Discurso de paraninfo da turma de Ciências Econômicas de 2010 - UFPel

 

Há quase um ano atrás escrevi este discurso de paraninfo para a turma de 2010 do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Para esta saudosa turma, reproduzo aqui no blog o discurso que escrevi e proferi na ocasião.  

"Inicialmente, gostaria de saudar o Magnífico Reitor da Universidade Federal de Pelotas representado nesta noite pelo prof. Ernani Ávila e saudar  todos os demais professores aqui presentes, os formandos de nossa turma de Ciências Econômicas , seus familiares, seus entes queridos e amigos.

Me sinto  honrado pelo convite para ser paraninfo feito, em nome da turma, pelas alunas Flávia Katrein e Elaine.  Quero agradecer a toda turma de formandos por terem, por esse gesto, reconhecido a qualidade do meu trabalho. Qualidade   que não teria sido a mesma se não houvesse a inteligência, a simpatia, a colaboração e a capacidade de trabalho de todos os formandos, dos professores e do secretário do departamento de Economia, aqui presentes.  

Meus afilhados, vocês sabem que a formatura é, além da conquista de uma meta pessoal almejada, o fruto do vosso esforço e da ajuda de vossos pais, amigos, esposas, esposos, filhos e entes queridos. Uma conquista desejada e lapidada pelo vosso trabalho diário e pelo apoio das pessoas que são importantes nas vossas vidas.
Parabéns a todos vocês pela conquista.

Cabe a mim, como paraninfo, dizer algumas breves palavras de aconselhamento e estímulo.

Mas o meu forte não é aconselhar. 

Gostaria apenas de dizer que creio que em qualquer circunstância, no êxito ou no fracasso, é fundamental  sempre pensar nos outros.

Nada é tão importante na vida quanto as relações humanas. A Economia é uma ciência social com  bases científicas que foram consolidadas no estudo do comportamento humano.

Para viver plenamente e desfrutar destas relações humanas é preciso praticar a tolerância.  É necessário saber ouvir e compreender opiniões contrárias e modos diferentes de pensar.

Também é fundamental ser justo. Nunca conheci nenhum profissional de valor, nenhuma pessoa de valor que não praticasse a justiça. Já foi dito que o Brasil não é um país pobre, mas é um país injusto. Assim, em um país como o nosso, é preciso ser capaz de dar a cada um aquilo que lhe pertence por mérito, por direito, de acordo com diz a lei e a nossa consciência.

Finalmente, é vital que se pratique a Ética. A prática da Ética é a moral. E  moral poderá  criar um país melhor  para as gerações futuras.

Mas estes são apenas alguns conselhos vagos de um professor de Economia. Como já disse, meu forte não é aconselhar.

Por isso, recorro à ajuda das palavras do poeta inglês Rudyard Kipling. Em seu poema, cujo título é  “Se”, ele soube expressar muito melhor do que eu  como se vive plenamente a tolerância, a justiça e a ética nas  relações humanas.

Diz o poeta:

“Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires;
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais — tu serás um ser humano, ó meu filho!”

Que vocês, meus queridos afilhados, possam viver plenamente as relações humanas que já existem e as que existirão em suas vidas.

E que sejam muito felizes e tenham saúde, paz e sucesso.

Muito obrigado."

 



Categoria: Notícia, citações e humor
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 18h43
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É a competitividade! Diz a Standard & Poor`s

 

Como foi noticiado, a agência de classificação de riscos Standard & Poor`s (S&P) rebaixou o rating da dívida soberana de nove países europeus.

A área do euro possui 17 países, dos quais nove tiveram notas referentes à qualidade de suas dívidas soberanas rebaixadas na sexta-feira passada. Foram rebaixadas em dois graus as notas de Itália, Espanha, Portugal e Chipre e em um grau as notas da França, Áustria, Malta, Eslováquia e Eslovênia.

