Roteiro dos sebos em São Paulo e no Rio

 

Não sou consumista. Ou melhor, meu lado consumista é do tipo traça: aparece apenas em livrarias e sebos.

Por isso, quando visito uma cidade, sempre que posso eu procuro logo saber onde se localizam estas lojas.

Na região central de São Paulo, por exemplo, o roteiro de sebos é este.

No Rio de Janeiro, o roteiro de livrarias do centro histórico é este.

Enquanto o livro de Antônio Carlos Secchin (Guia dos Sebos nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo) não é publicado, ficamos com estas duas listas.



Categoria: HPE e Metodologia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 10h37
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Viés autoritário ou falta de "bom-senso econômico"?

 

 

O jornalista Kennedy Alencar, colunista da Folha Online, em texto disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/brasiliaonline/ult2307u476275.shtml, escreveu:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aguardará a decisão do Banco Central nesta semana sobre a taxa de juros para tomar uma decisão mais importante. Lula estuda agora uma eventual interferência política pública e assumida para forçar uma queda da taxa básica de juros caso o BC insista em manter os juros no atual patamar ou não sinalize que vai baixar a taxa no ano que vem.

A Selic está hoje em 13,75% ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do BC que se reúne a cada 45 dias para fixar os juros, terá o último encontro deste ano nestas terça e quarta-feiras.

Lula avalia estabelecer limites à autonomia formal concedida ao BC desde quando o petista chegou ao poder, em 2003. De lá para cá, houve embates entre Lula e o BC, mas o presidente nunca questionou a autonomia da instituição. Engoliu decisões das quais discordava.

Recentemente, Lula fez fortes pressões nos bastidores e deu duas declarações públicas dizendo que acha que os juros precisam cair. Falou que estavam acima do que indicava o bom senso e também disse que era hora de reduzir juros e preços.

Lula deseja uma queda de 0,25 ponto percentual da taxa de juros, como sinal de que será iniciado um processo que ajudaria a animar os agentes econômicos. Lula vende otimismo em relação ao desempenho da economia no ano que vem e acha que uma sinalização do BC de queda dos juros o ajudaria nessa tarefa. Alguns auxiliares falam até em viés de baixa: o BC manteria a Selic em 13,75%, mas deixaria claro que poderia reduzir a taxa a qualquer hora antes da próxima reunião do Copom."

Listo seis argumentos contrários à estas medidas:

  1. é difícil acreditar que Lula tenha mais "bom senso econômico" para fixar a taxa de jurosdo que os diretores e a presidência do BC.
  2. se o BC não reduzir as taxas de juros, como aparentemente sinaliza, será porque a inflação ainda não está completamente controlada, dadas as pressões da trajetória altista da taxa de câmbio e a redução dos preços das commodities (que reduz a rentabilidade dos exportadores e pode pressionar os preços destes produtos para cima). É bom deixar claro que o objetivo do BC é assegurar a estabilidade de preços e,após assegurado este objetivo,preocupar-se com o crescimento econômico. Ou Lular quer crescimento com inflação?
  3. é bom que a crise não piore, pois Lula evidencia com esta atitude, que estaria disposto a pajelanças econômicas e institucionais para garantir sua popularidade (ao custo da estabilidade de preços, tão custosamente obtida). Mostra, por este simples sinal, que não é bom gestor de crises.Isto ficou evidente nas crises políticasmotivadas peloPT.Preocupa-me a reação de Lula diante de um aprofundamento da recessão mundial e, principalmente, dos seus possíveis efeitos sobre a sua popularidade. Se com popularidade recorde e alguma desaceleração docrescimento brasileiro Lula já pensaem intervir na autonomia do BC, o que poderia fazer diante de uma recessão maior?
  4. a autonomia do BC é um dos principais pilares do Regime de Metas de Inflação. Não é prudente nem conveniente mexer, sem motivo realmente sério, com um sustentáculo institucional de tamanha importância.
  5. uma atitude como esta nos faz refletir sobrea necessidadeda rediscussão da autonomia formal ou legal do BC. A diretoria do BC deve possuir o poder legal de decidir, sem nenhum tipo de interferência de instituições externas, sobre a política monetária e especificamente sobre a fixação da taxa de juros de curto prazo? Quem tem medo da autonomia legal do BC? Quais razões para que ela não seja sequer discutida no Brasil?
  6. esta pressão de Lula sobre o BC coloca a diretoria do BC na defensiva, obrigando-a a zelar pela sua reputação. Veja o leitor a situação da diretoria do BC: se baixar a taxa Selic ou mesmo sinalizar com viés de baixa, ela cede às pressões do Planalto; se mantém a taxa no mesmo patamar vigente há três meses (13,75%), ele mantém sua reputação de conservadorismo, mas, por outro lado, sofre ainda mais com a exposição desnecessária motivada pela pressão presidencial.

Por isso mesmo, a diretoria do BC sinalizou que poderá pedir demissão coletiva se tais pressões continuarem. Ela também manteve a taxa básica no referido patamar, mostrando claramente que se preocupa com a instabilidade da taxa de câmbio real, fonte de  inflação de custos.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 00h40
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