Vincent Conitzer

 

O departamento de Ciência Computacional da Universidade de Duke, na cidade de Durham (NE da Inglaterra) disponibiliza, em inglês, o curso de Introdução à Economia Computacional de Vincent Conitzer

A página do curso possui apresentações em ppt, arquivos em pdf e guias para entender a linguagem utilizada em modelagem computacional.

 



Categoria: Economia Computacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 14h03
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Política industrial: vertical ou horizontal?

 

Há um falso e velho debate que contrapõe alguns economistas defensores de uma política industrial "vertical" (que beneficia com empréstimos a juros baixos direcionados a alguns setores específicos, considerados como estratégicos) e outros economistas que advogam uma política econômica "horizontal" (que beneficie todos os setores, de forma indistinta).

É o tipo de debate que simplifica uma questão complexa (um erro às vezes pior do que dificultar uma questão simples).

Sobre o assunto, me recordo de uma resposta que Stiglitz deu à uma pergunta feita por um jornalista brasileiro de uma conceituada revista de negócios.

Isto ocorreu em 1999, cerca de dois anos antes de ele ganhar o Prêmio Nobel (junto com Akerlof e Spence).

O jornalista perguntou se o uso de políticas industriais seriam adequadas ao caso brasileiro.

A resposta de Stiglitz revelou um certo espanto quanto à obviedade da pergunta: "Claro que sim, por que não?".

Alguns economistas que consideram que as chamadas políticas horizontais, que beneficiam todos os setores ao mesmo tempo, seriam mais eficazes do que a definição de setores prioritários para o investimento público.

Em geral, são economistas pertencentes às tradições neoclássica, novo-clássica ou liberal.

Outros economistas, em geral keynesianos, defendem que a política industrial deve ser vertical e beneficiar setores estratégicos, capazes de ampliar as economias de escala, as externalidades de rede e as economias de escopo dos mercados mais relevantes (em termos de geração de emprego, capacidade inovadora ou potencial exportador).

As críticas dos primeiros citados à essa visão em geral centram-se nas questões referentes aos efeitos colaterais do "rent-seeking", das políticas de "escolha dos campeões" e do uso político de tais investimentos públicos (temas atuais nas discussões do papel do BNDES).   

Mas o assunto deste artigo não é o BNDES e sua falta de transparência, mas o que preconiza a teoria da política econômica sobre a políticas industriais horizontais e verticais.

Assim, sabe-se uma política industrial que eleja alguns setores-chave (sem "escolha de campeões", mas de forma transparente e complementar aos bancos privados),  não exclui a necessidade de uma política econômica horizontal.

Na dúvida entre optar entre uma e outra, contudo, convém ficar com as políticas horizontais que melhorem a infra-estrutura, reduzam a burocracia, aumentem a segurança jurídica, aprimorem a capacidade inovadora e,  finalmente, melhore o que se convencionou chamar de ambiente de negócios.Na situação brasileira atual, de forte restrição fiscal, convém optar pela segunda, que pressupõe reformas liberalizantes. 

No entanto, as duas políticas, se bem implementadas, podem coexistir e gerar sinergias entre si. A Coréia do Sul, o Japão, a França, a Finlândia, a Suécia, a Alemanha e mesmo a China combinaram políticas industriais verticais com políticas econômicas horizontais (sobre o assunto, o leitor pode consultar os livros "Kicking Away the Ladder", de Ha-Joon Chang, e "A Vantagem Competitiva das Nações", de Michael Porter).

Ricardo Haussman, um renomado especialista em política industrial, também adota esta posição.

Haussman é um economista que já foi formulador de política industrial e que hoje leciona em Harvard. Foi ministro da Coordenação e Planejamento da Venezuela no início dos anos 90 e pesquisou profundamente as cadeias produtivas da América Latina.

Cabe uma citação de Haussman, para o qual uma política industrial legítima para o restante da sociedade não diretamente beneficiada por ela, é aquela que atende aos seguintes requisitos:

O primeiro é que se foque em atividades exportadoras e não em favor de um concorrente específico do mercado interno que indique uma prática protecionista. Além disso, requer certos princípios, como o da arquitetura aberta, no qual o governo tem de estar disposto a falar com a sociedade de acordo a como ela esteja disposta a se organizar e não somente com os grandes grupos, com associações organizadas. Em segundo lugar, o governo tem de melhorar sua participação em áreas de sua responsabilidade como o direito à propriedade , marcos regulatórios, sistemas de certificação, infra-estrutura, política de apoio às universidades etc”.