Este rebaixamento, contudo, não causou maiores estragos. A ação do Banco Central Europeu (BCE), que vem resgatando maciçamente títulos públicos de alguns destes países (conforme postagem anterior) contribuiu para amenizar os ânimos. Ajudou também o fato de que a notícia não foi nenhuma surpresa para os mercados financeiros internacionais. Eles anteciparam a notícia. 

A S&P apontou a falta de compromissos críveis articulados entre as autoridades dos governos europeus, a troika (FMI, Banco Mundial e BCE) e as instituições financeiras dos países da área do euro. É difícil obter uma articulação institucional que leve a um grau mínimo de consenso quando existem assimetrias importantes nos balanços de transações correntes dos países do bloco.

Mas o que causa tais assimetrias? O que faz a Alemanha e a Holanda, por exemplo, apresentarem contas externas saudáveis enquanto outros países não conseguem isto?

A razão está na disparidade entre os graus de competitividade existentes entre as empresas dos países da União Europeia. Além disso, as empresas europeias são menos competitivas do que as norte-americanas e a dos países asiáticos. Os bancos europeus são menos competitivos do que os maiores bancos brasileiros.  Observa-se isto quando se compara, por exemplo, a produtividade das empresas portuguesas versus as alemãs, gregas versus suecas e cipriotas versus holandesas. Se compararmos, por setor, a produtividade de empresas europeias versus empresas norte-americanas, sul-coreanas e japonesas, também comprovaremos disparidade.

A Alemanha, a Suécia e a Holanda se situam na Europa Setentrional, enquanto Portugal, Grécia e Chipre (e também outros países com notas rebaixadas, como Itália e Espanha) possuem a maior parte de seus territórios na Europa mediterrânea. Alguns economistas se perguntam:  por que os países nórdicos e da Europa setentrional (à exceção da Áustria) possuem melhores ratings e níveis de competitividade do que os países situados na porção merdional? Há os que mencionam que os salários reais destes países são menores, considerando suas rendas per capita, do que os daqueles outros países citados. Outros apontam que a propensão marginal a poupar destes países é maior do que a daqueles. Há quem veja empresas mais inovadores no norte do que no sul da Europa. Mas o debate está aberto, pois não ainda há consenso sobre o assunto.

De qualquer modo, as dificuldades de equacionamento do grau de endividamento nos setores público e nos setores bancários existentes nos nove países são, para a S&P, apenas efeitos secundários desta disparidade do grau de competitividade.

Assim sendo, a solução para uma crise localizada nas finanças públicas e no setor financeiro europeu seria a implementação de políticas que levem a um “choque de produtividade” (leia-se: redução de custos) nas empresas do velho continente.

O paradoxal  é que o diagnóstico da falta de produtividade das empresas europeias não é um tema novo para os estudiosos na economia internacional e industrial.

Mas só agora, após o rebaixamento da S&P, ele pode vir a merecer  políticas mais adequadas.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h46
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A política do BCE e a valorização do real

 

Na sexta-feira passada a Standard & Poor`s (S&P)  reduziu o rating da França e de outros oito países da área do euro.

O mercado financeiro em geral e o mercado europeu de títulos, em particular, vinham apresentando moderada, porém segura, recuperação. Desde novembro passado, quando o italiano Mario Draghi assumiu o comando do Banco Central Europeu (BCE), esta instituição  passou a aumentar as operações de resgate dos títulos da Itália e da Espanha negociados no mercado secundário. Com o aumento da demanda por tais títulos, elevaram-se também os seus yields (rendimentos). Como os juros estão baixos (em torno de 1% ao ano), o aumento dos yields destes títulos (alguns pagam mais de 7% ao ano) fizeram com que as instituições bancárias retomassem suas aplicações neste tipo de ativo. A pura melhora da relação risco/retorno destes títulos fez com que a ação do BCE surtisse efeito por algum tempo. Melhoraram as condições de captação de recursos para financiamento das dívidas de países como Alemanha (sim, até ela teve dificuldades), Itália e Espanha.

