Pequenas bobagens, grandes economistas (parte II) Leitor, a postagem de hoje é a segunda da série que comenta as opiniões equivocadas de grandes economistas estrangeiros. A ideia é apenas demonstrar que eles cometem erros que se tornam evidentes quando se observa a história econômica recente. Não quero, com isto, descaracterizá-los como grandes economistas que são. Apenas pretendo demonstrar que mesmo os melhores economistas não estão livres de, em determinadas circunstâncias, opinar equivocadamente.
Na edição da Revista da Bovespa de janeiro/março de 2007, o macroeconomista Edmund Phelps, agraciado com o Nobel de 2006, concedeu esta entrevista à jornalista Maria Helena Passos. Antes da crise econômica de 2008 ter ocorrido, Phelps afirmou que os bancos centrais teriam aprendido a lição de não praticarem políticas monetárias francamente expansionistas (políticas monetárias de "dinheiro frouxo", como ele explicou). Atualmente, duas das mais importantes autoridades monetárias do mundo (o Banco Central Europeu e o Fed) adotam políticas monetárias expansionistas que, apesar de utilizarem mecanismos distintos, se mostram como similares e, ao que me parece, não são intertemporalmente inconsistente. Ao contrário. As gestões de Mario Draghi e Ben Bernanke mostram que é bastante considerável o nível de eficiência de suas políticas monetárias (sobretudo quando se leva em conta o alto potencial recessivo das crises financeiras norte-americana e europeia). Abaixo, o trecho da entrevista com as perguntas da jornalista em negrito: "Após 12 anos da adoção de medidas para estabilizar a economia, o Brasil tem inflação controlada e a população não teme uma volta atrás. A âncora cambial que alicerçava esse processo foi abandonada em 1999, elevando o desemprego que oscilou até atingir o ápice em 2001. A perspectiva de eleição de um governo de esquerda fez a taxa de câmbio explodir e, na seqüência da mudança política, os juros aumentaram mais, a despeito de inflação controlada. — Eu me lembro desse absurdo… Depois a taxa de câmbio cedeu, o desemprego encolheu e a expectativa é de inflação estável a um nível reduzido. O País é exemplo da teoria sobre a importância das expectativas quanto à inflação e ao desemprego? — Quando um banco central decide adotar política de dinheiro mais frouxo, para impulsionar a produção e o emprego, inicialmente há um ganho na produção e no emprego, junto com um aumento da taxa de inflação. Mas isso ocorre tendo como dada a inflação esperada. Uma vez que as expectativas quanto à inflação se adaptem a uma taxa inflacionária maior, a curva de Philips mudará por si só, para cima. E você precisará de inflação ainda maior para continuar com esse nível já elevado de desemprego. É uma espiral. E se chega à hiperinflação e à quebra do sistema monetário.Os BCs aprenderam a lição e buscam evitar a política de dinheiro frouxo."
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 11h47
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Tsunami monetário, juros altos e câmbio apreciado As boas notícias das reduções da taxa básica Selic e das taxas bancárias de juros não podem ofuscar uma realidade que muitos parecem esquecer: nossa taxa de real de juro (em torno de 4% ou 4,5% ao ano) ainda é muito elevada. Além disso, ela possui uma espécie de "piso" (a caderneta de poupança) e contribui bastante para a atração de capitais e para a consequente apreciação da taxa de câmbio real. Tudo isto pode ser resolvido, no seu devido tempo, se o governo continuar o seu esforço de: - redução da taxa de juros básica,
- estímulo para a redução dos juros bancários por meio de três dos seus principais agentes financeiros (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o BNDES),
- manutenção de uma condição fiscal estável; e
- política cambial de "flutuação suja" (dirty floating).
