Política brasileira do petróleo: a visão da The Economist
A revista The Economist opinou sobre a política brasileira do petróleo.
É bom ver nossa política analisada de uma perspectiva mais, por assim dizer, saudavelmente distante.
Confesso, leitor, que algumas vezes fico sem referência para formar minha opinião diante do paradoxo entre acontecimentos importantíssimos na economia brasileira e da desconfiança que tenho da nossa capacidade de articulação institucional para lidar com tais acontecimentos.
Exemplos:
- as descobertas recentes de novos campos petrolíferos e nossa crônica incapacidade de arquitetar instituições eficientes (leia-se: imunes à politicagem e afeitas à prudência) para gerir os recursos que advirão das exportações de petróleo;
- as compras de armamentos militares franceses de alta tecnologia e a sua adequação estratégica com a política de defesa brasileira e com os próprios equipamentos já existentes (o Sivam e o Sindacta possuem tecnologia norte-americana e as políticas de defesa do Brasil sempre foram mais alinhadas com as políticas dos Estados Unidos). Esta compra representa muito mais do que os quase 20 bilhões de dólares em jogo. Ela poderá determinar nossa política de defesa pelos próximos vinte anos.
Não que nos falte massa crítica para formular boas políticas públicas. Não que nos falte capital humano ou financeiro para lidar com estes dois grandes desafios.
É que nos falta capacidade de articulação, concertação, organização, planejamento e eficiência na coordenação de tais recursos.
O Brasil possui abundância de recursos mas enorme escassez de instituições eficazes.
É aí que fico desconfiado e recorro à opiniões de especialistas de fora.
Como a revista The Economist é redigida por especialistas e não por especialistas em generalidades (como muitos jornalistas são, sem nenhum demérito aos ótimos profissionais que a imprensa possui), eu costumo recorrer à ela quando simplesmente não encontro análises confiáveis no Brasil
Não encontrei ainda textos em português realmente críticos sobre gerenciamento dos recursos da camada do pré-sal.
Sobre a adequação dos investimentos da política de defesa brasileira há bons textos a respeito no Brasil.
Mas sobre o pré-sal não encontrei nenhuma análise realmente crível, a não ser a da The Economist.
A franqueza me obriga a escrever isto: não conheço nenhuma análise realmente crível sobre a governança da política de petróleo no Brasil.
O projeto que tramita com urgência no Congresso padece, a meu modesto ver, de vícios de origem graves (a começar pela própria urgência do projeto...).
Abaixo, os primeiros parágrafos e o link para o texto da The Economist:
Preparing to spend a “millionaire ticket” from offshore
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h42
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