Aliado à estas ações no mercado de títulos, o BCE continuou a utilizar medidas expansionistas de política monetária (entre elas o repasse para os bancos europeus de mais de 800 bilhões de euros nos últimos dois anos).  Se a operação de injeção de liquidez nos bancos norte-americanos ainda é questionada (como prova movimentos como o “ocupem Wall Street”), do outro lado do Atlântico o BCE implementa operação semelhante junto aos bancos da área do euro. Abaixo dos trópicos, no Brasil de 1995, o governo de Fernando Henrique Cardoso fez a mesma coisa e sofreu oposição duríssima. Apesar do pouco apelo político de tais medidas, o BCE age corretamente, assim como o Fed e o Bacen agiram nas crises de 2008 e 1995, respectivamente. Em política econômica a urgência imposta por algumas situações críticas muitas vezes exige pragmatismo e flexibilidade dos policy-makers.   

Draghi demonstrou, apesar do pouco tempo como chairman do BCE, tais qualidades. A crise da dívida dos países europeus é bancária e governamental. Em alguns países a iliquidez se concentra no setor bancário. Em outros o endividamento público é maior. Como o BCE não pode reduzir diretamente a dívida dos Tesouros dos países área do euro, sobra a alternativa de remediar o endividamento das instituições bancárias europeias. Assim, a operação de refinanciamento das dívidas bancárias conduzida pelo BCE é importante para a retomada da economia europeia.

A questão é que tal política de expansão monetária implica em depreciação do euro em relação ao dólar e ao real. A taxa de câmbio real/dólar já subiu mais de 4% apenas neste início de janeiro. Tudo indica que, em breve, teremos um real mais forte. Se estivéssemos com a inflação sob controle, teríamos um espaço ainda maior para a redução da taxa Selic (pois tal redução aliviaria a pressão altista sobre a taxa real de câmbio). O problema é que isto não ocorre. 

Assim, o que o ministro Guido Mantega chama de guerra cambial é o resultado de políticas temporalmente consistentes de expansão monetária promovida pelo BCE e pelo Fed (em sua política de “afrouxamento monetário quantitativo”) associada à impossibilidade de reduzirmos mais rapidamente a taxa básica de juros (há, ainda, o problema da caderneta de poupança indexada, de que já tratei em 2009 e que agora volta a ser discutido). 

O governo terá que lidar novamente com a tendência de valorização, a curto prazo, do real, uma vez que o rebaixamento do rating da dívida dos referidos países pela S&P reforça a política do BCE de resgatar mais títulos governamentais e de aumentar ainda mais a liquidez dos bancos privados europeus.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 17h30
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Economia da corrupção: alguns pontos para reflexão

 

A prática da corrupção no país atingiu um nível intolerável para pessoas de bem.  Não sou um especialista sobre o tema, como é Andre Carraro, professor da UFPel. Nesse sentido,  faço aqui algumas breves reflexões no intuito de contribuir para o debate.

Em primeiro lugar, o diagnóstico do problema: a  corrupção é causa ou efeito da impunidade?

Se o leitor concordar que é efeito, há de concordar também que o debate nacional sobre o tema está fora de foco, pois deveríamos combater a causa  e não o efeito.

Assim, desta constatação, um questionamento emerge: quais os fatores determinantes da impunidade?

No caso específico da corrupção, a impunidade está associada à dificuldade de se obterem provas e à consequente facilidade de um corrupto ou corruptor escapar ileso da condenação pelo seu crime.

Para haver um corrupto é preciso haver um corruptor. Se alguém recebe dinheiro ou vantagens ilícitas, é preciso que outro lhes conceda tais "benesses". Assim, a relação bilateral entre corruptos e corruptores os leva a uma cumplicidade imediata. Corruptos não denunciarão seus corruptores e vice-versa. Pode até ocorrer, na hipótese de o crime lançar suspeitas para os cúmplices, uma espécie de mútua proteção, dado que, se houver delação premiada, a punição do corrupto pode acarretar a denúncia do seu corruptor.