Mas é preocupante o fato de o governo ter passado a considerar, nas últimas semanas, que a causa principal da nossa apreciação cambial são as vultosas injeções de liquidez praticadas principalmente pelo Banco Central Europeu e pelo Federal Reserve. A criação de uma expressão de conotação nacionalista - "tsunami monetário" - ajuda a disseminar este diagnóstico equivocado sobre a causa primordial da apreciação do real. Cabe o reconhecimento de que o mix de políticas fiscal, cambial e monetária está correto. Os juros estão em queda, o governo se mostra prudente em sua política fiscal e continua realizando boas intervenções no mercado cambial (a combinação de acúmulo de reservas e a manipulação de alíquotas do IOF sobre operações especulativas no mercado cambial vêm se mostrando positivas). Este mix vem sendo adotado pelo Brasil desde agosto de 2011, quando Alexandre Tombini, presidente do BC, ousou reduzir a Selic, antecipando a desaceleração do PIB em cerca de quatro meses. Mas considerar o "tsunami monetário" como o culpado pela apreciação cambial (em vez de reconhecer que os juros reais elevados são a principal causa da mesma) é menos eficaz do que alterar a fórmula de cálculo da poupança e agilizar das medidas de reforma da previdência que estão para ser votadas no Senado Federal. O governo pode ter, nos próximos meses, as chances de continuar a reduzir o juros reais (hoje em torno de inéditos 4% ao ano), manter a disciplina fiscal, perseverar nas intervenções no mercado cambial (apenas nos primeiros dezoito dias deste mês de abril o BC acumulou cerca de US$ 4,7 bilhões em reservas), instituir um novo mecanismo de remuneração da caderneta de poupança e estimular o Senado a votar a criação dos fundos de previdência dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Pode, enfim, continuar a manter uma política econômica que, na prática, se apresenta como eficaz. Mas o discurso que a emoldura (a hipótese do "tsunami monetário") é anacrônico e baseia-se em um diagnóstico equivocado. Este discurso pode render dividendos políticos. Mas não traz benefício algum em termos econômicos.
Categoria: Economia Monetária e Financeira
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h20
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A questão da caderneta de poupança É bastante oportuno o artigo "Rendimento da Poupança: Nominal x Real", do professor Fernando de Holanda Barbosa. O artigo foi publicado na revista Conjuntura Econômica e está disponível aqui. O próprio governo admite que terá que mexer com a fórmula que calcula a rentabilidade da caderneta de poupança. O problema é que - por se tratar de um assunto arriscado do ponto de vista político, embora essencial do ponto de vista econômico-financeiro - é difícil que, pelo menos neste ano eleitoral, o governo tome a iniciativa de abordá-lo da forma conveniente. Nesse sentido, as propostas sugeridas pelo referido autor são muito bem-vindas para o debate sobre o tema.
Categoria: Economia Monetária e Financeira
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 00h03
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O futuro do passado: antecipando a baixa da Selic No dia 11 de dezembro de 2011, destaquei aqui no blog o artigo de Claudia Safatle, publicado no Jornal Valor Econômico do dia 9 de dezembro. Nele, Armínio Fraga afirmou que "Se tiver sangue frio, a presidente Dilma vai ver no seu governo os juros mais baixos que este país já teve desde sempre, talvez desde a década de 30". O artigo está aqui, na íntegra. Agora, a notícia do jornalista Eduardo Campos - publicada hoje no mesmo jornal - mostra que a queda do IPCA, que abre espaço para juros mais baixos, apenas confirma a tendência verificada por Armínio Fraga e ressaltada aqui no blog. É um balde de água fria na análise de muitos economistas que vociferaram contra a redução da Selic feita pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, no início do segundo semestre do ano passado. Para fazer e analisar política monetária é preciso, como os bons pilotos de F-1, sempre tentar perceber a trajetória da próxima curva. Tombini fez isto e, agora, o país tem a oportunidade histórica de reduzir sua taxa básica de juros. Abaixo a notícia sobre a queda do IPCA. "IPCA reforça tese de Selic abaixo de 9% São Paulo - Uma suspeita que rondava as mesas de operação ontem se confirmou nesta quinta-feira. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de fato, surpreendeu para baixo. A inflação oficial foi de 0,21% no mês passado, contra projeções de 0,40%. Esse comportamento da inflação, aliado aos crescentes esforços do governo para impulsionar a atividade mudaram a perspectiva do mercado. Selic abaixo de 9% voltou com tudo à pauta. A curva futura (formada pelos contratos de juros futuros para os diversos vencimentos) já mostra uma redução de 0,75 ponto percentual no encontro de 18 de abril do Copom e mais uma redução residual no encontro de maio. “Não adianta ir contra. E temos de dar o braço a torcer. O Tombini estava certo e o modelo de inflação do Banco Central está melhor do que o do mercado e melhor do que as coletas diárias, que não captaram tamanho recuo nos preços”, avalia um gestor. Para esse especialista, pode ser que o BC tire da ata do encontro de abril a referência à Selic próxima às mínimas históricas, algo que levou o mercado a colocar 9% como piso, abrindo espaço para uma taxa básica de juros de 8,75% ou mesmo 8,50% ao ano. Inflação pelo IPCA O IPCA acumulado no primeiro trimestre do ano ficou em 1,22%, o que representa 27% do centro da meta para o ano. Em igual período do ano passado, a inflação acumulada fora de 2,44%, ou 54% do centro da meta. Em nota aos clientes, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, aponta que o resultado foi muito bom para o BC, reforçando a sua projeção de desaceleração da inflação no início desse ano e abrindo um bom espaço para o resultado de 2012. Para 2013, os modelos do economista não sofreram alteração, mostrando uma aceleração expressiva da inflação, assim como mostrado nos modelos do BC. Em 12 meses, o IPCA recuou para 5,24%. Leal aponta que essa variação está 0,26 ponto percentual abaixo dos 5,5% previstos pela própria autoridade monetária no último relatório de inflação. Com isso, diz o economista, os números, que já mostravam uma inflação abaixo do centro da meta para o fim do ano, agora devem estar indicando uma inflação ao redor de 4,15%. Juros futuros No mercado de juros futuros, um especialista lista mais um vetor de baixa: a decisão do Banco do Brasil de reduzir taxas de juros e ampliar o crédito disponível para pessoas físicas e pequenas empresas. “Alguém poderia dizer que isso seria negativo para os juros, mas não foi esse o caso. Parte do mercado passou a pensar que o BC não encerrará o ciclo de baixa em 9%. O plano para impulsionar o crescimento parece mais profundo e pode incluir juros menores”, disse. Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio de 2012 registrava alta de 0,01 ponto percentual, a 9,19%. E julho 2012 marcava 8,85%, queda de 0,01 ponto. Entre os vencimentos de médio e longo prazos, janeiro de 2013 operava com baixa de 0,02 ponto, a 8,73%. Janeiro 2014 recuava 0,09 ponto, a 9,28%. Janeiro 2015 também recuava 0,09 ponto, a 9,93%. Janeiro 2016 tinha baixa de 0,11 ponto, a 10,35%. Janeiro 2017 se desvalorizava 0,12 ponto, a 10,54%. E janeiro de 2021 projetava 10,99%, perda de 0,09 ponto. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.008.019 contratos, com giro financeiro de R$ 88,27 bilhões (US$ 48,19 bilhões), queda de 31% sobre o pregão anterior. O vencimento mais líquido do dia foi o janeiro de 2013, com 322.865 contratos negociados e giro de R$ 30,36 bilhões (US$ 16,57 bilhões)."
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 15h41
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Pequenas bobagens, grandes economistas (parte I) Leitor, começo hoje uma série de posts com algumas opiniões equivocadas de grandes economistas estrangeiros. A ideia é apenas demonstrar que eles cometem erros e submeter estas opiniões ao crivo da história econômica. Não quero, com isto, descaracterizá-los como grandes economistas que são. Apenas pretendo demonstrar que mesmo os melhores economistas não estão livres de, em determinadas circunstâncias, opinar equivocadamente. Em uma entrevista concedida à repórter Maria Helena Passos, Merton Miller, Nobel em Economia de 1990 defendeu uma posição que, hoje em dia, soa como arcaica. Fico imaginando o que ele diria hoje sobre a situação grega. O texto foi extraído da Revista da Bovespa, edição especial de dezembro de 1997, páginas 24-27. "As intervenções dos bancos centrais no mercado de câmbio mereceram duras críticas suas no passado. Por quê? - Muitos países, particularmente os pequenos, deveriam se dar conta do que a Argentina percebeu. Deveriam desistir de ter suas próprias moeda e seu câmbio independente. Eles não conseguem lidar com o câmbio e só causam problemas. Mas o mundo está caminhando rapidamente para uma situação onde sobreviverá apenas um número pequeno de moedas independentes. E o papel dos bancos centrais será muito menor. Nos Estados Unidos, as autoridades monetárias aprenderam a dura lição que mostrou que não há razão de ser nas suas ações para tentar estabilizar o câmbio. Essas intervenções no mercado só causam problemas."
