A saída de Lima Neto do Banco do Brasil é ruim porque:
1) o BB fica sem um executivo que soube conciliar a sua função de maximizar o lucro dos seus acionistas (do governo, o acionista majoritário, e o dos acionistas minoritários) com a de cumprir a função social de aumentar os empréstimos em um momento de crise. O BB, junto com a CEF e o BNDES, foram as únicas grandes instituições financeiras que não racionaram crédito nos últimos tempos, como mostra um post anterior sobre o relatório do Bacen;
2) coloca em seu lugar Aldemir Bendini, que de gerente da agência centro de Piracicaba, no final dos anos 90, ascendeu meteoricamente à vice-presidência de Cartões e Novos Negócios de Varejo. Bendini é o cara certo, na hora certa e no lugar certo. É o cara certo porque foi o escolhido do ministro Guido Mantega. A hora é certa porque Mantega fará com que Bendini baixe a rentabildiade, ou melhor, os juros do BC. Não bastou para Mantega que Lima Neto tenha aumentado o volume de empréstimos e tenha adquirido vários bancos. Por fim, Bendini está no lugar certo. Não me refiro a Piracicaba ou Brasília. O lugar certo de Bendini é o PT. Sua escalada ao topo foi muito rápida em relação à, por exemplo, do novo presidente do Bradesco, que chegou lá após muitos anos e a credencial de ter tornado a Bradesco Seguros a melhor seguradora do país.
Os bancos alegam que o spread é alto, no Brasil, por causa da inadimplência, da cunha fiscal sobre as atividades financeiras, dos custos trabalhistas, do elevado recolhimento compulsório e da legislação que protege o devedor.
Embora estejam certos quanto à questão da legislação, os bancos se mostram na defensiva quando o assunto é concentração bancária.
Os bancos competem ferozmente entre si, não há dúvida. Mas não competem pela via da redução do spread.
A razão dos spreads altos está na teoria dos oligopólios e na teoria dos contratos. Se o spread alto é bom para todas as firmas bancárias, por que um banco deveria arriscar-se a reduzi-lo quando o efeito de tal medida seria a perda de sua rentabilidade sem a garantia da conquista de novos clientes?
Com o spread alto, mercado bancário concentrado, clientes com alto potencial de se tornarem inadimplentes e justiça que favorece os tomadores de crédito, que incentivo tem os bancos para reduzir o spread?
Fiz uma análise de balanço de um grande banco há dois anos atrás quando era analista econômico-financeiro de outro banco.
Calculei que a inadimplência deste grande banco era o equivalente a 20% do total de suas operações de empréstimo.
Ou seja, 20 milhões de cada 100 milhões que o banco emprestava ia para o ralo.
Agora, estimo que tal inadimplência, com a crise, tenha se tornado pior.
Portanto, enquanto a concentração bancária não diminuir e as leis protegerem abertamente os devedores, não há solução para o spread.
Pior, a solução imaginada por Lula e Mantega só piora os bons resultados do BB.
Os bancos concorrentes do BB, Piracicaba, Paulinho e o PT agradecem a saída do presidente Lima Neto.