Além destes dois incentivos à prática da corrupção (dificuldade na sua comprovação e necessidade de que este crime seja feito em grupos – no mínimo dois comparsas) há o fato de que ela é rentável. Envolve grandes somas e, além disso, o país convive com carga tributária elevada (fenômeno associado aos altos níveis de sonegação de tributos) e trâmites burocráticos que a estimulam.  Surge como consequencia destes fatores o estímulo para a formação de quadrilhas e de grupos criminosos interessados e articulados para a obtenção de vantagens e rendimentos ilícitos à custa de cidadãos honestos. 

Outro problema é que a corrupção não se encontra somente na esfera pública. São também são comuns casos de corrupção em empresas privadas. Muitas vezes estes casos envolvem empresas e instituições públicas. Várias  empresas privadas, ONGS e partidos políticos sobrevivem graças ao caixa dois e à prática de fraudes contábeis.  Vários  empresários que se beneficiam do caixa dois de segunda à sexta, vão às passeatas anti-corrupção nos finais de semana. Reclamam dos políticos que vão discursar contra a corrupção no  palanque, de segunda à sexta e vão organizar meios de aumentar a arrecadação do caixa dois do partido nos finais de semana.

Como coibir a prática de caixa dois e a sonegação tributária? Eis uma questão que mereceria um cuidadoso debate e uma extensa análise por parte da sociedade brasileira...

Como denunciar um corrupto se o potencial delator sabe que até para um promotor público é difícil  provar o crime de corrupção?

Como denunciar crimes de corrupção se até mesmo a imprensa teme ser cerceada em sua liberdade por causa da denúncia de tais práticas?

Advogados, juristas, promotores, economistas e sociólogos encontram dificuldades para equacionar, em termos práticos, tais questionamentos.

A teoria microeconômica, contudo, as resolve facilmente em termos teóricos.

A economia da informação assimétrica recomenda o aumento da transparência das informações contábeis e fiscais nas três esferas do setor público. Talvez esta seja a única coisa a se fazer para reduzir, no curto prazo, o nível de corrupção no país: a criação de leis que aumentem o grau de transparência dos atos e fatos contábeis referentes ao governo. A maior circulação de tais informações permite aumentar o custo do crime, uma vez que facilita a obtenção de provas para a condenação dos corruptos e corruptores.

Por outro lado, a teoria da política econômica recomendaria a identificação de lideranças políticas comprometidas com a aprovação de novas leis que aumentem a transparência nas informações contábeis dos governos federal, estaduais e municipais como um passo vital a ser dado.

Estas lideranças, pasme o leitor, existem. Porém, por falta de articulação entre imprensa,  sociedade civil, instituições dedicadas a este tema (entre as quais a Transparência Brasil e o site Contas Abertas), o Poder Judiciário e os partidos políticos, a existência de tais lideranças não se traduz em ações que aumentem a transparência.

Aí está a raiz do problema: a indignação não se traduz em ações efetivas porque “a probidade não tem cúmplices”, como diria Millôr Fernandes.



Categoria: Microeconomia
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h15
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A Selic e a próxima reunião do Copom

 

A produção industrial brasileira caiu 2,5% em novembro em relação à de outubro. A produção de automóveis, celulares, gadgets e televisores puxaram para baixo o PIB industrial (o menor desde novembro de 2009).

Na Europa e nos EUA os sinais são moderadamente promissores.

Os EUA surpreenderam com a maior elevação do seu PIB industrial em seis meses. Na  Europa, embora  a Alemanha tenha apresentado redução no seu nível de desemprego e  o Reino Unido tenha apresentado ligeira retomada de sua atividade econômica, os países mais afetados pela crise da dívida (Espanha, Portugal, Itália e, sobretudo, Grécia) ainda apresentam dificuldades na implementação de políticas fiscais contracionistas que possam reduzir seus níveis de endividamento público e políticas de socorro para bancos com alto endividamento privado.