O primeiro critério de Haussman (o foco em atividades exportadoras) depende de uma taxa de câmbio minimamente competitiva, do crescimento da demanda mundial, de investimentos (em infra-estrutura, logística e P&D), da redução da burocracia aduaneira e de um maior grau de abertura econômica. A taxa de câmbio pode até ser um instrumento meramente acessório quando as outras condições citadas são favoráveis.

O atingimento do segundo critério de Haussman é muito mais complexo e envolve o lento aprimoramento da eficácia dos arranjos institucionais. Esse é o único  caminho para um melhor ambiente para os negócios. Tal aprimoramento está associado à uma reforma política que permitiria maior velocidade na aprovação de medidas de modernização dos sistemas tributário e previdenciário.

A concessão de financiamentos de longo prazo a taxas menores para empresas dos setores exportadores e mais competitivos, tal como tem feito o BNDES, é um instrumento que não deve ser descartado. Todavia, trata-se de um mecanismo acessório e não estruturante (como seriam as reformas capazes de criar um melhor ambiente de negócios que beneficiasse todas as empresas).  O instrumento dos empréstimos direcionados de longo prazo é necessário para a sustentabilidade do crescimento brasileiro. Todavia, ele não é o instrumento suficiente para garantir esta sustentabilidade, de acordo com os dois critérios definidos por Haussman.

Enfim, o que turva esse importante debate é a postura de, por um lado, economistas francamente contrários às políticas de empréstimos do BNDES (sim, também acredito que houve excessos críticos, sobretudo pela falta de transparência,  nos últimos anos, mas é pouco razoável pensar em política industrial sem os financiamentos do BNDES) e, por outro, economistas que superestimam o papel desse banco de desenvolvimento que, por importante que seja, não pode se constituir em monopolista do fornecimento de créditos de longo prazo ao setor produtivo.

Assim, o ponto mais importante do debate, que a complementaridade entre as duas políticas, fica obscurecido pela ideologização dos temas aqui mencionados. 



Categoria: Política econômica
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h31
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Ser economista

 

 

"O ferramental teórico do economista é útil para todo tipo de profissional, mas não me parece haver dúvida de que a formação do economista, o interesse primordial de quem quer ser economista, está em compreender e colaborar para a melhor organização da sociedade e satisfazer as necessidades das pessoas."

André Lara Resende (nascido em 1951), economista brasileiro que foi um dos formuladores do Plano Real.

 



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h35
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Definição alternativa de inflação

 

 

“Inflação é quando você paga cinquenta dólares por um corte de cabelo de dez dólares pelo qual você costumava, quando tinha cabelo, pagar cinco. “ 

Sam Ewing (1921-2001), escritor e jornalista norte-americano.

 



Categoria: Política econômica
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h34
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Crise moral

 

 

“Aqueles que acreditam que a democracia liberal e o livre mercado podem ser defendidos apenas pela força da lei e da regulação, sem um senso internalizado de dever e moralidade, estão tragicamente errados.”

Lord Jonathan Henry Sacks (nascido em 1948), rabino inglês.

 



Categoria: Finanças comportamentais
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h31
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Política x Economia = Intenções x Decisões

 

 

“A política contenta-se com as boas intenções. A economia não abre mão de boas decisões.”

Robert Solow (nascido em 1924) - economista norte-americano.

 



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h30
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A Economia dos incentivos

 

 

"A maior parte da Economia pode ser sintetizada em quatro palavras: 'As pessoas respondem aos incentivos'. Tudo o mais são apenas comentários". 

Steven Landsburg (nascido em 1954), economista norte-americano, professor na University of Rochester, em Rochester, New York.

