Acemoglu, Hawking e o número de páginas de um bom livro de Economia
Reproduzo aqui a ótima dica dada no blog do Leonardo Monastério e pelo Pedro Henrique de Sant`Anna, que escreve o blog Homo Econometricum, ambos em posts feitos em outubro do ano passado:
De acordo com o Pedro Henrique: "Daron Acemoglu, professor do MIT, disponibiliza um draft do seu livro Introduction to Modern Economic Growth.".
O livro é muito extenso, razão pela qual Leonardo Monastério levanta uma questão interessante:
" (...) Tenho certeza que suas 1.169 páginas são excelentes e que se tornará o livro texto padrão de crescimento econômico na pós-graduação.
Contudo, eu não posso deixar de pensar no seu Valor de Hawking (VH, como decidi chamá-lo). O VH é calculado da seguinte forma:
VH=número de cópias compradas *(a/b)
a=número de cópias do livro;
b=média de páginas - de fato - lidas e compreendidas.
Por exemplo, o livro do Hawking Uma breve história do tempo vendeu 10 milhões de cópias com 200 páginas, mas o número de páginas compreendidas é alguma coisa perto de 1 (um). Portanto, seu VH= 2.000.000.000, o maior na história. De volta ao livro do Acemoglu: quantos arquivos pdf vão repousar fechados e não lidos nos nossos discos rígidos?"
Me lembro de um caso como aluno de graduação, em que meu professor (o excelente Wilhelm Meiners, hoje meu amigo), cobrava a entrega das fichas de leitura de vários capítulos do livro do "Macroeconomia" do Dornbusch e Fischer.
O curso tinha 120 horas e aquela quinta edição do livro tem 930 páginas.
Gostava de ler o livro, mas na época não tinha realmente tempo para ler os vários estudos de caso da economia norte-americana com que o Dornbusch e o Fischer ilustraram o livro.
Foi aí que, mesmo possuindo o livro, emprestei da biblioteca o "Introdução à Macroeconomia", também do Dornbusch e Fischer.
Detalhe: era o mesmíssimo texto, lançado pela mesmíssima editora (Makron Books) apenas sem aqueles estudos de caso (e suas tabelas, seus gráficos, análises etc.).
Número de páginas desta edição "condensada": 307.
Depois disso passei a verificar que, se tirarmos estes estudos de caso e seus complementos de todos os livros-textos de Economia com muitas páginas (inclusive este, do Acemoglu), estas serão reduzidas à metade, no mínimo.
Foi aí que perdi a atitude reverencial que tinha por estes textos.
Passei a lê-los como quem folheia um bom livro de cerca de 200 páginas.
Enfim, passei a pular sem a menor cerimônia as várias partes do livro que simplesmente não me interessam ou não me ajudam a tirar conclusões sobre o assunto que tenho em mente.
Afinal, como Leonardo Monastério bem sugere, Stephen Hawking não precisou mais do que isso para escrever sua obra máxima.
E, cá entre nós, não é pedante intitular um livro com 1.169 páginas como "Introduction to..."?