Por isso, como teremos uma reunião do Copom nos próximos dias 7 e 18 de janeiro, muitos agentes apostavam, antes da divulgação destes indicadores, na manutenção de uma Selic de 10% ao ano neste ano de 2012. Agora, todavia, optam por esperar a divulgação do IPCA de dezembro, que sairá amanhã. Este indicador será essencial para saber se o Copom decidirá por uma queda de 0,5 ponto porcentual na taxa Selic.  Neste caso ele estará mais preocupado com o crescimento de 2012 e, portanto, mais alinhado com os interesses do Ministério da Fazenda e da presidente Dilma Rousseff. Se ele decidir pela manutenção da taxa, sinalizará que está mais preocupado com o cumprimento da meta de inflação de 2012.

As expectativas apontam que o IPCA de amanhã deverá apresentar um nível maior do que a meta oficial de inflação (de 6,5%) definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Conforme o relatório Focus, o IPCA de dezembro deverá registrar algo em torno de 0,54%. Assim, o ano de 2011 deverá fechar com uma inflação próxima de 6,55%. Com o descumprimento da meta, o BC terá que escrever uma carta aberta ao Ministério da Fazenda apresentando as razões para o não atingimento da meta.

Assim, não há ainda consenso no mercado de juros futuros sobre a manutenção ou um possível corte da Selic.

Existem também outros indicadores que certamente influenciarão a decisão do Copom, como a ata da última reunião do Fomc (comitê de política monetária do banco central norte-americano) e os dados norte-americanos sobre os setores de serviços e o mercado de trabalho.

De qualquer modo, a decisão da próxima reunião do Copom será importante para sinalizar o rumo da política monetária em 2012.

Servirá para saber se o BC voltou a se preocupar mais com a inflação ou se ainda está mais focado nos efeitos recessivos da crise econômica europeia sobre a atividade econômica brasileira.

É esperar para ver.

 



Categoria: Economia Monetária e Financeira
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 08h52
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Consumo crescente, poupança insuficiente e custo Brasil - artigo de Celso Ming

 

O artigo “Mais consumo , menos PIB”, publicado por Celso Ming  no dia 14/12/2011 em seu blog toca em pontos importantes: a escassez de poupança e o elevado custo Brasil.

“Há algumas coisas esquisitas acontecendo na economia brasileira.
O consumo vem crescendo mais do que a produção e isso é ruim porque não é sustentável – como advertiu nesta quarta-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI), presidida pelo empresário Robson de Andrade (foto). E, no entanto, o Brasil vive uma fase de pleno emprego. Falta mão de obra para quase tudo: de engenheiros a pedreiros; de executivos de primeira linha a empregadas domésticas.
O ambiente é de franca retração da produção – como ficou demonstrado nesta quarta pelo IBC-Br, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central. No entanto, a inflação ainda é alta demais, acima de qualquer padrão internacional.
A poupança nacional continua contraída e, por isso, o investimento segue insuficiente, mal chega a 20% do PIB. Enquanto isso, a demanda, que cresce perto de 5% neste ano, tem de ser suprida cada vez mais pelas importações.
O problema de fundo não é o real valorizado demais – como insistem os dirigentes da CNI e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). É a baixa competitividade do setor produtivo brasileiro que, em grande parte, é determinada pelo excessivo custo Brasil: carga tributária superelevada, juros altos, infraestrutura cara, Justiça lenta e confusa, baixa qualidade da mão de obra e por aí vai.”

(continua no blog de Celso Ming).

 



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 23h35
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Oportunidade rara de reduzir juros

 

O artigo de Claudia Safatle, no Jornal Valor Econômico do dia 9 de dezembro, é extremamente oportuno. 

