Garimpos bibliográficos: Schopenhauer e a arte de escrever

 

Em 2003, cursava o doutorado em Economia Aplicada da UFRGS e morava em um apartamento de quarto e sala (ou JK, como chamam em Porto Alegre). Nele,  tentava resolver os problemas de Microeconomia e de Macroeconomia dos livros do Carl Walsh, do Varian, do Romer e do William Scarth.

Entre tantos exercícios, nas horas vagas, me refugiava na literatura de Filosofia.

Particularmente, gostava de ler Schopenhauer (ou textos sobre a obra deste filósofo), Spinoza, Freud, Maquiavel e Nietzsche.

Incluo Freud na lista, embora este talvez não possa ser considerado como filósofo, na visão de muitos.

Devo , desde então, boa parte da minha visão atual de mundo aos escritos destes autores.

Tanto que, outro dia, com a família em um hipermercado, garimpava naquelas gôndolas com ofertas de livros diversos algo que me agradasse.

O garimpo estava difícil, até que encontrei o ótimo "A arte de escrever", um livro que reúne alguns ensaios de Arthur Schopenhauer.

Os ensaios são: "Sobre a erudição e o mundo erudito como um todo", "Pensar por si mesmo", "Sobre a escrita e os eruditos", "Sobre a leitura e os livros" e "Sobre a linguagem e as palavras".

Nestes ensaios, Schopenhauer decifra alguns vícios do pensamento humano, derruba alguns mitos sobre leitores e leitura e analisa com a perspicácia habitual os perigos e as virtudes da escrita.

Como o livro é muito barato (comprei por R$ 9,00, no Wal-Mart do meu bairro), recomendo-o a todos os interessados sobre metodologia e técnicas de pesquisa. O Buscapé diz que ele não sai por mais do que R$13,00.

Desde o clássico "Como se faz uma tese", de Umberto Eco,  eu não leio texto tão bom sobre estes assuntos.

Em posts futuros, divulgarei novos resultados dos meus garimpos em hipermercados, livrarias e sebos.

Garimpo nesta área desde 1981, quando iniciei minhas expedições pelos sebos das avenidas Rio Branco, Marechal Floriano e Nossa Senhora de Copacabana, no meu Rio de Janeiro.



Categoria: HPE e Metodologia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 17h21
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A visão do FMI sobre a crise (parte I)

 

O que Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI, diz sobre a crise.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 15h58
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Salário de professor da rede pública

 

Ser professor de ensino fundamental compensa?

Depende se estamos falando da rede pública ou da rede privada.

Notícia da agência USP:

"Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2006 indicam que os professores de ensino fundamental da rede pública possuem salários 11% maiores do que os do ensino privado. A diferença, apurada em estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pode chegar a 38% se forem levados em conta os benefícios da aposentadoria.

O trabalho da economista Kalinca Baxter utilizou equações de rendimento para analisar os fatores que definem a remuneração desses professores, considerando o salário mensal por hora de trabalho e a aposentadoria.

A pesquisadora sinalizou os principais fatores que determinam a remuneração dos professores de ensino fundamental, tais como escolaridade, sexo da pessoa, experiência no trabalho, aspectos geográficos e outros.

 Professores comparados a outros profissionais

Para comparar a remuneração desses professores com outros trabalhadores foram definidas duas categorias ocupacionais. "A primeira, composta por profissionais com alta qualificação profissional, que atuam na ciência e nas artes. A segunda, composta por trabalhadores de média qualificação, que atuam no setor de serviços, produção, além daqueles que são de nível técnico".

A remuneração média dos trabalhadores da produção e serviços é 4% menor em comparação aos professores. Quando são considerados os benefícios da aposentadoria, o diferencial é 30%.

"Era esperado que os professores ganhariam menos que os profissionais muito qualificados, mas não que a diferença seria tão grande entre aqueles de média qualificação", afirma Kalinca. A remuneração do professor do ensino fundamental aumenta 5% para cada ano a mais de estudo, porém esse valor é menor que os 16% dos professores da ciência e 17% dos trabalhadores da produção e serviços.

Previdência

As amostras de professores da rede pública de ensino e das categorias de trabalhadores analisadas são compostas por funcionários públicos estatutários, enquanto que a de professores da rede privada é formada por empregados com carteira assinada. Com esses determinantes, o estudo concluiu que a remuneração média dos profissionais da ciência é 178% maior em comparação à média dos professores.

Quando são consideradas as regras previdenciárias, que beneficiam professores do ensino básico com um menor tempo de contribuição para aposentadoria, o diferencial é 76%. "Levando-se em conta que o professor tem o direito de se aposentar cinco anos antes, isso é uma vantagem que pode fazer com que ele opte pelo emprego na rede pública", explica a pesquisadora.

Embora os dados da pesquisa sejam de 2006, Kalinca afirma que a tendência é que esses resultados continuem. "Há pouco foi aprovada uma lei que estipula um mínimo de salário para o professor da rede pública", aponta. "Com a medida, a diferença de salário entre o professor da rede pública e da privada vai aumentar ainda mais, podendo até se aproximar ao salário daqueles profissionais que possuem alta qualificação.

