Minha grande ternura

 

Minha grande ternura
Pelos passarinhos mortos;
Pelas pequeninas aranhas.

Minha grande ternura
Pelas mulheres que foram meninas bonitas
E ficaram mulheres feias;
Pelas mulheres que foram desejáveis
E deixaram de o ser.
Pelas mulheres que me amaram
E que eu não pude amar.

Minha grande ternura
Pelos poemas que
Não consegui realizar.

Minha grande ternura
Pelas amadas que
Envelheceram sem maldade.

Minha grande ternura
Pelas gotas de orvalho que
São o único enfeite de um túmulo.

 

Manuel Bandeira

 



Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 12h51
[] [envie esta mensagem] []



Coerência ideológica e consistência teórica

 

Um aluno me perguntou qual seria meu perfil ideológico.

Como não me levo muito a sério - apesar respeitar muito uns 40% das minhas idéias - fiz um pouco de humor e lhe disse que, se a ideologia não existe na grande maioria dos partidos brasileiros, ele não deveria se importar muito com a minha.

Com esta ressalva, terminei confessando que gosto de JFK, Bill Clinton, do Obama (até agora...) e dos filmes de Woody Allen.

Creio que isto me faça um liberal no sentido norte-americano do termo.

Disse também que não tenho produção acadêmica suficiente para afirmar que sou novo-keynesiano.

Posso dizer apenas que aprecio a literatura macroeconômica de N. Gregory Mankiw, Joseph Stiglitz, Mark Gertler, Ben Bernanke, Olivier Blanchard, David Romer e Michael Woodford e que li tudo o que pude de Mário Henrique Simonsen.

Estes caras são novos-keynesianos (embora a mídia leiga em Economia tenha insistido em rotular Simonsen como monetarista).

Pensando aqui com meus botões, acho que, no fim das contas, é mais fácil encontrar no exterior economistas que aliem coerência ideológica e consistência teórica.

A coerência (ideológica ou não) não é uma virtude muito apreciada pelos brasileiros.

Vejam os abraços entre Collor e Lula. O que Mantega faz e o que escreveu. O que Maria da Conceição Tavares defende hoje e o que escreveu e disse no passado.

Do Mangabeira Unger, então, nem se fala.

Na História do Pensamento Econômico há raros economistas muito inteligentes que não são ideologicamente coerentes.

O interessante é que, neles, esta incoerência resultou em criatividade e vitalidade intelectual.

Ocorre que geralmente é muito mais fácil ver a incoerência ideológica e a inconsistência teórica associada ao oportunismo e à burrice.



Categoria: HPE e Metodologia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h44
[] [envie esta mensagem] []



 
 

A recessão acabou?

 

Uma parte não desprezível da mídia e do mercado convencionou que, com a melhora gradativa da conjuntura econômica nacional e internacional, o país já não está em recessão.

Pois é, leitor, é chato dizer isto, mas ainda estamos, sim, em recessão.

Os efeitos nocivos da crise econômica ainda persistem em vários países do mundo e também no Brasil, ainda que em menor grau.

O critério mais utilizado para saber se um país está ou não em recessão é ver se a taxa de crescimento do seu PIB real cai durante dois trimestres consecutivos.

Por este critério - que não é completamente aceito na Ciência Econômica, mas é consagrado pelo uso - o Brasil ainda está em recessão.

Ocorre que este mesmo critério diz que um país só sai de uma recessão quando apresenta dois trimestres consecutivos de taxas positivas de crescimento do PIB real.

Assim sendo, só saberemos definitivamente se o país saiu da recessão em meados de fevereiro de 2010, quando o IBGE divulgará os números referentes ao PIB do último trimestre de 2009.

Resumo da opereta: poderemos comemorar o fim da recessão apenas no próximo Carnaval.

O fim da recessão poderá vir no meio do verão e longe da gripe.

Ocorre que, antes disso, só é possível aproveitar as oportunidades que a melhora das expectativas nos oferecem.

Assim sendo, a prudência - associada a um conservadorismo que, no Brasil, costuma ser saudável - recomenda que não se comemore o fim de uma recessão que, tecnicamente, ainda existe.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h59
[] [envie esta mensagem] []



Livro de economia monetária

 

Do blog do prof. Jose Luis Oreiro, da UnB, a notícia do lançamento do livro "Política Monetária, Bancos Centrais e Metas de Inflação".

Participei como co-autor deste livro editado pela FGV.

O lançamento do livro será no próximo dia 19 de agosto no prédio da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.



Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 12h27
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


Meu perfil
BRASIL, Sul, PELOTAS, LARANJAL, Homem


Histórico
Categorias
Todas as mensagens
Macro e Economia Internacional
Citações, notícias, dicas etc.
HPE e Metodologia
Economia computacional
Microeconomia


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
A Mão Visível
Blog do Adolfo
Blog do Alon
Blog do Leonardo Monastério
Blog do Noblat
Cenário Econômico (blog anterior)
De Gustibus non Est Disputandum
De Rerum Natura
Ecoblogs
Departamento de Economia da UFPEL
Economia e Finanças
Economia em Debate
Economia Exposta
Econosheet
Greg Mankiw`s Blog
Homo Econometricum
Joelmir Beting
Liberal, Libertário, Libertino
Liberdade Econômica
Lucia Hippolito
Macroblog
Mahalanobis
Maria Clara R. M. do Prado
Millôr On Line
Neuroeconomia
Pura Economia
Quero mais Brasil
Rabiscos Econômicos
Temas em Economia
Add to Technorati Favorites" target="_blank">Technorati
The Becker-Posner Blog
Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Visto da Economia
A outra face da moeda
Economia prática