Coerência ideológica e consistência teórica
Um aluno me perguntou qual seria meu perfil ideológico.
Como não me levo muito a sério - apesar respeitar muito uns 40% das minhas idéias - fiz um pouco de humor e lhe disse que, se a ideologia não existe na grande maioria dos partidos brasileiros, ele não deveria se importar muito com a minha.
Com esta ressalva, terminei confessando que gosto de JFK, Bill Clinton, do Obama (até agora...) e dos filmes de Woody Allen.
Creio que isto me faça um liberal no sentido norte-americano do termo.
Disse também que não tenho produção acadêmica suficiente para afirmar que sou novo-keynesiano.
Posso dizer apenas que aprecio a literatura macroeconômica de N. Gregory Mankiw, Joseph Stiglitz, Mark Gertler, Ben Bernanke, Olivier Blanchard, David Romer e Michael Woodford e que li tudo o que pude de Mário Henrique Simonsen.
Estes caras são novos-keynesianos (embora a mídia leiga em Economia tenha insistido em rotular Simonsen como monetarista).
Pensando aqui com meus botões, acho que, no fim das contas, é mais fácil encontrar no exterior economistas que aliem coerência ideológica e consistência teórica.
A coerência (ideológica ou não) não é uma virtude muito apreciada pelos brasileiros.
Vejam os abraços entre Collor e Lula. O que Mantega faz e o que escreveu. O que Maria da Conceição Tavares defende hoje e o que escreveu e disse no passado.
Do Mangabeira Unger, então, nem se fala.
Na História do Pensamento Econômico há raros economistas muito inteligentes que não são ideologicamente coerentes.
O interessante é que, neles, esta incoerência resultou em criatividade e vitalidade intelectual.
Ocorre que geralmente é muito mais fácil ver a incoerência ideológica e a inconsistência teórica associada ao oportunismo e à burrice.