O futuro do passado: a recessão técnica dois meses antes
A frase do ministro:
"Tivemos uma queda da produção industrial no último trimestre (de 2008) e uma queda de produção industrial neste primeiro trimestre de 2009 e todos os livros técnicos dizem que uma queda em dois trimestres seguidos é uma recessão técnica. Não temos como fugir disso."
Autor: Miguel Jorge - ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Quando: hoje.
Meu post de 20 de março deste ano:
"Estamos em recessão técnica
Os dados mais recentes divulgados pelo IBGE, pelo Instituto Datafolha e pelo boletim Focus do Banco Central mostram que as expectativas macroeconômicas se deterioraram nos últimos de 40 dias.
O problema é quando os dados ruins da macroeconomia se somam aos dados ruins da microeconomia (menor lucratividade, menor endividamento e queda na receita bruta das empresas; maior inadimplência, migração das aplicações em títulos de renda variável para títulos de renda fixa e ativos reais, piora nos dados setoriais etc. ).
Sempre considerei que dados que refletem expectativas dos agentes são da maior importância para quem quer, como diz o presidente do BC Henrique Meirelles - fã de automobilismo - estar sempre "à frente da curva" da conjuntura econômica.
Assim, creio que tenho motivos para me preocupar como economista quando, além da piora dos dados mencionados, o Datafolha aponta, em uma só pesquisa:
· a queda de 5 pontos porcentuais da popularidade do presidente Lula,
· o crescimento da parcela da população que crê que a crise não será amena (em novembro do ano passado os que não acreditavam na estória da "marolinha" eram 39%, agora, os que não acreditam somam 50%),
· que mais brasileiros esperam aumento no nível de desemprego e
· que o desemprego voltou a ser apontado como o pior problema do país (junto com a saúde pública) .
O mercado ainda aguarda a notícia da queda do PIB do primeiro trimestre deste ano que, quando for dada, confirmará o que a torcida do Flamengo já sabe: o Brasil já está em recessão técnica.
Abaixo, reproduzo partes de duas notícias do Portal Exame que atesta que, segundo a Economática, os balanços de nossas grandes empresas e de outras empresas da América Latina pioraram.
Do portal Exame:
“Crise derruba em 40% o lucro das empresas no Brasil.
Um estudo da consultoria Economática mostra o efeito devastador da crise global sobre as empresas brasileiras. Entre o terceiro e o quarto trimestre, o lucro líquido de 102 empresas com ações em bolsa caiu 40%. O setor imobiliário foi o mais afetado, mas empresas de energia, saneamento e telecomunicações conseguiram crescer no período.
Valor de mercado das empresas da América Latina cai US$ 105,3 bilhões.
Levantamento foi feito com as 694 empresas de capital aberto de maior liquidez nas bolsas latino-americanas."
A propósito, a confirmação do resultado do PIB do primeiro trimestre de 2009 só sai, oficialmente, em junho.