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h57
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Questões sobre a apreciação cambial As principais autoridades monetárias do mundo desenvolvido (o Banco Central Europeu, o Federal Reserve, o Banco da Inglaterra e o Banco Central do Japão) estão realizando “hiperinjeções” monetárias em suas economias com a intenção de, por meio de políticas monetárias expansionistas, induzirem as mesmas a um maior nível de crescimento. O excesso de moeda destes países acaba migrando para oportunidades de investimento em países emergentes. Como o Brasil possui alta taxa de juros reais e empresas baratas em seu mercado de ações, acaba atraindo muitos investimentos. De qualquer modo, ainda que seja melhor resolver um problema de excesso de ingresso de recursos estrangeiros do que administrar a sua falta, como fizemos durante o período 1983-1995, a taxa de câmbio apreciada reduz a competitividade das empresas exportadoras. Assim, quando a taxa de câmbio cai muito, ressurge a discussão sobre a possibilidade de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre algumas transações que envolvam capitais estrangeiros. Este aumento, em tese, eleva o custo destas transações a um nível que inibe, pelo menos no curtíssimo prazo, especulações no mercado cambial. Esta medida é válida. Mas o problema com ela é que os especuladores desenvolvem inovações nos contratos financeiros que contornam a elevação de impostos. Sabendo disto, o governo tenta surpreendê-los, para que a medida surta efeito por mais tempo. Como uma parte expressiva do capital estrangeiro é proveniente de investimentos diretos estrangeiros (IDE) e de financiamentos de longo prazo (títulos emitidos por empresas sediadas no Brasil), algumas questões incômodas surgem, tais como: • qual deve ser o tamanho do aumento da alíquota do IOF? Se ela for muito alta, ela pode gerar instabilidade na taxa de câmbio. Se for baixa, os especuladores cambiais a driblam e voltam, após algum tempo, à carga.
• como controlar capitais quando empresas e governo precisam de investimentos estrangeiros em infra-estrutura para fazer frente à eventos como Olimpíadas e Copta do Mundo. Ou quando a Petrobrás precisa de mais capital estrangeiro para explorar o pré-sal? Ou ainda quando a Vale precisa ampliar seus investimentos no exterior (o governo é o principal acionista desta empresa)? É na resposta a estas questões que o debate emperra e não avança.
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h22
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Krugman e o produto potencial dos EUA Krugman recoloca as coisas em seu devido lugar e faz picadinho da falácia de que a bolha imobiliária norte-americana reduziu permanentmente o produto potencial dos EUA. O artigo, publicado no New York Times, é "Bubbles and Economic Potential".
A economia é a ciência mais assediada por falácias, como dizia Henry Hazzlitt. Cabe ao bom economista identificar suas fraquezas ou, no mínimo, não deixar que elas turvem sua visão.
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 13h41
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Mudança na política cambial do BC Ontem a taxa de câmbio (R$/US$) beirou R$1,70 e o Banco Central voltou a comprar dólares nos leilões à vista. É possível que este seja o novo piso informal com o qual o pessoal da política cambial do BC trabalhe. De qualquer modo, a apreciação do real neste início de ano veio forte, junto com o protecionismo e a queda do saldo comercial.
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 16h18
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Cenário positivo aprecia o câmbio e anima Bolsas O mês de janeiro terminou com menor incerteza do que a apresentada no último trimestre de 2011. Os indicadores econômicos de países como EUA, China, Alemanha e França animaram os mercados financeiros internacionais. Se a crise do euro ainda não terminou, há sinais de melhora na economia internacional. Ainda que Grécia e Portugal possam apresentar, nas próximas semanas uma situação de default de suas dívidas soberanas já não existe temor a respeito de uma possível crise de insolvência dos bancos europeus. Ao contrário, a situação de liquidez das finanças internacionais melhorou no mês passado. O Banco Central Europeu promoveu empréstimos com juros de 1% a.a. para bancos europeus. Cerca de meio trilhão de euros para mais de 500 instituições bancárias. Uma injeção de liquidez que pode ser apenas a primeira de outras que poderão vir. O Federal Reserve também realiza uma política monetária expansionista, com juros reais negativos e com a continuidade da política de resgate de títulos do tesouro norte-americano. Maior liquidez no mercado internacional, juros internacionais no piso e países desenvolvidos com economias em compasso de espera são fatores que motivam maiores investimentos no Brasil, com reflexos na apreciação de nossa taxa de câmbio (7,8%, em janeiro) e na valorização de ações das principais empresas da Bovespa (11,1%, no mesmo mês). Ajuda também o os fatos de que nossos juros reais ainda são muito elevados (o que atrai capital), de termos uma das menores taxas de desemprego do G-20 e de havermos crescido mais de 2,5% no ano passado. Contudo, embora as exportações tenham crescido 26,8% no ano passado, janeiro registrou déficit comercial de US$ 1,3 bilhão e mostrou notícias sobre práticas protecionistas na América Latina.
