicações de renda fixa (CDBs, fundos de investimento e títulos públicos) poderão ser reduzidas dos atuais  22, 5%, em alguns casos, para 15%, até o fim deste ano.

 A perda do rendimento para quem possui mais de R$ 50 mil (cerca de 894 mil aplicadores em contas de poupança) poderá atingir 2 pontos porcentuais. A mudança torna os fundos de investimento em renda fixa menos desinteressantes. Poderá interromper a migração dos recursos dos fundos de investimento para as cadernetas de poupança.

 Estes são os fatos.

 Contudo, por que o governo manteve a isenção tributária para quem possui menos do que R$ 50 mil?

 Simplesmente para evitar o desgate político em período eleitoral (o ano de 2010, no qual as novas regras passarão a vigorar).

 Por que defendeu a indústria de fundos de investimento da competição com a caderneta de poupança?

 Para evitar a escassez de recursos emprestáveis para as empresas (financeiras e não-financeiras) e para o próprio governo. Afinal, servem para isso os fundos de renda fixa, a despeito das altas taxas de administração e performance que cobram.

 O governo justificou as medidas afirmando que os juros agora podem cair para até 7% ao ano. Atualmente, a Selic estã em 10,25% ao ano e, para o final de 2009, o mercado espera um patamar de 9,25% ao ano.

 Mas por que o rendimento para quem possui menos de R$ 50 mil na caderneta, ficará mantido em 6,17% ao ano?

 Por que criar um piso "artificial" para a taxa real de juros com a alegação de que a poupança possui finalidade social?

 Por que adiar a extinção deste piso e a possibilidade de reduzir a taxa Selic para um nível menor do que 7% ao ano?

 Por que fazer com que o rendimento das aplicações menores do que R$ 50 mil - balizado por uma TR calculada e fixada pelo governo -  trave uma queda maior da taxa Selic?

 Por que proteger os pequenos aplicadores da caderneta e transferir o custo para toda a economia produtiva?

 Estas são a questões.

 Nem Friedman, nem Keynes as respondem. 

 Maquiavel, talvez.

 Enfim, o governo atual optou por transferir para o próximo presidente a tarefa da extinção da jaboticaba de ter uma aplicação subsidiada por juros básicos mais altos e por um consequente menor nível de emprego e de renda.

 Não existem aplicações com remunerações subsidiadas em outros mercados desenvolvidos. Uma aplicação como a nova caderneta de poupança (sem risco e subsidiada para pequenos poupadores) caracteriza um país que tem medo de juros baixos e que se acostumou ao conforto dos juros altos.

 Assim, privilegiamos os pequenos rentistas e oneramos os empresários do setor produtivo, que geram emprego e de renda (eles arcarão com uma Selic maior).

 Congelamos uma jaboticaba para o próximo presidente da república descascar.

 Selic abaixo de 7% ao ano?

 Só a partir de 2011 e após uma nova mexida nas regras da poupança.”

 



Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h08
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Problemas de Microeconomia

 

Do blog Theoria et Oeconomia:

O site Problems in Microeconomics, desenvolvido por Byron W. Brown, professor de Economia da Michigan State University, é interessante.

Boa parte do conteúdo do síte irá virar livro pela editora Aplia Inc.

Esta editora é do David Romer e foi criada recentemente.

No site há vários exercícios resolvidos no Excel.

No livro, estes exercícios do site serão resolvidos em Flash.

Eles valem como uma revisão útil para provas de Micro.



Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 17h33
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Objetivo do blog

 

 

O objetivo do blog é contribuir para o debate sobre temas relacionados à aspectos macroeconômicos e microeconômicos da economia brasileira e,  quando oportuno, à Economia Internacional.

O blog é escrito por Marcelo de Oliveira Passos, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

Foi escolhido pelos leitores como um dos blogs legais do UOL e isto me permitiu usar este selo abaixo: 

O material contido nesta obra está sob uma licença Creative Commons.

image

Isto significa que os leitores podem redistribuir os textos do blog para fins comerciais e não-comerciais.