Nele, Armínio Fraga afirma que "Se tiver sangue frio, a presidente Dilma vai ver no seu governo os juros mais baixos que este país já teve desde sempre, talvez desde a década de 30".

Vale a pena ler o artigo que está aqui, na íntegra.

 



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h07
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Journal papers que merecem leitura

 

 

Vida acadêmica pressupõe leitura de literatura científica.

Ando lendo artigos sobre financiamento do crescimento e modelos de crescimento de longo prazo que envolvam poupança e investimento. Artigos de Simonsen, Samuelson-Modigliani, Solow, Harrod-Domar, Lucas, Pasinetti, Angus Deaton, Loayza e Schmidt-Hoebbel etc.

Mas, pelo menos quando se trata de Economia, alguns "journal papers" merecem atenção, sobretudo quando são escritos por bons economistas.

São os casos dos artigos publicados em periódicos não-científicos como os citados abaixo:

1) "Investimento ou poupança?", artigo de Armando Castelar Pinheiro publicado no Valor Econômico (4/11/2011)

2) "Juros ou jaboticaba?", artigo de Andre Lara Resende publicado no Valor Econômico (16/06/2011)

3) "Câmbio, poupança e os vendedores de ilusão", artigo de Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli (15/7/2011)

4) "A inescapável poupança externa", carta do IBRE de dezembro de 2009.

5) "Como lidar com as dívidas do Ocidente", artigo de Klaus Zimmermann publicado no Valor Econômico (4/11/2011)

5) "Verdades inconvenientes sobre crescimento sustentado", artigo de Mansueto Almeida e Alexandre Manoel da Silva publicado no Valor Econômico (29/4/2010).

 



Categoria: Notícia, citações e humor
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 09h18
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A desaceleração na indústria

 

Joelmir Beting analisa, com dados, a desaceleração na indústria brasileira.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 21h02
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O futuro da Macroeconomia


Dica de leitura para quem gosta de HPE e Macro: "The Future of Macroeconomics", de J. Bradford DeLong (University of California at Berkeley).



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 20h59
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Dívidas e dúvidas na área do euro

 

 

O presidente do Banco Central da Grécia declarou que seu país terá quedas no PIB em 2011 ( -5,5%)  e em 2012 (-2,8%).  Com isto,  não será surpresa se a Grécia tiver que abandonar a  área do euro. Esta pode ser a única saída para que os gregos possam rolar sua dívida soberana no médio e longo prazos.

Preocupa o fato de esta dificuldade com o equacionamento da dívida não ser exclusiva da Grécia.

A França está preocupada com a iminente perda do seu “A” triplo (classificação de risco de melhor qualidade para dívidas soberanas).

A sólida Alemanha  conseguiu vender apenas um pouco mais do 50% do lote leiloado de seus títulos públicos.

A Bélgica avisou aos mercados que será difícil a sua participação na injeção de liquidez no Banco Dexia. Argumentou que tal operação de capitalização iria exigir uma elevação excessiva do seu nível de endividamento.

Está cada vez mais difícil os bancos privados europeus obterem crédito para melhorarem seus níveis de endividamento e liquidez. Este crédito deveria vir de instituições governamentais e, sobretudo, do Banco Central Europeu (BCE).

A Alemanha, por ora, é contra uma mega-operação de empréstimo de última instância feita pelo BCE para socorrer os Tesouros Nacionais dos países mais afetados pela crise europeia. Angela Merkel, premiê alemã, também não é favorável à criação do eurobônus. O eurobônus seria um mecanismo capaz de auxiliar o financiamento das economias do bloco do euro, além de permitir um controle mais efetivo do teto de 60% da dívida pública destas economias.  

Mas parece ser questão de tempo que o veto alemão à operação do BCE  venha a ser derrubado pela urgência das circunstâncias. Não interessa a ninguém, nem mesmo à Alemanha, que as finanças bancárias e públicas dos  países da Europa Latina (Grécia, França, Espanha, Portugal e Itália)  deteriorem-se ainda mais.  