Categoria: Economia Monetária e Financeira
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 22h54
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Vereadores e deputados
"O Financial Times concorda plenamente comigo. Quando vocês reclamam aí nesses jornalecos que o vereador tal GANHA um despropósito e o deputado tal GANHA uma enormidade, vocês estão completamente errados, fazendo acusação injusta - pra menos. Eles não GANHAM nada. RECEBEM." Autor: Millôr Fernandes - jornalista, humorista, dramaturgo, tradutor e artista plástico brasileiro. Extraído dos seus "Apotegmas do vil metal".
Categoria: Notícia, citações e humor
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 16h32
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A Justiça deve equilibrar mérito e necessidades A queda do Edifício Liberdade, o mensalão, os escândalos de corrupção em ministérios, os grampos no Supremo Tribunal Federal, a proliferação de dossiês, o hábito generalizado de acusar sem provas, tudo isto coloca uma velha e importante questão sob debate: a impunidade.
Não sou jurista para emitir uma opinião abalizada sobre a eficiência do poder judiciário, mas basta ser cidadão para perceber o grave clima de impunidade que reina no país. Há uma área que cresce em importância no país: a análise microeconômica do Direito ou "law and economics". A preocupação com a eficiência das instituições é uma característica da Microeconomia (o leitor interessado pode consultar os trabalhos clássicos de Douglass North e Ronald Coase).
Abaixo, sobre o assunto, reproduzo um trecho do poema do economista Kenneth Boulding, que citei em um post passado aqui no blog. Reproduzo o original em inglês e uma tradução minha para o português. A propósito, estes poemas estão no livro "Principles of Economic Policy", quarta edição, de 1964, Editora Prentice Hall. No Brasil este livro foi publicado em 1967 pela editora Mestre Jou. "Democracies can not afford To let injustice be ignored Though it might cause them some surprise To find just where injustice lies We know less clearly what is meant
By Justice than by Discontent And so the search for Justice leads To balancing Desert with Needs." Minha tradução livre do poema (diferente da tradução original de Luiz Aparecido Caruso): Democracias não podem se dar ao luxo De ignorar a injustiça, Embora elas possam se surpreender Ao conhecerem sua real morada. Sabemos menos o que é a Justiça do que é a Insatisfação E assim a busca da Justiça leva Ao equilíbrio entre Mérito e Necessidades. Pelo poema de Boulding, conclui-se: uma democracia sem sistema jurídico que equilibre mérito e necessidades não pode ser chamada de democracia.
Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 16h17
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O futuro do passado: dependência da poupança externa Primeiro, o gráfico:

Agora, o texto: em 07/03/2010, há quase dois anos atrás, publiquei aqui no blog o texto "Precisaremos de Poupança Externa" (reproduzido, na íntegra, abaixo). Nesta data, o saldo em transações correntes (ou poupança externa em porcentagem do PIB), era de 1,52%. Pois é, no ano passado este saldo atingiu 2,26, conforme mostra o gráfico acima. Não há problema algum em financiar o desenvolvimento com base em poupança externa, desde que o nível de investimento suba junto com o financiamento externo (o que não tem ocorrido). Convém dizer também que, embora o volume de reservas seja recorde, o cenário internacional está conturbado e não há motivo para manter um nível tão elevado de taxa real de juros. Juros reais altos estimulam o ingresso de capitais estrangeiros de curto de prazo e desestimulam o investimento privado (duplo efeito negativo sobre os fundamentos macroeconômicos). É triste dizer isto, mas outra vez poderemos repetir um erro comum do passado: dependermos de poupança externa, enquanto mantemos taxas medíocres de investimento. Abaixo, o texto a que me referi: "O processo de crescimento brasileiro nos próximos anos pode ser pautado novamente pela necessidade de poupança externa. A história do financiamento do crescimento brasileiro mostra que durante vários períodos dependemos do financiamento externo (seja na forma de capital de empréstimos bancários, intergovernamentais, investimentos diretos ou, mais recentemente, de investimentos em portfólio). Produzir poupança interna realmente nunca foi o nosso forte (comentei sobre isto em posts anteriores). Daí, para crescermos, temos a necessidade de obter financiamento pela geração de déficits nas transações correntes. A Carta do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro), publicada na revista Conjuntura Econômica de fevereiro, analisa este assunto. Abaixo, reproduzo o trecho inicial do artigo. "O financiamento internacional é inevitável, o que determina a necessidade de ajustes internos Como já foi abordado em Cartas do Ibre recentes, o Brasil é um país cuja baixa poupança doméstica parece sedimentada em escolhas político-eleitorais, realizadas em um ambiente democrático, e que não são facilmente reversíveis. Um sistema de Previdência generoso — com regras que garantem a aposentados e pensionistas o repasse dos ganhos de produtividade dos trabalhadores da ativa — é um dos principais fatores que explicam a baixa propensão a poupar dos brasileiros.1 Essa é uma questão que pode ser trabalhada por políticas públicas específicas, nas áreas fiscal e previdenciária, mas seria irrealista supor que a economia política que levou a um progressivo aumento das benesses concedidas pelo poder público vá ser radicalmente modificada de uma hora para a outra.