Para a professora Ana Lúcia Kassouf, orientadora da pesquisa, o aumento salarial dos professores é uma das variáveis que poderia contribuir para a melhoria da educação, "mas, ao contrário do senso comum, os dados mostram que os salários dos professores não são tão baixos quando comparados aos de outras profissões".



Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h40
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Salário de professor da rede pública

 

 

Ser professor de ensino fundamental compensa?

Depende se estamos falando da rede pública ou da rede privada.

 Notícia da agência USP:

 

"Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2006 indicam que os professores de ensino fundamental da rede pública possuem salários 11% maiores do que os do ensino privado. A diferença, apurada em estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pode chegar a 38% se forem levados em conta os benefícios da aposentadoria.

O trabalho da economista Kalinca Baxter utilizou equações de rendimento para analisar os fatores que definem a remuneração desses professores, considerando o salário mensal por hora de trabalho e a aposentadoria.

A pesquisadora sinalizou os principais fatores que determinam a remuneração dos professores de ensino fundamental, tais como escolaridade, sexo da pessoa, experiência no trabalho, aspectos geográficos e outros.

 Professores comparados a outros profissionais

Para comparar a remuneração desses professores com outros trabalhadores foram definidas duas categorias ocupacionais. "A primeira, composta por profissionais com alta qualificação profissional, que atuam na ciência e nas artes. A segunda, composta por trabalhadores de média qualificação, que atuam no setor de serviços, produção, além daqueles que são de nível técnico".

A remuneração média dos trabalhadores da produção e serviços é 4% menor em comparação aos professores. Quando são considerados os benefícios da aposentadoria, o diferencial é 30%.

"Era esperado que os professores ganhariam menos que os profissionais muito qualificados, mas não que a diferença seria tão grande entre aqueles de média qualificação", afirma Kalinca. A remuneração do professor do ensino fundamental aumenta 5% para cada ano a mais de estudo, porém esse valor é menor que os 16% dos professores da ciência e 17% dos trabalhadores da produção e serviços.

Previdência

As amostras de professores da rede pública de ensino e das categorias de trabalhadores analisadas são compostas por funcionários públicos estatutários, enquanto que a de professores da rede privada é formada por empregados com carteira assinada. Com esses determinantes, o estudo concluiu que a remuneração média dos profissionais da ciência é 178% maior em comparação à média dos professores.

Quando são consideradas as regras previdenciárias, que beneficiam professores do ensino básico com um menor tempo de contribuição para aposentadoria, o diferencial é 76%. "Levando-se em conta que o professor tem o direito de se aposentar cinco anos antes, isso é uma vantagem que pode fazer com que ele opte pelo emprego na rede pública", explica a pesquisadora.

Embora os dados da pesquisa sejam de 2006, Kalinca afirma que a tendência é que esses resultados continuem. "Há pouco foi aprovada uma lei que estipula um mínimo de salário para o professor da rede pública", aponta. "Com a medida, a diferença de salário entre o professor da rede pública e da privada vai aumentar ainda mais, podendo até se aproximar ao salário daqueles profissionais que possuem alta qualificação.

Para a professora Ana Lúcia Kassouf, orientadora da pesquisa, o aumento salarial dos professores é uma das variáveis que poderia contribuir para a melhoria da educação, "mas, ao contrário do senso comum, os dados mostram que os salários dos professores não são tão baixos quando comparados aos de outras profissões".



Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h35
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Anpec Sul

 

Meu amigo Andre Carraro avisou que foi prorrogado, até o dia 30/04, o prazo para submissão de artigos para XII Anpec Sul.

As normas para submissão estão disponíveis em www.pce.uem.br.
 



Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 12h00
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Debate econômico maniqueísta  

 

No livro "Conversas com Economistas Brasileiros", de Ciro Bidermann, Luis Felipe L. Cozac e José Marcio Rego, da Editora 34 (1996, p. 207), os autores perguntam para o economista Mário Henrique Simonsen:

“Como vê a interpretação de Friedman e Schwartz sobre a Grande Depressão, reduzindo-a  a fenômeno puramente monetário?”

Resposta de Simonsen:

“Eu acho que a interpretação do Friedman é complementar. A interpretação do Friedman tem muita coisa de verdade. Ele observa que a Grande Depressão começou quando houve o pânico bancário nos Estados Unidos, em 1931, e o Banco Central deixou que os meios de pagamento se contraíssem. Houve o pânico  e então esse pânico  realmente transformou aquela grande recessão em grande depressão. Qual é a diferença disso em um raciocínio keynesiano? O raciocínio keynesiano diz que faltou um seguro de depósito, porque o mercado tem informação imperfeita, tem assimetria de informação. Portanto, teria que ser regulado pelo governo através de um seguro de depósito. Aí juntam-se as duas teorias e é muito difícil dizer que a interpretação do Friedman está errada ou que a interpretação do Keynes está errada. Elas são muito complementares.

