Para citar o Tom
No post abaixo, sobre o vídeo com a cantora Diane Reeves, faltou dizer que ela canta o samba "Triste", de Tom Jobim.
Quando tinha cerca de 18 ou 19 anos, estava em uma das bancas de jornal da Rua Ataulfo de Paiva, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro.
Costumava gastar ali, religiosamente, uma parte da minha curta mesada para comprar uma revista sobre teclado chamada "Keyboard".
Estava procurando a revista e vi o Tom Jobim entrar na banca totalmente vestido de branco.
Entrou, foi recebido com alegria pelo jornaleiro, que, ocupado, atendia dois outros clientes.
Tom olhou para mim e pensou que eu era o ajudante do jornaleiro.
Diante da minha cara espantada, perguntou-me se a banca tinha a revista "Down Beat", uma das bíblias do jazz, à época.
- Claro, claro, eu acho que está por aqui... respondi a ele.
Por sorte minha, achei a revista e entreguei-lhe com um pedido:
- O senhor me dá um autógrafo?
Ele sorriu e respondeu afirmativamente.
Eu não tinha papel nem caneta e pedi a Cícero, amigo que me acompanhava e que morava próximo à banca, se ele poderia me arrumar papel e caneta.
Cícero, que também admirava e tocava Tom ao violão, ficou meio acabrunhado e chegou a me repreender por eu ter pedido o autógrafo.
Disse a Cícero que não era Fausto Fawcett que estava ali, era o Tom Jobim.
Fausto Fawcett sempre andava pela Ataulfo de Paiva e pela Nossa Senhora de Copacabana.
Pedi para o Tom esperar um pouco e roguei à moça da farmácia em frente à banca que me emprestasse papel e caneta.
Ela fez o favor, meio a contragosto.
Tom, no entanto, perguntou o meu nome e assinou com uma Bic em um papel com a qualidade de guardanapo de segunda: " Pro Marcelo, abraço do Tom".
Lembrei-me desta estória quando vi que não tinha citado o maior compositor de música popular de todos os tempos.
Assim que puder vou escanear o autógrafo e deixá-lo aqui no blog.
Já gostava da música do Tom antes do autógrafo.
Mas passei a gostar de jazz depois disso.