Dessa forma, é razoável trabalhar com um cenário em que a baixa poupança das famílias é um dado da realidade nacional de difícil alteração, ao menos no curto e no médio prazo. Isso não significa negar a importância de medidas de política econômica que estimulem a poupança e mitiguem as limitações ao crescimento que aquela característica poderia eventualmente acarretar, mas apenas reconhecer que uma revolução nesse campo não está no horizonte. O corolário disso é que há necessidade de poupança externa para financiar o crescimento brasileiro. A atual expectativa, com a vigorosa retomada da economia desde meados do ano passado, é de que o país irá conviver muitos anos com déficits em transações correntes elevados, supondo — como já foi mencionado — que o atual equilíbrio político seja mantido. (continua no site da Revista Conjuntura Econômica). 1 A Carta do Ibre de dezembro de 2009 apresenta uma análise do efeito do modelo previdenciário brasileiro sobre a taxa de poupança."
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h05
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Discurso de paraninfo da turma de Ciências Econômicas de 2010 - UFPel Há quase um ano atrás escrevi este discurso de paraninfo para a turma de 2010 do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Para esta saudosa turma, reproduzo aqui no blog o discurso que escrevi e proferi na ocasião.
"Inicialmente, gostaria de saudar o Magnífico Reitor da Universidade Federal de Pelotas representado nesta noite pelo prof. Ernani Ávila e saudar todos os demais professores aqui presentes, os formandos de nossa turma de Ciências Econômicas , seus familiares, seus entes queridos e amigos. Me sinto honrado pelo convite para ser paraninfo feito, em nome da turma, pelas alunas Flávia Katrein e Elaine. Quero agradecer a toda turma de formandos por terem, por esse gesto, reconhecido a qualidade do meu trabalho. Qualidade que não teria sido a mesma se não houvesse a inteligência, a simpatia, a colaboração e a capacidade de trabalho de todos os formandos, dos professores e do secretário do departamento de Economia, aqui presentes.
Meus afilhados, vocês sabem que a formatura é, além da conquista de uma meta pessoal almejada, o fruto do vosso esforço e da ajuda de vossos pais, amigos, esposas, esposos, filhos e entes queridos. Uma conquista desejada e lapidada pelo vosso trabalho diário e pelo apoio das pessoas que são importantes nas vossas vidas. Parabéns a todos vocês pela conquista. Cabe a mim, como paraninfo, dizer algumas breves palavras de aconselhamento e estímulo. Mas o meu forte não é aconselhar. Gostaria apenas de dizer que creio que em qualquer circunstância, no êxito ou no fracasso, é fundamental sempre pensar nos outros. Nada é tão importante na vida quanto as relações humanas. A Economia é uma ciência social com bases científicas que foram consolidadas no estudo do comportamento humano. Para viver plenamente e desfrutar destas relações humanas é preciso praticar a tolerância. É necessário saber ouvir e compreender opiniões contrárias e modos diferentes de pensar. Também é fundamental ser justo. Nunca conheci nenhum profissional de valor, nenhuma pessoa de valor que não praticasse a justiça. Já foi dito que o Brasil não é um país pobre, mas é um país injusto. Assim, em um país como o nosso, é preciso ser capaz de dar a cada um aquilo que lhe pertence por mérito, por direito, de acordo com diz a lei e a nossa consciência. Finalmente, é vital que se pratique a Ética. A prática da Ética é a moral. E moral poderá criar um país melhor para as gerações futuras. Mas estes são apenas alguns conselhos vagos de um professor de Economia. Como já disse, meu forte não é aconselhar. Por isso, recorro à ajuda das palavras do poeta inglês Rudyard Kipling. Em seu poema, cujo título é “Se”, ele soube expressar muito melhor do que eu como se vive plenamente a tolerância, a justiça e a ética nas relações humanas.