 



Categoria: Finanças comportamentais
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h28
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A Lei de Murphy da política econômica

 

 

“A Lei de Murphy da política econômica: os economistas têm pouca influência sobre a política econômica onde eles sabem muito e concordam bastante; eles têm muita influência sobre a política econômica onde eles sabem pouco e discordam de modo veemente.”

Alan S. Blinder (nascido em 1945) - economista norte-americano especialista em economia monetária.

 



Categoria: Política econômica
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h26
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O futuro do presente

 

 

“Uma das regras mais importantes que eu tento lembrar quando faço previsões econômicas é que qualquer coisa que está para acontecer está acontecendo desde já". 

Sylvia Porter (1913-1991), economista e jornalista norte-americana.

 



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h21
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A sabedoria de Simonsen

 

 

“Em teoria econômica, o que não é óbvio é quase sempre besteira” 

Mário Henrique Simonsen - economista, professor, consultor e banqueiro (1935-1997).

 



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h19
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Previsões econômicas

 

 

"Todos haverão de concordar que a economia, da maneira como é praticada, preocupa-se obsessivamente com o futuro. A cada mês nos Estados Unidos, homens e mulheres reconhecidamente cultos e inteligentes espalham-se pela nação para apresentarem suas opiniões sobre as perspectivas econômicas e também sobre o panorama político e social. Milhares lhes darão ouvidos. Os administradores e suas empresas pagarão caro pelo privilégio de conhecerem estas visões e, se forem sábios, tratarão os conhecimentos assim adquiridos com inteligente descrença. A qualificação mais comum dos prognosticadores econômicos não é o saber, mas sim o não saberem que nada sabem. Seu maior trunfo é que todas as previsões, certas ou erradas, são logo esquecidas. Há por demais delas e, se o lapso de tempo for suficiente, não só a memória do que foi dito terá desaparecido, como também desaparecerão um número considerável daqueles que fizeram ou ouviram tais prognósticos. Como observou Keynes: 'A longo prazo estaremos todos mortos.' "

John Kenneth Galbraith (1908-2006), economista canadense.

 



Categoria: Política econômica
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h14
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Keynes e as decisões econômicas

 

"O que apenas desejamos lembrar é que as decisões humanas que envolvem o futuro, sejam elas pessoais, políticas ou econômicas, não podem depender da estrita expectativa matemática, uma vez que as bases para realizar semelhantes cálculos não existem e que o nosso impulso inato para a atividade é que faz girar as engrenagens, sendo que a nossa inteligência faz o melhor possível para escolher o melhor que pode haver entre as diversas alternativas, calculando sempre que se pode, mas retraindo-se, muitas vezes, diante do capricho, do sentimento ou do azar."

John Maynard Keynes (1886-1946), economista inglês.

 



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h10
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Déficits

 

"O Natal é uma época na qual as crianças dizem ao Papai Noel o que elas querem e os adultos pagam por isto. Os déficits ocorrem quando os adultos dizem ao governo o que eles querem e suas crianças pagam por isto."

Richard Douglas "Dick" Lamm (nascido em 1935), político e professor universitário norte-americano. Foi governador do estado do Colorado.



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h08
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Consumo, poupança e investimento

 

"Para produzir bens de capital, as pessoas devem renunciar à oportunidade de produzir bens de consumo corrente. As pessoas podem escolher se querem gastar seu tempo colhendo maçãs ou plantando macieiras.No primeiro caso, há mais maçãs hoje, no segundo, mais maçãs amanhã."

Steven Landsburg, economista norte-americano nascido em 1954 (trecho extraído de Price Theory and Applications, 1992), p. 581.

 



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h49
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Bons e maus economistas, por Fréderic Bastiat

 

"Na esfera econômica um ato, um hábito, uma instituição ou uma lei geram não só um efeito, mas uma série deles. Desses efeitos, o primeiro é apenas o mais imediato, se manifestando simultaneamente com a causa e sendo visível. Os outros aparecem sucessivamente e não são visíveis no presente, sendo necessário que sejam antecipados. Toda a diferença entre um mau e um bom economista é esta: um se limita a perceber o que é visível; o outro leva em conta os efeitos visíveis e também os que podem ser esperados." 

Frédéric Bastiat (1801-1850), economista e jornalista francês.



Categoria: Citações e notícias
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 19h42
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