Há um grande antagonismo ideológico, quer dizer, a maioria das pessoas que detesta a intervenção do governo prefere Friedman, porque ele não fala em nenhum momento em necessidade de intervenção do governo; as pessoas que gostam de intervenção do governo ficam com Keynes.

Mas racionalmente é muito difícil separar as duas interpretações.”

Simonsen ficou com a injusta  fama de ser monetarista e ortodoxo.

Isto é em parte culpa da mídia e em parte culpa de economistas políticos que não tinham sequer parte de seu talento analítico e conhecimento da teoria econômica.

Em parte, também, culpa da pouca sofisticação de nosso debate econômico. Ele ainda insiste em separar economistas heterodoxos de economistas ortodoxos, como se só existissem estas duas categorias na história do pensamento econômico. 

Na verdade, Simonsen era um economista novo-keynesiano.

É isto que se depreende da leitura de seus livros. Principalmente da leitura de "Macroeconomia" e de "Ensaios Analíticos" (este último é uma obra-prima).

Simonsen foi presidente do Mobral, assessorou Octavio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos na arquitetura de várias instituições ainda vigentes no país e apoiou o Plano Real quando ele era conhecido como Plano Larida (pelo fato de ter sido inicialmente concebido por André Lara Resende e Pérsio Arida). Resende,  Arida e Francisco Lopes tinham participado do Plano Cruzado e não eram vistos como economistas ortodoxos. O Plano Real, em sua origem, era visto como um plano heterodoxo, como bem detalha o livro "300 dias no Bunker", de Guilherme Fiuza.  

Ele pertence a uma linhagem de macroeconomistas novos-keynesianos da qual pertencem Rudiger Dornbusch, Olivier Blanchard, David Romer, N. Gregory Mankiw, William Scarth entre outros.

Criticou a hipótese de expectativas racionais de Robert Lucas e fez Thomas Sargent reconhecer os erros de matemática de seu livro “Macroeconomic Theory” (1979). Lucas e Sargent são considerados macroeconomistas neoclássicos.  

Há uma excelente explicação da economia novo-keynesiana no “The Concise Encyclopedia of Economics”.

Quem assina o verbete “New Keynesian Economics”  é N. Gregory Mankiw.

Estão lá alguns dos principais conceitos da economia novo-keynesiana, tais como custos de menu, salários de eficiência, falhas de coordenação, sticky prices etc.

No Brasil, Simonsen ficou identificado com a ortodoxia. No entanto, seu pensamento está próximo do novo-keynesianismo.

As classificações que fazem parte dos livros de História do Pensamento Econômico não se prendem, de forma maniqueísta, a apenas duas categorias.

Mas é assim que o jornalismo econômico brasileiro ainda divide nossos economistas: heterodoxos ou ortodoxos.

A leitura de bons livros de História do Pensamento Econômico ajudaria muito a formação de nossos jornalistas econômicos.

Keynes dizia que o conhecimento da história do pensamento é uma etapa necessária à emancipação da inteligência. 

O raciocínio simétrico é verdadeiro: a ignorância da história do pensamento contribui para  o empobrecimento do debate econômico (inclusive na academia).



Categoria: HPE e Metodologia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 15h29
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O que Chávez, Morales e Raúl Castro jamais entenderão

 

"Para se ter uma economia eficiente é preciso desenvolver a tradição de um sistema com o Estado de Direito fortalecido, com os direitos de propriedade bem definidos. São coisas profundas e essenciais."

Autor: Douglass North, prêmio Nobel de Economia em 1993.

 

 

Buscar na Web "Douglass North"

Quando: Outubro de 1997

Nesta entrevista, North foi crítico em relação às recomendações superficiais do FMI para países emergentes: liberalização do câmbio, dos preços e controle da dívida (externa e pública). Disse que isto não era suficiente e apontou o caminho.



Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 15h19
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Macroeconomia e Excel

 

Um link:

Macroeconomics Using Excel

O autor do site é do economista computacional Humberto Barreto, do Wabash College Economics Department.

Quem gosta de Economia Computacional e Macroeconomia, ou da interseção entre duas, não pode perder.



Categoria: Economia computacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 15h15
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O futuro do passado: escândalos políticos

 

Em 19/06/2007 fiz um pequeno post sobre os escândalos políticos brasileiros.

Faz quase dois anos, mas ele continua atual como a obra de Nietzsche.

Reproduzo o post:

Essa citação vai para aqueles que ainda teimam em refletir sobre alguns dos escândalos políticos do Brasil.

Até porque seria impossível refletir sobre todos. Mesmo se reuníssimos todos os nossos bons cientistas políticos.

Não que falte massa crítica para estudos de caso. É que os casos são tantos e tão numerosos que que não há como estudá-los.

Pensou Nietzsche:

"A insanidade nos indivíduos é algo relativamente raro; mas em grupos, partidos, nações e épocas, ela é a regra".



Categoria: Citações, notícias, dicas etc.
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 14h27
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