Diz o poeta:
“Se és capaz de manter a tua calma quando Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa; De crer em ti quando estão todos duvidando, E para esses no entanto achar uma desculpa; Se és capaz de esperar sem te desesperares, Ou, enganado, não mentir ao mentiroso, Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, E não parecer bom demais, nem pretensioso; Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires; Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires Tratar da mesma forma esses dois impostores; Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas Em armadilhas as verdades que disseste, E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas, E refazê-las com o bem pouco que te reste; Se és capaz de arriscar numa única parada Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida, E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, Resignado, tornar ao ponto de partida; De forçar coração, nervos, músculos, tudo A dar seja o que for que neles ainda existe, E a persistir assim quando, exaustos, contudo Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!"; Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes E, entre reis, não perder a naturalidade, E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, Se a todos podes ser de alguma utilidade, E se és capaz de dar, segundo por segundo, Ao mínimo fatal todo o valor e brilho, Tua é a terra com tudo o que existe no mundo E o que mais — tu serás um ser humano, ó meu filho!”
Que vocês, meus queridos afilhados, possam viver plenamente as relações humanas que já existem e as que existirão em suas vidas.
E que sejam muito felizes e tenham saúde, paz e sucesso.
Muito obrigado."
Categoria: Notícia, citações e humor
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 18h43
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É a competitividade! Diz a Standard & Poor`s Como foi noticiado, a agência de classificação de riscos Standard & Poor`s (S&P) rebaixou o rating da dívida soberana de nove países europeus. A área do euro possui 17 países, dos quais nove tiveram notas referentes à qualidade de suas dívidas soberanas rebaixadas na sexta-feira passada. Foram rebaixadas em dois graus as notas de Itália, Espanha, Portugal e Chipre e em um grau as notas da França, Áustria, Malta, Eslováquia e Eslovênia. Este rebaixamento, contudo, não causou maiores estragos. A ação do Banco Central Europeu (BCE), que vem resgatando maciçamente títulos públicos de alguns destes países (conforme postagem anterior) contribuiu para amenizar os ânimos. Ajudou também o fato de que a notícia não foi nenhuma surpresa para os mercados financeiros internacionais. Eles anteciparam a notícia.
A S&P apontou a falta de compromissos críveis articulados entre as autoridades dos governos europeus, a troika (FMI, Banco Mundial e BCE) e as instituições financeiras dos países da área do euro. É difícil obter uma articulação institucional que leve a um grau mínimo de consenso quando existem assimetrias importantes nos balanços de transações correntes dos países do bloco. Mas o que causa tais assimetrias? O que faz a Alemanha e a Holanda, por exemplo, apresentarem contas externas saudáveis enquanto outros países não conseguem isto?
A razão está na disparidade entre os graus de competitividade existentes entre as empresas dos países da União Europeia. Além disso, as empresas europeias são menos competitivas do que as norte-americanas e a dos países asiáticos. Os bancos europeus são menos competitivos do que os maiores bancos brasileiros. Observa-se isto quando se compara, por exemplo, a produtividade das empresas portuguesas versus as alemãs, gregas versus suecas e cipriotas versus holandesas. Se compararmos, por setor, a produtividade de empresas europeias versus empresas norte-americanas, sul-coreanas e japonesas, também comprovaremos disparidade.
A Alemanha, a Suécia e a Holanda se situam na Europa Setentrional, enquanto Portugal, Grécia e Chipre (e também outros países com notas rebaixadas, como Itália e Espanha) possuem a maior parte de seus territórios na Europa mediterrânea. Alguns economistas se perguntam: por que os países nórdicos e da Europa setentrional (à exceção da Áustria) possuem melhores ratings e níveis de competitividade do que os países situados na porção merdional? Há os que mencionam que os salários reais destes países são menores, considerando suas rendas per capita, do que os daqueles outros países citados. Outros apontam que a propensão marginal a poupar destes países é maior do que a daqueles. Há quem veja empresas mais inovadores no norte do que no sul da Europa. Mas o debate está aberto, pois não ainda há consenso sobre o assunto.