O custo de tal deterioração poderia ser o agravamento da condição econômica destes países e de alguns países emergentes importantes, tais como Brasil, China, Rússia e África do Sul.



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 10h44
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Crise europeia no site de Joelmir Beting

 

O comentário que fiz sobre a crise europeia foi gentilmente publicado pelo jornalista Joelmir Beting em "Professores Comentam a Crise".



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 18h17
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A História, por Cervantes

 

"A História imita o tempo. É guardiã dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente e advertência do futuro".

Miguel de Cervantes - romancista espanhol.

 

Cervantes (1547-1616)



Categoria: Notícia, citações e humor
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 18h16
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Sobre metodologia econométrica e Estatística

 

Gosto de Estatística e Econometria, mas muitos erros cometidos por quem se aventura nesta área se devem à negligência de uma abordagem metodológica básica: é sempre mais prudente saber onde se quer chegar com os métodos econométricos do que deixar que os dados falem por si.

É sempre mais prudente embasar seu modelo econométrico ou estatístico sobre um bom modelo teórico ou sobre boas explicações históricas (quando se faz Cliometria) do que tentar fazer teoria com o softwares econométricos

Ou, para recorrer à uma frase conhecida de Roberto Campos:  "Use a Estatística como os bêbados usam o poste: para se apoiar e não para iluminar" (cito de memória, talvez  a frase seja um pouco diferente).

As boas idéias vêm, em geral, da teoria econômica, sendo depois corroboradas pelos modelos econométricos.

O contrário pode ocorrer, mas é raro. 



Categoria: Notícia, citações e humor
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 00h37
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Boas notícias para a Área do Euro

 

 

A saída de Silvio Berlusconi e a  indicação de Mario Monti como novo premiê da Itália é um sinal crível de comprometimento deste país com uma mudança na sua política fiscal. Esta mudança é importante para o futuro das finanças públicas e privadas da Área do Euro. 

Mario Monti estudou na Universidade de Yale com um dos mais importantes economistas do século XX:  James Tobin. Foi reitor na Universidade Luigi Bocconi e comissário europeu por dois mandatos. Além das credenciais acadêmicas, reúne a confiabilidade dos mercados financeiros, ativo intangível de valor incalculável em um momento crítico para a economia italiana e europeia.

O parlamento italiano soube agir com a presteza recomendável por uma situação que, conforme postei há uma semana atrás, caracterizava uma séria pressão de movimentos especulativos dos credores de sua dívida pública.

O pacote de socorro europeu, também analisado em post anterior, a saída do primeiro-ministro grego e estas mudanças na Itália, melhoram, pelo menos a curto prazo, as expectativas acerca da recuperação econômica dos países da Europa latina com alto endividamento (Grécia, Itália, Espanha e Portugal).

O economista Antõnio Delfim Netto já afirmou que, quando os mercados erram, a urna tenta corrigir estes erros. Inversamente, quando a urna não realiza escolhas adequadas, o mercado a pune.

As urnas europeias - através dos seus representantes parlamentares e por meio da liderança de Nicholas Sarkozy e Angela Merkel e também por meio da ação coordenada da troika (BCE, Banco Mundial e FMI) - tenta corrigir os erros que os bancos cometeram, ao emprestar muitos recursos a países europeus com dívidas soberanas elevadas.

Nas últimas semanas estas tentativas têm se mostrado promissoras para a recuperação econômica da Área do Euro.

Obviamente, contudo, estas notícias tratam-se de um alívio de curto prazo.

A situação dos países europeus citados é séria e a recuperação irá depender da qualidade das políticas implementadas nos próximos anos.


Mario Monti (nascido em 1943)

 



Categoria: Macro e Economia Internacional
Escrito por Marcelo de Oliveira Passos às 17h48
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