Mas devem citar como autor o nome Marcelo de Oliveira Passos.

O autor proíbe a criação de obras derivadas de seus posts. Assim, o leitor não poderá alterar, transformar ou criar outra obra com base nos posts. 

Assim, se o leitor quiser reproduzir os posts, poderá fazê-lo, desde que o texto seja reproduzido na íntegra e com a  citação do autor, tal como mencionado anteriormente. 

 



Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 14h58
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Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 14h24
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Céu azul com nuvens cinzentas

  

O relatório semanal Focus, baseado em sondagem realizada pelo Banco Central junto a instituições financeiras, revelou que o mercado financeiro possui expectativas positivas, porém não róseas.

Mostrou também que a recessão técnica pode ter acabado (na sexta-feira passada, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 1,9% no segundo trimestre, o que pôs um ponto final no período dois trimestres consecutivos de queda do PIB brasileiro).

O relatório Focus apontou retomada nas taxas de crescimento do PIB, inflação domada, juros e câmbio futuros estáveis ( porém com tendência de pequena alta para o ano que vem) e contas externas estabilizadas (mas em patamar pouco desejável).

Vejamos as principais conclusões do relatório:

 

·         previsão para o PIB deste ano manteve-se estável (passou de uma ligeira retração de 0,16% para um recuo  de 0,15%).

·         previsão do PIB de 2010 manteve-se no patamar de crescimento de  4%.

·         A projeção para a  produção industrial de 2009 ainda é negativa, embora apresente ligeira melhora (passou de uma retração de 7,35% para uma queda menor, de 7,28%)

·         A expectativa do PIB industrial de 2010 melhorou: o aumento esperado de 5,65% passou a ser de 6%.

·          A expectativa sobre a taxa Selic, conforme a pesquisa Focus, aponta que ela terminará este ano no nível atual de 8,75% ao ano.

·         Em relação à Selic vigente no final de 2010, a projeção da pesquisa é de que a taxa básica suba para 9,25% ao ano.

·         Em relação ao IPCA de 2009, espera-se que este índice oficial de inflação seja de 4,30% (mais uma vez o Banco Central deve atingir a meta de inflação que, para este ano, é de  4,50%)..

·         O IPCA esperado para 2010 é de 4,35%. Assim, o mercado espera que o BC atinja também a meta do ano que vem (que também é de 4,50%).

·          A previsão para a taxa de câmbio aponta para um dólar cotado a R$ 1,81, no final do ano (a previsão anterior era dólar cotado a R$1,85).

·         Espera-se que a taxa de câmbio nominal mantenha-se, no final de 2010, na cotação de R$ 1,85.

·         A taxa média de câmbio prevista para 2009 permaneceu em R$ 2,01.

·         O déficit previsto no saldo das transações correntes em 2009 caiu de US$ 15,05 bilhões para US$ 15 bilhões.

·         Contudo, para 2010, espera-se que este déficit suba para US$ 22, 2 bilhões (a previsão anterior era que ele subisse para US$ 22,8 bilhões).

·         O superávit comercial previsto para 2009 subiu de US$ 24,3 bilhões para US$ 25 bilhões.

·         A estimativa do saldo comercial para 2010 se manteve em US$ 18 bilhões.

·         A projeção de entrada de investimentos diretos estrangeiros em 2009 ficou em US$ 25 bilhões. A mesma estimativa para o ano que vem aponta um aumento para o patamar de US$ 30 bilhões.

O relatório Focus  não aborda os indicadores fiscais.  

A área cinzenta do cenário macroeconômico brasileiro está exatamente nestes indicadores.

A combinação de investimentos do PAC, política fiscal expansionista e eleições à vista não é certamente positiva para a situação fiscal do país.

Retornarei a este ponto.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 13h31
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