De qualquer modo, as dificuldades de equacionamento do grau de endividamento nos setores público e nos setores bancários existentes nos nove países são, para a S&P, apenas efeitos secundários desta disparidade do grau de competitividade.
Assim sendo, a solução para uma crise localizada nas finanças públicas e no setor financeiro europeu seria a implementação de políticas que levem a um “choque de produtividade” (leia-se: redução de custos) nas empresas do velho continente. O paradoxal é que o diagnóstico da falta de produtividade das empresas europeias não é um tema novo para os estudiosos na economia internacional e industrial. Mas só agora, após o rebaixamento da S&P, ele pode vir a merecer políticas mais adequadas.
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h46
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A política do BCE e a valorização do real
Na sexta-feira passada a Standard & Poor`s (S&P) reduziu o rating da França e de outros oito países da área do euro. O mercado financeiro em geral e o mercado europeu de títulos, em particular, vinham apresentando moderada, porém segura, recuperação. Desde novembro passado, quando o italiano Mario Draghi assumiu o comando do Banco Central Europeu (BCE), esta instituição passou a aumentar as operações de resgate dos títulos da Itália e da Espanha negociados no mercado secundário. Com o aumento da demanda por tais títulos, elevaram-se também os seus yields (rendimentos). Como os juros estão baixos (em torno de 1% ao ano), o aumento dos yields destes títulos (alguns pagam mais de 7% ao ano) fizeram com que as instituições bancárias retomassem suas aplicações neste tipo de ativo. A pura melhora da relação risco/retorno destes títulos fez com que a ação do BCE surtisse efeito por algum tempo. Melhoraram as condições de captação de recursos para financiamento das dívidas de países como Alemanha (sim, até ela teve dificuldades), Itália e Espanha. Aliado à estas ações no mercado de títulos, o BCE continuou a utilizar medidas expansionistas de política monetária (entre elas o repasse para os bancos europeus de mais de 800 bilhões de euros nos últimos dois anos). Se a operação de injeção de liquidez nos bancos norte-americanos ainda é questionada (como prova movimentos como o “ocupem Wall Street”), do outro lado do Atlântico o BCE implementa operação semelhante junto aos bancos da área do euro. Abaixo dos trópicos, no Brasil de 1995, o governo de Fernando Henrique Cardoso fez a mesma coisa e sofreu oposição duríssima. Apesar do pouco apelo político de tais medidas, o BCE age corretamente, assim como o Fed e o Bacen agiram nas crises de 2008 e 1995, respectivamente. Em política econômica a urgência imposta por algumas situações críticas muitas vezes exige pragmatismo e flexibilidade dos policy-makers.
Draghi demonstrou, apesar do pouco tempo como chairman do BCE, tais qualidades. A crise da dívida dos países europeus é bancária e governamental. Em alguns países a iliquidez se concentra no setor bancário. Em outros o endividamento público é maior. Como o BCE não pode reduzir diretamente a dívida dos Tesouros dos países área do euro, sobra a alternativa de remediar o endividamento das instituições bancárias europeias. Assim, a operação de refinanciamento das dívidas bancárias conduzida pelo BCE é importante para a retomada da economia europeia. A questão é que tal política de expansão monetária implica em depreciação do euro em relação ao dólar e ao real. A taxa de câmbio real/dólar já subiu mais de 4% apenas neste início de janeiro. Tudo indica que, em breve, teremos um real mais forte. Se estivéssemos com a inflação sob controle, teríamos um espaço ainda maior para a redução da taxa Selic (pois tal redução aliviaria a pressão altista sobre a taxa real de câmbio). O problema é que isto não ocorre. Assim, o que o ministro Guido Mantega chama de guerra cambial é o resultado de políticas temporalmente consistentes de expansão monetária promovida pelo BCE e pelo Fed (em sua política de “afrouxamento monetário quantitativo”) associada à impossibilidade de reduzirmos mais rapidamente a taxa básica de juros (há, ainda, o problema da caderneta de poupança indexada, de que já tratei em 2009 e que agora volta a ser discutido).
O governo terá que lidar novamente com a tendência de valorização, a curto prazo, do real, uma vez que o rebaixamento do rating da dívida dos referidos países pela S&P reforça a política do BCE de resgatar mais títulos governamentais e de aumentar ainda mais a liquidez dos bancos privados europeus.
Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 17h30
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